Kylian Mbappé foi mais uma contratação gigante, digna da grandeza do Real Madrid. De olho em sua segunda temporada com a equipe merengue, o atacante francês parece repetir os passos de um certo alguém que fez chover com a camisa branca: Cristiano Ronaldo. Ambos chegaram usando a camisa 9, tiveram estreias marcantes, números exemplares e souberam esperar o momento certo para brilhar ainda mais. Pelo menos, é isso que o “Tartaruga Ninja” promete.
Quando CR7 desembarcou em Madrid, o lendário Raúl ainda era o dono da 7, camisa, crachá e história. Não havia espaço para o português tomar o lugar do capitão do time. E, honestamente, ninguém imaginava o que Cristiano se tornaria. Mas também não dá pra julgar: até então, ele era só uma joia brilhando na Inglaterra.
O curioso é que, assim como Mbappé esperou a saída de Modric e a vaga da 10, Cristiano também teve que aguardar pela saída de Raúl para assumir o número que virou marca registrada. Hoje, os feitos de CR7 estão eternizados: Bolas de Ouro, Champions, gols, títulos… uma era. Então, dá sim pra colocar umas fichas no francês, o caminho é parecido, e o talento é de outro planeta.

Tem uma diferença importante aqui: Mbappé já conquistou a Copa do Mundo, e em 2018, foi decisivo para levar a França ao topo. Só isso já coloca o francês em um patamar absurdo. E por pouco ele não repetiu o feito em 2022, fazendo um hat-trick na final contra a Argentina. Mas aí apareceu Messi, para frustrar os planos do jovem prodígio.
A mística da camisa também tem seu peso. Cristiano comentou sobre isso no início da trajetória em Madrid:
“Eu queria o 7, mas sei que é o número de um jogador mítico do time. Estou preocupado em fazer as coisas certas, não com o número. Quem joga sou eu, não o número que uso nas costas.”
E no fim, a história provou que ele tinha razão.
Mbappé, a 10, e a responsabilidade
Mbappé, assim como CR7, soube chegar num clube gigante com respeito, sem criar ruído por causa de numeração. Aceitou a 9, esperou sua vez. Agora, com a saída de Modric, assume a 10 com naturalidade. E falou disso com classe no seu primeiro dia:
“Já temos um 10, Modric, lenda, vencedor da Bola de Ouro e campeão de tudo. Tenho orgulho de estar perto dele no vestiário… Porque o 9 e o 10 estão perto! Mas não estou muito preocupado com isso. O meu olhar está sempre para a frente, para a meta.”
Frio, direto e ambicioso, como deve ser no Real Madrid.
Mais do que futebol: Mbappé é um furacão de marketing
Não é só em campo que ele faz barulho. A troca de número gerou um verdadeiro caos no marketing do Real Madrid. A Adidas já havia sentido o impacto com sua chegada, e agora, com a camisa 10 nas costas, a situação ficou ainda mais intensa. Em poucas horas, os estoques esgotaram e a distribuição virou um desafio. Não é qualquer número, é a 10, símbolo máximo no futebol.
E Mbappé agora entra para uma lista histórica do clube, ao lado de nomes como: Figo, Robinho, Özil, James Rodríguez, Sneijder, Seedorf, Laudrup, Hagi, Puskas, entre outros monstros sagrados que vestiram esse número.
Mbappé encerrou a temporada com 44 gols, ganhou a Chuteira de Ouro, decidiu jogos na Champions League e mostrou porque é um dos melhores do mundo. Faltaram títulos, é verdade, mas sobrou futebol. Agora, com a camisa 10, ele assume ainda mais protagonismo em campo, no vestiário e fora dele.
Cristiano Ronaldo deixou um legado. Mbappé, com seus próprios passos, parece decidido a construir o seu.
Foto: Franck Fife/AFP via Getty Images