O Botafogo vive um dos grandes momentos da sua história desde que abriu as portas para John Textor. Com a chegada do modelo SAF, a equipe alvinegra mudou bastante o panorama dentro do futebol: passou a mirar peças pontuais, de olho no crescimento e na evolução do grupo a curto, médio e longo prazo e, de preferência, com jovens talentos no pacote. O novo diamante da vez atende pelo nome de Álvaro Montoro, meia que brilhou com a camisa do Vélez Sarsfield, da Argentina.
Nas últimas janelas de transferências, o atual campeão da Libertadores e do Brasileirão não tem feito loucuras por grana. O foco é outro: trazer o que realmente precisa. O cenário que o Botafogo vive hoje permite um pouco mais de calma, especialmente depois de lucrar com Luiz Henrique e ver Thiago Almada zarpar para o futebol francês, deixando uma brecha prontinha para ser preenchida por um novo talento no Velho Continente.
Assim como o clube tem ido atrás de nomes já consolidados, a Estrela Solitária não tira os olhos dos jovens talentos da América do Sul. O Botafogo já apostou em nomes como Mateo Ponte, Jair Cunha, Cuiabano, David Ricardo, Matheus Martins, entre outros. Todos com potencial e com capacidade de crescer ainda mais dentro do projeto.
Montoro é mais um desses projetos que o Botafogo abraça com carinho, e com expectativa. A ideia é que ele possa ser o cara que fará torcida e time deixarem Almada no passado.
Montoro e Botafogo
O Botafogo não tem medo de gastar quando acredita no talento, e é por isso que o investimento em Montoro gira em torno de 8 milhões de dólares. Com apenas 18 anos, o garoto ganhou moral no cenário sul-americano ao se destacar como uma das estrelas do Vélez Sarsfield, time que fez barulho no futebol argentino na última temporada.
Voltando ao papo de SAF: é cada vez mais comum ver clubes nesse modelo irem atrás de jovens com projeção para o futebol europeu. E Montoro é exatamente esse tipo de jogador. O rótulo de “Novo Almada” pode até pesar um pouco, mas o camisa 10 já mostrou que tem personalidade, qualidade e identidade própria. Ah, e só pra constar: os dois saíram do mesmo clube. Coincidência? Talvez. Mas vale o registro.
Mesmo tão jovem, Montoro já tem 48 jogos como profissional. É muita coisa pra idade. Dá até pra puxar um paralelo com nomes como Estêvão (Palmeiras), Rayan (Vasco) e outros talentos que chegaram na vitrine principal e ficaram por lá. Montoro, para continuar entre os grandes, fez muito bem o dever de casa na Argentina.
Na atual temporada, o camisa 10 participou de 10 dos 19 jogos possíveis como titular, marcou três gols e ainda deu uma assistência. O Botafogo quer contar com ele já no Super Mundial de Clubes, pra ir moldando e lapidando o garoto de perto. Porque se no Vélez ele já mostrou as garras, imagina quando pegar o jeito do futebol brasileiro. Segurar vai ser difícil.
Além da origem em comum com Almada, os dois também têm outras semelhanças. Montoro é um meia ofensivo, destro, com 1,75m e que gosta de aparecer pelos lados do campo, algo que Almada fazia bastante, trocando de posição com Savarino. E olha só: essa troca pode muito bem se repetir com Montoro em breve.
O menino também curte bastante uns dribles curtos, com aquele jeitão de futsal, algo que nunca sai de moda no futebol de campo. Ele sabe se livrar dos marcadores, a bola não queima no pé, e ainda tem um ótimo controle. Pode ser justamente a válvula de escape que Igor Jesus e Savarino tanto precisam, porque normalmente é nas costas deles que a batata quente costuma parar.
Como Montoro jogaria no Botafogo?
Ninguém aqui vai dizer que Montoro vai chegar com vaga garantida no time titular do Botafogo, mas é inegável que o papel dele em campo encaixa direitinho no espaço deixado por Thiago Almada. A diretoria até tentou suprir essa ausência, mas, sejamos sinceros, não teve muito sucesso até agora.
Agora, a missão de preencher esse vazio vai cair nos pés do garoto argentino. A saída de Luiz Henrique até que foi bem maquiada com a chegada do Artur, vindo do Zenit. Savarino chegou a ser deslocado pro lado esquerdo, mas não deu liga. Ele sabe qual é o habitat natural dele, e por isso a diretoria foi buscar a joia do Vélez.
Falando de drible, Montoro é daqueles que amam o 1×1. E esse gosto pode fazer com que ele ganhe rapidamente o espaço que, a princípio, parecia reservado para Santiago Rodríguez. Até aqui, o uruguaio não conseguiu mostrar volume nem qualidade, o que já levanta uma expectativa diferente sobre Montoro, ainda mais por ele ter jogado recentemente e com destaque na Argentina.
Com a bola colada no pé, liberdade para se movimentar e a possibilidade de tabelas rápidas com os companheiros, dá pra imaginar que Montoro será muito bem tratado no Nilton Santos. E, se depender da torcida e do projeto do Botafogo, esse garoto ainda vai dar muita alegria pro Fogão.
(Foto: Juan Mabromata/AFP)