A temporada de 2025 começou com muitas expectativas no Fortaleza, especialmente pela continuidade do trabalho de Juan Pablo Vojvoda, um dos técnicos mais respeitados do futebol brasileiro nos últimos anos. Porém, a realidade atual é bastante diferente da esperança que tomou conta da torcida no início do ano.
Após o empate fora de casa por 1 a 1 contra o Atlético Bucaramanga, na terceira rodada da fase de grupos da Libertadores, o Fortaleza chegou à marca de seis jogos sem vencerr, uma sequência que evidencia problemas profundos no elenco e no próprio comando técnico. Mas o que exatamente está dando errado para o Leão do Pici? Neste texto, vamos falar sobre isso.
Fortaleza tem defesa que não assusta mais ninguém
Um dos pilares do Fortaleza de Vojvoda nos últimos anos foi a solidez defensiva. Mesmo em temporadas de calendário apertado e elencos limitados, o time conseguia se proteger bem, com organização tática e bons desempenhos individuais na linha de zaga. Em 2025, esse sistema desmoronou.
A chegada de David Luiz, que deveria elevar o nível do setor com sua experiência internacional, virou dor de cabeça. Lento, errático na saída de bola e vulnerável no mano a mano, o zagueiro tem acumulado falhas técnicas e lapsos de concentração. Ao invés de liderar o sistema defensivo, ele frequentemente se vê envolvido em gols adversários, comprometendo a confiança da equipe e da torcida.
O problema se agrava com a ausência de uma reposição confiável ao lado dele. A equipe contratou Gastón Avila como uma esperança de um jogador que se destacou na América do Sul, mas não conseguiu mostrar o seu valor na Europa. No entanto, ele fez um primeiro trimestre horrível e hoje está amargando o banco de reservas sem nem ter chances.
Por isso, o sistema defensivo do Fortaleza tem problemas de confiabilidade, e, pela falta de profundidade no elenco, a equipe vem sofrendo.
Elenco envelhecido e mal renovado
Outro ponto crítico é o envelhecimento do elenco, que não foi devidamente renovado. O clube até se movimentou no mercado com contratações como Pol Fernández e Diogo Barbosa, mas ambos chegam com performance abaixo da expectativa. O argentino, que teve bons momentos no Boca Juniors, aparenta lentidão e falta de intensidade para o jogo vertical que Vojvoda propõe. Já Diogo Barbosa, que há tempos não vive boa fase, é hoje uma opção limitada para a lateral esquerda.
A perda de Hércules, um dos meio-campistas mais dinâmicos e inteligentes do elenco, fez muito mais falta do que o clube talvez imaginasse. Era ele quem dava equilíbrio ao meio, com capacidade para marcar, pisar na área e fazer a transição rápida entre defesa e ataque. Sem ele, o setor ficou mais previsível e frágil, algo que Pol Fernández, por exemplo, não conseguiu suprir.
Além disso, o elenco mostra sinais claros de desgaste físico e mental. Vários jogadores que foram fundamentais nas temporadas anteriores estão visivelmente em queda de rendimento. O cansaço acumulado de anos jogando em alto nível, disputando todas as competições possíveis, agora começa a cobrar a conta com várias lesões de atletas importantes.
Trabalho longo de Vojvoda no Fortaleza vai ficando sem ideias
É impossível falar da crise sem mencionar o próprio Juan Pablo Vojvoda. Ídolo do clube e técnico que mudou o patamar do Fortaleza nos últimos anos, ele ainda conta com respaldo interno e da torcida. Mas o atual momento acende um sinal de alerta.
Vojvoda parece repetir ideias e estratégias que funcionaram no passado, mas que hoje já não têm o mesmo efeito. A intensidade defensiva e as triangulações ofensivas, marcas registradas de seus times, estão mais previsíveis e menos eficazes. Além disso, suas substituições e escolhas táticas têm sido questionadas, especialmente em jogos onde o time não consegue reagir diante de adversários inferiores tecnicamente, como foi o caso do Atlético Bucaramanga.
Existe também um desgaste natural, quase inevitável, em qualquer trabalho longevo no futebol brasileiro. Vojvoda está há quase cinco anos no comando do time, uma eternidade em comparação com a média nacional. E, embora seja admirável a permanência, é legítimo dizer que o ciclo pode estar entrando em uma fase descendente.
O Fortaleza ainda tem tempo para reagir. A situação na Libertadores é reversível, o Brasileirão está no começo, e o elenco ainda conta com jogadores de qualidade para formar uma base sólida. Mas isso exige decisões rápidas e corajosas: entender se é preciso reformular o sistema defensivo, repensar a função de nomes veteranos e, acima de tudo, permitir que Vojvoda possa dar ao time um choque de ideias.
O técnico argentino construiu um legado importante no clube, mas precisa provar que ainda tem combustível para reverter um momento que, se não for tratado com seriedade, pode comprometer toda a temporada de 2025. A identidade do Fortaleza ainda está viva, mas o time parece ter se desconectado da intensidade e solidez que o tornaram temido. Retomar esse DNA é o maior desafio que Vojvoda já enfrentou desde que chegou ao Pici.
(Foto: Davi Rocha/SVM)


