A Inter segue implacável na UEFA Champions League e confirmou sua força também longe de Milão. Com uma atuação dominante e letal nos momentos decisivos, o time de Cristian Chivu goleou o Union St-Gilloise por 4 a 0, nesta terça-feira, e manteve os 100% de aproveitamento na fase de liga. Os gols foram marcados por Denzel Dumfries, Lautaro Martínez, Hakan Çalhanoglu e Francesco Pio Esposito, em uma exibição de autoridade que reafirma o excelente momento dos nerazzurri.
O resultado levou a Inter aos 9 pontos em três rodadas, mesma pontuação do PSG, que lidera pelo saldo de gols. Já o Union permanece com 3 pontos e ocupa a 23ª colocação na classificação geral.
O jogo
O início foi animador para o time belga, que, empurrado pela torcida, tentou surpreender a Inter com intensidade. Logo aos cinco minutos, Sommer foi exigido em uma defesa espetacular após chute forte de Rasmussen no rebote da entrada da área. A Inter, porém, reagiu rápido e, com sua habitual capacidade de controlar o ritmo, passou a dominar as ações. Dumfries e Dimarco avançavam simultaneamente pelos lados, enquanto Barella e Çalhanoglu ditavam o ritmo no meio, buscando constantemente Lautaro e Esposito entre as linhas.
O primeiro aviso mais claro veio aos 17 minutos, quando Francesco Pio Esposito aproveitou cruzamento da direita e bateu de primeira, tirando tinta da trave. Era o prenúncio de um domínio que se consolidaria até o intervalo. Embora as duas equipes tenham finalizado bastante, a Inter mostrava superioridade tática, controlando os espaços e neutralizando as transições do adversário. Faltava apenas ajustar a pontaria — e o gol saiu no momento exato. Aos 41, após cobrança de escanteio, a bola sobrou na pequena área, e Dumfries apareceu livre para fuzilar, abrindo o placar. O gol desmontou o Union e deu confiança aos italianos.
E ainda antes do intervalo, a Inter transformou o controle em vantagem confortável. Em rápido contra-ataque aos 46 minutos, Dumfries arrancou pela direita, acionou Esposito, e o jovem atacante, com ótima visão, encontrou Lautaro Martínez. O argentino, com a categoria de sempre, bateu de primeira, no ângulo, para fazer 2 a 0 e encaminhar a vitória. O segundo gol escancarou a diferença entre as equipes — enquanto o Union dependia da entrega física, a Inter exibia maturidade, qualidade técnica e frieza cirúrgica nas definições.
Logo na volta do intervalo, a Inter- liquidou o jogo. Após revisão do VAR, o árbitro assinalou toque de mão de Van De Perre na área, e Çalhanoglu converteu com segurança, deslocando o goleiro Scherpen. O 3 a 0 logo aos oito minutos praticamente encerrou o confronto e permitiu a Inzaghi administrar o elenco. Com o resultado bem encaminhado, o treinador poupou peças importantes, promovendo entradas de Dimarco, Bonny e Sucic, sem que o padrão tático fosse comprometido.
Mesmo reduzindo o ritmo, a Inter continuou controlando todas as ações da partida. O Union ainda tentou reagir, especialmente com cruzamentos laterais e chutes de média distância, mas faltava precisão. Sommer, quando exigido, respondeu com segurança. O domínio nerazzurro era evidente: posse de bola superior, linhas compactas, e uma transição defensiva que funcionava de maneira impecável. O Union, sem alternativas criativas, esbarrava no sistema sólido de Bastoni, Bisseck e De Vrij, trio que anulou completamente qualquer tentativa de infiltração.
A goleada só não foi ainda maior porque a Inter desperdiçou chances claras. Aos 23 minutos, Francesco Pio Esposito perdeu gol inacreditável na pequena área, após grande jogada de Dumfries. O atacante, de frente para o gol vazio, acabou acertando de canela e mandando para fora. Pouco depois, Frattesi teve boa chance em finalização forte, mas Scherpen fez grande defesa.
Contudo, a superioridade dos visitantes se confirmou definitivamente aos 31 minutos, quando Bonny fez bela jogada pela esquerda e rolou para trás — desta vez, Esposito se redimiu e completou para o fundo das redes, fechando o placar em 4 a 0.
Inter mostra controle absoluto
A vitória foi mais um exemplo do modelo de jogo consolidado de Chivu. A Inter mostrou todas as características que a transformaram em uma das equipes mais consistentes da Europa: pressão coordenada, posse de bola com propósito e uso eficiente dos alas. Dumfries, em especial, foi decisivo. Além do gol e da assistência, o lateral holandês foi uma arma constante em profundidade, atacando o espaço entre lateral e zagueiro adversário. Do outro lado, Dimarco ofereceu amplitude e qualidade no passe, equilibrando o setor.
No meio, Çalhanoglu foi novamente o cérebro da equipe. O turco alternou construções curtas e lançamentos longos com precisão, controlando o ritmo da partida e dando sustentação à linha defensiva. Barella, como sempre, foi o motor, aparecendo tanto para pressionar alto quanto para articular jogadas. À frente, Lautaro Martínez vive fase esplêndida: além do gol, participou de forma inteligente das transições, atraindo marcações e abrindo espaço para os companheiros. A presença de Francesco Pio Esposito, jovem ainda em amadurecimento, complementou o ataque com movimentação e entrega.
O Union St-Gilloise, por outro lado, mostrou-se competitivo apenas nos primeiros minutos. Tentou pressionar alto, mas sucumbiu à capacidade da Inter de sair jogando com passes curtos e movimentações coordenadas. A equipe belga sentiu a diferença técnica e tática, e sua estratégia de blocos médios rapidamente se desfez diante da troca de passes precisa dos italianos. Mesmo em casa, o Union foi engolido pelo volume coletivo da Inter, que mostrou maturidade para transformar controle em gols — algo que grandes times fazem com naturalidade.
Com três vitórias em três jogos, 9 pontos e 10 gols marcados, a Inter reafirma sua candidatura séria ao título continental. A equipe de Inzaghi não apenas vence — convence. Há equilíbrio entre solidez defensiva e contundência ofensiva, há profundidade no elenco e, sobretudo, há um modelo de jogo claro e funcional. A Inter de hoje é uma equipe completa, que sabe sofrer quando necessário, mas que impõe respeito pela qualidade e consistência.
(Foto: Getty Images)