Futebol Copa do Mundo de Clubes

Palmeiras encerra participação na Copa do Mundo de Clubes com tabu incômodo; confira

A campanha do Palmeiras na Copa do Mundo de Clubes chegou ao fim com um gosto amargo e um peso histórico difícil de ignorar. Derrotado pelo Chelsea por 2 a 1 nas quartas de final, o Verdão se despediu da competição sem conseguir superar o principal desafio que o cerca em torneios intercontinentais: vencer um time europeu.

A derrota não foi apenas mais uma eliminação. Ela simboliza a persistência de um tabu histórico: o Palmeiras nunca venceu um clube europeu em um Mundial da FIFA, seja na antiga Copa Intercontinental ou no atual formato. Em quatro confrontos diretos contra adversários da Europa, o time soma três derrotas e um empate, sendo duas para o Chelsea, em 2021 e agora em 2025.

O jogo: equilíbrio e drama até o fim

O duelo contra o Chelsea foi decidido nos detalhes. O time inglês abriu o placar com Cole Palmer aos 16 minutos, mas o Palmeiras reagiu bem na segunda etapa e empatou com um golaço de Estevão, o garoto que fazia sua despedida antes de se transferir justamente para o clube londrino.

Por alguns minutos, o Verdão equilibrou a posse, empolgou os torcedores e ensaiou a virada. No entanto, o castigo veio aos 83 minutos, quando um cruzamento do lateral Malo Gusto desviou em Agustín Giay e entrou contra a própria meta. O gol contra selou a derrota e a eliminação, além de marcar mais um momento cruel da trajetória palmeirense nos torneios internacionais.

O tabu europeu que não se encerra

O revés para o Chelsea reafirma uma estatística incômoda: o Palmeiras jamais venceu um clube europeu em uma partida de Mundial. Em 1999, o time perdeu a final da Copa Intercontinental para o Manchester United por 1 a 0. Em 2021, caiu para o Chelsea na final do Mundial por 2 a 1, já na prorrogação. Em 2025, o confronto se repetiu nas quartas — e o resultado, mais uma vez, foi o mesmo.

A única vez que a equipe conseguiu algo contra europeus veio na fase de grupos desta edição da Copa do Mundo de Clubes, quando empatou em 0 a 0 com o Porto, em um jogo onde foi melhor. Diante do Chelsea, até apresentou valentia e competitividade, mas voltou a ser derrotado, desta vez em tempo regulamentar e com um gol contra.

Essa sequência acende um alerta interno e externo: o Palmeiras se tornou referência no futebol sul-americano, com títulos nacionais e continentais nos últimos anos, mas ainda não encontrou o caminho para derrubar adversários do outro lado do Atlântico. A diferença técnica e física entre os continentes, frequentemente apontada como fator determinante, parece permanecer viva.

Palmeiras sai com saldo financeiro, mas sem a glória esportiva desejada

A eliminação nas quartas não impediu o clube de garantir uma premiação significativa. Ao todo, o Palmeiras arrecadou cerca de US$ 39,8 milhões na competição, o equivalente a R$ 216 milhões, valor que representa um impulso importante para o caixa alviverde, especialmente no cenário financeiro atual do futebol brasileiro.

No entanto, o desempenho esportivo deixa a desejar. O time encerra sua participação no Mundial com duas vitórias, dois empates e uma derrota, mas com um futebol que não agradou. Considerando as expectativas e o histórico recente do clube em competições de alto nível, a eliminação nas quartas, diante de um rival já conhecido, soa como oportunidade perdida.

O técnico Abel Ferreira, visivelmente abatido na entrevista coletiva pós-jogo, classificou o resultado como “decidido no detalhe”, mas também fez questão de destacar o orgulho pelo desempenho da equipe. “Jogamos contra um grande adversário, de igual para igual. Faltou pouco”, afirmou. A fala resume bem o sentimento geral: o time competiu, mas ficou novamente aquém do necessário para vencer um europeu.

Apesar da frustração da eliminação, a Copa do Mundo marcou a consolidação de Estevão Willian como protagonista em jogos grandes. O jovem atacante foi o melhor em campo contra o Chelsea, marcou um belo gol e se despediu da camisa alviverde com uma atuação que emocionou torcedores e companheiros. O jogador foi vendido ao próprio Chelsea por valores recordes, e seu desempenho no Mundial só reforçou o acerto da negociação.

Próximos passos e reflexões para o Palmeiras

Com a eliminação, o Palmeiras retorna ao Brasil para focar no Campeonato Brasileiro e na Libertadores. A diretoria e a comissão técnica terão agora que lidar não apenas com a saída de uma joia como Estevão, mas também com o desafio de reerguer moralmente o elenco após um novo fracasso em um Mundial.

O que fica, mais uma vez, é a sensação de que a distância entre o futebol sul-americano e o europeu permanece — e o Palmeiras, por mais que seja dominante no continente, ainda não conseguiu traduzir esse sucesso em vitórias contra os gigantes da Europa.

Em campo, o Verdão lutou. Mas para mudar sua história nos Mundiais, ainda precisa ir além.