Barcelona
Futebol La Liga

Barcelona e a “outra face” de La Masia, a casa da base da equipe! Relembre jovens que prometiam mas não vingaram na equipe!

No Barcelona, a La Masia é, sem dúvida, uma das academias de base mais prestigiadas do futebol mundial. De lá saíram nomes como Messi, Xavi, Iniesta, Busquets e tantos outros craques que marcaram época. É um símbolo de identidade e talento, onde o DNA do Barcelona é moldado desde cedo. Mas, como toda moeda tem dois lados, a história da base catalã também guarda outra face: a dos garotos que prometeram demais, mas que não conseguiram se firmar no time principal.

E a recente saída de Ansu Fati por empréstimo ao Monaco é um retrato claro disso. Apesar de não ser uma venda definitiva, a sensação é de despedida. Ansu, que chegou a ser visto como herdeiro natural de Messi, nunca conseguiu recuperar o brilho após uma série de lesões. Sua estreia foi impactante, ele fazia gols, encantava com dribles curtos e velocidade, mas o joelho não colaborou. Quatro cirurgias depois, sua ida ao Brighton e agora ao futebol francês parecem ser tentativas desesperadas de resgatar o talento que o mundo viu surgir em 2019.

Mas Ansu está longe de ser um caso isolado. A história recente do Barcelona está repleta de jovens que passaram por La Masia e que, mesmo com talento evidente, não vingaram no time principal. Abaixo, uma análise dos principais nomes dessa “geração perdida” da base blaugrana.

Riqui Puig

Esse é o típico “DNA Barcelona”: baixinho, habilidoso, cabeça erguida, passes precisos. Era visto como o novo Iniesta, mas a realidade foi bem diferente. Teve chances com Valverde, Setién, Koeman e até Xavi, mas nunca se firmou. Incomodado por não sair do banco, decidiu ir para os EUA, jogando hoje no LA Galaxy. Uma saída precoce do futebol de elite europeu.

Carles Aleñá

Outro que surgiu muito bem, foi promovido por Luis Enrique e teve minutos com Valverde. Mas as atuações inconsistentes e a falta de espaço acabaram fazendo com que ele fosse emprestado e depois vendido ao Getafe. Nunca chegou nem perto de ser o meio-campista que se esperava.

Ez Abde

Habilidoso, ousado e veloz, o marroquino tinha tudo para se encaixar no time de Xavi, mas não queria ser coadjuvante. Acabou optando por sair e hoje joga no Real Betis, onde tem mais protagonismo. Ainda pertence parcialmente ao Barça, mas é difícil imaginar um retorno.

Óscar Mingueza

Zagueiro versátil, chegou ao time principal em um momento complicado e se mostrou útil. Jogava como lateral ou zagueiro, com intensidade e bom passe. Mas sua evolução estagnou e ele acabou sendo negociado com o Celta, onde vem atuando melhor.

Gerard Deulofeu

Esse talvez seja o caso mais emblemático. Brilhou muito nas categorias de base e era tratado como futura estrela mundial. Teve idas e vindas pelo Everton, Watford e Barcelona, mas nunca conseguiu se firmar. As lesões também o atrapalharam, e hoje é um símbolo do “quase” da La Masia.

Munir El Haddadi

Fez um baita começo com Luis Enrique e chegou a ser convocado pela Espanha antes que o Marrocos tentasse puxá-lo. Mas, mesmo com boas atuações iniciais, não se consolidou. Acabou indo para o Sevilla, depois passou por outros clubes e perdeu totalmente o status de joia.

Martín Montoya

Apontado como sucessor de Dani Alves, era frequente nas convocações das seleções de base. Estreou com Guardiola e foi o reserva imediato por um bom tempo. Porém, nunca passou disso. Foi emprestado várias vezes e saiu de graça para o Valencia.

Cristian Tello

Extremamente rápido e eficiente, teve espaço com Guardiola e depois Vilanova. Mas, mesmo com bom número de jogos e participações em gols, nunca conseguiu tomar conta da posição. Acabou sendo emprestado e vendido para o Betis.

Eric García

Retornou ao clube vindo do Manchester City como uma aposta pessoal de Xavi. Mesmo com atuações regulares, não conseguiu convencer e foi emprestado ao Girona, onde tem mais sequência. Mais um nome que parecia promissor, mas perdeu espaço no Barcelona.

Jordi Mboula, Marc Cucurella, Sergi Samper, Carles Pérez, Ilias Akhomach…

Poderíamos ficar horas listando mais casos. A cada temporada, La Masia revela nomes com potencial, mas o salto para o profissional é cruel. Muitos não suportam a pressão, outros não têm paciência, e há ainda os que são engolidos pelas exigências do futebol moderno.

Nem tudo são flores no Barcelona

Enquanto nomes como Lamine Yamal, Gavi, Cubarsí e Fermín López hoje carregam a esperança do Barcelona de Hansi Flick, é importante lembrar que nem todos que brilham na base conseguem repetir esse sucesso no profissional. La Masia é sim uma fábrica de talentos, mas o funil para o topo é estreito.

Por isso, embora a academia continue sendo fundamental para o estilo do clube, é preciso olhar com mais realismo para as expectativas que se criam. Nem toda promessa será um novo Messi, Iniesta ou Xavi. E tudo bem. O importante é continuar formando, dando oportunidade — e aprendendo com os erros do passado.

Afinal, no Barcelona, como em qualquer grande clube, brilhar na base é só o começo de uma longa jornada.