Gabriel Bortoleto F1 Audi
Automobilismo Fórmula 1

O império Audi começa pela Sauber; veja mais sobre a grande revolução recente na categoria

Enquanto a Fórmula 1 se aproxima da metade final da temporada 2025 com o GP da Hungria, um novo protagonista ganha força silenciosamente no grid. A Sauber, tradicional escuderia suíça que por anos amargou o fundo do pelotão, vive uma transformação profunda com a chegada gradual da Audi, que assumirá oficialmente a equipe em 2026. Mais do que uma troca de nome, trata-se de uma das mudanças mais significativas da história recente da categoria.

O desempenho recente da Sauber evidencia esse novo momento: cinco corridas consecutivas marcando pontos, um pódio surpreendente de Nico Hülkenberg em Silverstone, e uma cultura organizacional completamente reformulada. O cenário é promissor, e o que se vê hoje é apenas o primeiro sinal do que a Audi pretende construir.

Audi entra para competir, não para participar

A filosofia é clara. A Audi, conhecida por seu histórico vencedor em Le Mans e no Dakar, não entra em projetos para “fazer número”. Quando a montadora alemã desembarca, o objetivo é um só: vencer. E, segundo Jonathan Wheatley — ex-Red Bull e atual chefe do projeto —, a estrutura está sendo montada para isso desde o primeiro dia.

“É o maior desafio técnico da minha carreira”, declarou Wheatley em entrevista ao jornal Marca. “Estamos encurtando caminhos para sermos competitivos desde o primeiro final de semana.”

A entrada da Audi no cenário da Fórmula 1 vem acompanhada de investimentos robustos, mudanças estruturais profundas e uma visão clara: brigar entre os grandes até o final da década. Um passo essencial foi o anúncio da nova parceria com a fintech Revolut, que não apenas reforça o caixa, mas sinaliza uma estratégia de marketing arrojada e voltada para um público moderno e global.

Jonathan Wheatley e a mudança cultural

Desde que assumiu o comando, Jonathan Wheatley promoveu uma verdadeira revolução interna. Conhecido por sua eficiência nos bastidores da Red Bull, onde foi diretor esportivo por mais de uma década, ele levou para Hinwil (sede da Sauber) uma mentalidade de equipe de ponta.

“A cultura da equipe mudou completamente”, afirmou. “Queremos pessoas que acreditem no projeto, que vivam a transformação e queiram fazer parte dessa jornada.”

Uma das estratégias foi manter parte do desenvolvimento no Reino Unido, em Bicester, no coração do chamado Motorsport Valley. A ideia é atrair engenheiros de alto nível e estabelecer sinergia com polos como Silverstone (Aston Martin), Brackley (Mercedes) e Milton Keynes (Red Bull). A Audi está se posicionando não apenas como montadora, mas como um dos novos polos técnicos e esportivos da Fórmula 1.

Sauber em 2025: já colhendo frutos da transformação

O desempenho da equipe em pista já reflete essa nova mentalidade. Nico Hülkenberg, com vasta experiência na categoria, reencontrou competitividade e confiança. Ao seu lado, o brasileiro Gabriel Bortoleto, ex-campeão da F3 e F2, mostra maturidade precoce e evolução constante. A dupla tem funcionado bem, e o carro — que no início de 2024 era um dos piores do grid — hoje briga com consistência pelo quinto lugar entre as equipes, atrás apenas das intocáveis Red Bull, Ferrari, McLaren e Mercedes.

Essa recuperação não é obra do acaso. A Sauber tem se destacado pela execução estratégica, comunicação interna e desenvolvimento técnico coerente.

“É um momento de crescimento em todos os níveis”, pontua Wheatley. “Falamos muito de desenvolvimento, mas o mais importante é vivê-lo diariamente. É nisso que estamos focados.”

A entrada da Audi em 2026, com motor próprio e estrutura reformulada, marca um ponto de inflexão na Fórmula 1. A categoria caminha para uma nova era técnica com o novo regulamento e, pela primeira vez em anos, uma montadora tradicional entra para competir desde a base.

A Mercedes entrou em 2010 assumindo a Brawn GP e foi campeã mundial quatro anos depois. A Red Bull levou cinco anos desde sua estreia até vencer um título. A Audi, ao que tudo indica, quer acelerar esse cronograma. E tem meios para isso.

No paddock, a movimentação já causa efeito. Equipes médias como Alpine e Aston Martin sentem a pressão de manter posição antes que o projeto alemão decole. Os grandes, por sua vez, observam com atenção. A McLaren, que vive excelente fase, e a Ferrari, ainda tentando regularidade, sabem que a concorrência está prestes a ficar ainda mais acirrada.

Hungria 2025: uma prévia do que está por vir

O GP da Hungria, marcado por seu traçado técnico e revirado, será mais uma prova de fogo para essa nova Sauber. A previsão de chuva aumenta o fator imprevisibilidade — e em meio à tradicional volatilidade do meio do grid, a equipe tem a chance de mostrar novamente sua consistência.

Não se trata mais de um time que torce por acidentes ou que aposta no acaso. A Sauber, impulsionada pela Audi, age como quem quer vencer. Ainda não tem o carro mais rápido, nem o motor mais potente — mas já tem estrutura, direção e uma cultura de alta performance em construção. E na Fórmula 1 moderna, isso costuma ser o primeiro passo rumo ao topo.

(Foto: Getty Images)