O atacante Viktor Gyökeres foi protagonista de uma das várias novelas de contratação dessa temporada. Diante da expectativa criada, somada ao alto valor investido, o sueco já começa a encarar pressão nos próximos jogos pelo Arsenal. Mesmo com a vitória diante do Manchester United no Old Trafford, os holofotes estão voltados para o jogador que brilhou no futebol português e agora tenta repetir a dose na Premier League.
Gyökeres ficou marcado pelo domínio absurdo que teve com a camisa do Sporting. Lá, viveu o maior pico da carreira: foram 97 gols em 102 jogos, além de 27 assistências, um total impressionante de 124 participações diretas em gols. Sua chegada foi um divisor de águas para o clube: o time que antes se contentava em disputar espaço com Benfica e Porto passou a brigar por títulos e frequentar o topo da tabela.
Não à toa, diversos clubes do mundo todo, das principais ligas, queriam contar com Gyökeres. O Manchester United era um deles, e a chance aumentava ainda mais com Rúben Amorim no comando, técnico com quem o sueco viveu uma fase espetacular. Mas aí veio a decisão direta: Gyökeres deixou claro que não queria jogar por um clube fora da Champions League. Amorim ficou irritado com isso? Provavelmente. Mas, por outro lado, o sueco também mostrou que sabe exatamente o que quer.

Só que agora ele vai ter que segurar a bronca
Segundo The Athletic e The Times, em 60 minutos de estreia, Gyökeres teve menos impacto que Benjamin Sesko, atacante do United que entrou só aos 70 minutos. Enquanto o esloveno deu calor na defesa adversária, o sueco passou em branco, literalmente. Nenhum chute ao gol, apenas 4 passes certos em 9 tentados, e desempenho fraco nos duelos: venceu só 3 de 13 disputas.
Para um atacante que chegou com status de solução, esse desempenho acende um sinal de alerta. O Arsenal tem metas altas nesta temporada, e Gyökeres, com a camisa 14, vai precisar mostrar logo a que veio. Porque, se continuar assim, o banco de reservas começa a parecer um destino inevitável, especialmente considerando que outros nomes, como Havertz, já conhecem o esquema de Arteta.
Gyökeres x Havertz
Gyökeres chegou com moral de titular, mas isso precisa ser provado dentro de campo. E a concorrência é pesada. Kai Havertz, apesar das críticas, já tem mais entrosamento e entrega multifuncional ao time. E tem ainda Mikel Merino, que já fez a função de “falso 9” improvisado na temporada passada e foi bem, tanto na técnica quanto na finalização.
Aliás, a contratação de Gyökeres foi um desejo antigo de Mikel Arteta, que nunca teve um centroavante finalizador de ofício desde que assumiu os Gunners. Agora ele tem. Resta saber como vai encaixar essa peça, e se ela realmente vai funcionar. Porque diante do United, o sueco foi engolido por De Ligt, que o neutralizou completamente.
Sem finalizar, mal nos passes, e sem ganhar duelos, o sueco também não conseguiu se conectar com os companheiros. A atuação foi abaixo do esperado em todos os sentidos.
Fantasmas do passado
E essa atuação faz lembrar uma fase não tão distante: seu tempo no Brighton, entre 2018 e 2020. Lá, Gyökeres teve poucas chances, foram apenas oito partidas na Premier League, e nenhuma relevância. Agora, a missão é outra: mostrar que aprendeu, evoluiu e pode ser protagonista. Mas, por enquanto, essa estreia deu mais cara de déjà-vu do que de redenção.
Foto: Getty Images