O Flamengo entrou em campo na noite de ontem, no Maracanã, sabendo exatamente o peso que aquele jogo tinha. Era a típica partida que valia mais do que três pontos — valia a permanência do time vivo na briga por uma vaga nas oitavas de final da Libertadores. Pressionado pela sequência instável na competição continental, o Rubro-Negro precisava não só vencer a LDU, mas também convencer. E foi exatamente isso que o time fez: venceu por 2 a 0, respirou no grupo e mostrou que ainda está muito vivo na luta pela classificação.
A atmosfera no Maracanã era tensa antes da bola rolar. A torcida, que lotou o estádio como sempre, sabia que o jogo era decisivo e que um tropeço poderia complicar (ainda mais) a vida da equipe no Grupo C. O time vinha de atuações irregulares e tinha apenas cinco pontos conquistados em quatro rodadas, o que deixava qualquer margem de erro praticamente inexistente. Para continuar sonhando com a classificação, vencer a LDU em casa era obrigatório — de preferência com um bom saldo de gols.
Pedro no banco
E foi aí que começou a primeira polêmica da noite. Na escalação oficial divulgada pouco antes do apito inicial, o técnico Filipe Luís surpreendeu ao deixar Pedro, artilheiro da equipe e um dos principais nomes do elenco, no banco de reservas. A decisão rapidamente virou tema de debate entre torcedores e jornalistas. Afinal, se o time precisava vencer e construir um bom saldo de gols, por que abrir mão de um dos melhores finalizadores do elenco?
Durante a coletiva após o jogo, Filipe explicou sua escolha. Segundo ele, embora Pedro tenha voltado muito bem de lesão e até tenha feito gols recentemente, o atacante ainda não está 100% fisicamente. Para o treinador, o mais importante era contar com jogadores que pudessem manter a intensidade do jogo desde o início — algo que ele avaliou que Pedro, no momento, ainda não consegue fazer por 90 minutos. Uma escolha que, no fim das contas, não comprometeu a estratégia, já que o Flamengo fez o dever de casa.
E fez cedo. Logo aos 8 minutos do primeiro tempo, o zagueiro Léo Ortiz aproveitou cobrança de escanteio e subiu bonito para cabecear no canto, abrindo o placar e tirando um peso enorme das costas do time e da torcida. O gol foi fundamental para quebrar o nervosismo e dar mais tranquilidade ao Flamengo, que passou a controlar o jogo com mais confiança.
A LDU até tentou responder, principalmente em jogadas pelo lado direito, mas parou na boa atuação defensiva do Flamengo, que soube se portar com solidez. Léo Ortiz, inclusive, não brilhou apenas pelo gol: foi seguro o tempo inteiro e mostrou que está se consolidando como peça importante da defesa rubro-negra. No meio, Allan e De la Cruz ajudaram a manter o ritmo e distribuíram bem o jogo. Já nas pontas, Bruno Henrique e Luiz Araújo infernizaram os equatorianos.
Aliás, foi justamente Luiz Araújo quem sacramentou a vitória no segundo tempo. Em uma jogada do Alex Sandro, recebeu no espaço, bateu no canto do goleiro para marcar o segundo do Flamengo e garantir o alívio geral no Maraca. O atacante, que vem oscilando ao longo da temporada, dessa vez foi decisivo — e escolheu o momento certo pra isso.
Com o 2 a 0 no placar, o Flamengo administrou o jogo e até poderia ter feito mais. Teve chances com Bruno Henrique, com De la Cruz e até com Pedro, que entrou no segundo tempo e mostrou presença dentro da área. Mas o placar ficou assim mesmo. O importante era vencer, somar três pontos e, de quebra, melhorar o saldo de gols, que pode ser decisivo na última rodada da fase de grupos.
Flamengo depende apenas de si
Agora, com oito pontos, o Flamengo voltou a depender apenas de si para avançar às oitavas. O time vai para a última rodada da fase de grupos com boas chances de classificação, mas ainda precisará vencer novamente — e, claro, torcer para que o desempenho seja consistente. A vitória sobre a LDU trouxe um respiro e mostrou que, mesmo com questionamentos e mudanças, o elenco tem força para dar a volta por cima.
O trabalho de Filipe Luís ainda está em construção, e escolhas como a de deixar Pedro no banco mostram que ele está disposto a bancar decisões difíceis pensando no coletivo. Ontem, deu certo. Mas o técnico sabe que o Flamengo é um clube em que a pressão nunca diminui por muito tempo. A torcida quer mais, quer evolução, quer desempenho — e, acima de tudo, quer título.
Se repetir a organização e a intensidade que teve contra a LDU, o Flamengo tem tudo para se classificar e seguir forte na Libertadores. A vitória de ontem foi o primeiro passo. Um passo firme, necessário, e que chegou na hora certa.