O Fluminense garantiu sua classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes com um empate suado em 0 a 0 contra o Mamelodi Sundowns, na noite desta segunda-feira. Jogando com o regulamento debaixo do braço, o Tricolor das Laranjeiras resistiu à pressão do time sul-africano, especialmente no primeiro tempo, e soube administrar o resultado que lhe bastava para seguir vivo no torneio.
Com o ponto somado, o Flu termina a fase de grupos com cinco pontos, em segundo lugar do Grupo E, dois a menos que o Borussia Dortmund. Agora, o time carioca aguarda a definição do Grupo F, que conta com River Plate, Internazionale e Monterrey, para conhecer seu adversário nas oitavas. Apesar da atuação abaixo do esperado, a missão foi cumprida: classificação garantida e todos os brasileiros seguem no mata-mata.
O jogo
Desde o apito inicial, o Fluminense deixou claro que o foco era não correr riscos. A estratégia do técnico Renato Gaúcho foi evidente: utilizar a vantagem do empate, manter o controle defensivo e explorar os espaços com cautela. O time alternava entre o 5-4-1 e o 4-1-4-1 na marcação e tratava a bola com bastante paciência — talvez até em excesso.
Enquanto o Flu parecia confortável em administrar a vantagem, quem buscava o jogo era o Mamelodi Sundowns, que começou com intensidade e assumiu o protagonismo ofensivo. Logo nos primeiros minutos, o brasileiro Lucas Ribeiro arriscou de fora da área e obrigou o goleiro Fábio a se esticar. Pouco depois, o mesmo Lucas encontrou Matthews em profundidade, mas Fábio novamente salvou o Tricolor com uma saída precisa.
O primeiro tempo foi de tensão para os cariocas. Muitos passes errados, dificuldades para manter a posse e uma postura excessivamente passiva fizeram o time dar espaço e confiança ao adversário. A torcida tricolor, numerosa no estádio, tentou empurrar o time na base do grito, mas demorou para a resposta vir em campo.
Aos 35 minutos, enfim, o Fluminense encaixou uma boa jogada. Nonato e Martinelli tabelaram e encontraram Arias livre na área. O colombiano bateu cruzado e a bola passou muito perto da trave. Foi o respiro que o time precisava. A partir daí, cresceu ligeiramente e até ensaiou pressão no fim do primeiro tempo com chutes de Nonato e Arias, mas sem mudar o placar.
O segundo tempo começou em ritmo mais lento. O Sundowns parecia sentir a queda física após a intensidade da etapa inicial, e o Fluminense passou a controlar mais a posse de bola. Com isso, finalmente criou sua melhor chance: Arias fez bela jogada pela direita e cruzou rasteiro para Germán Cano, que se antecipou à zaga e desviou no primeiro pau.
Mesmo com o susto, o Fluminense não aproveitou o bom momento para matar o jogo. A postura voltou a ser conservadora, e o Sundowns, percebendo a oportunidade, se lançou ao ataque. Com muita organização, mas com poucos recursos técnicos e físicos, os sul-africanos conseguiram empurrar o Flu para seu campo. Escanteios em sequência deixaram o clima tenso nos minutos finais, e qualquer bola aérea parecia capaz de decidir o destino do jogo.
No fim, o Fluminense segurou o empate com unhas e dentes. Fábio, seguro o tempo inteiro, orientou a defesa nos minutos derradeiros, e a classificação foi conquistada na base do sofrimento. O Sundowns, valente e tecnicamente competitivo, caiu de pé. Faltou um gol para fazer história, mas a bola decisiva não apareceu.
Fluminense não encanta em último jogo; Mamelodi cai de cabeça erguida
A classificação do Fluminense é merecida pelo desempenho geral na fase de grupos, mas o jogo desta segunda-feira levantou dúvidas sobre a capacidade do time de competir em alto nível nas fases seguintes. O desempenho foi pragmático — em alguns momentos até excessivamente cauteloso — e evidenciou limitações físicas e criativas da equipe.
A insistência em “sentar no regulamento” expôs o time a riscos desnecessários. Se o Sundowns tivesse um pouco mais de precisão ou eficiência na bola parada, o Tricolor poderia ter deixado escapar a vaga. É verdade que Cano esteve perto de resolver a situação com o chute na trave, mas depender de uma jogada isolada foi pouco para um time com ambições de título.
O setor de meio-campo, com Martinelli e Nonato, sofreu com a pressão sul-africana, e a saída de bola apresentou falhas que precisam ser corrigidas. Jhon Arias, novamente, foi o jogador mais lúcido ofensivamente. Já Cano, embora discreto, mostrou presença na área quando teve oportunidade. Defensivamente, destaque para a atuação segura de Fábio, que foi decisivo nos momentos de aperto.
O Fluminense avançou, mas com a lição de que precisará jogar mais — e com mais coragem — se quiser sonhar com voos maiores na Copa do Mundo de Clubes. Contra adversários como River Plate, Internazionale ou Monterrey, que jogam em ritmo mais elevado, a passividade exibida contra o Sundowns pode ser fatal.
Por ora, o objetivo foi cumprido: o time está entre os 16 melhores do torneio. Mas, se quiser seguir fazendo história, o Flu terá que encontrar o equilíbrio entre o controle tático e a agressividade ofensiva. No mata-mata, não há espaço para jogar com o regulamento debaixo do braço.
(Foto: Megan Briggs/Getty Images)