O Inter tentou mais uma vez encontrar uma saída para a crise. Mudou peças, apostou em alternativas e começou contra o Bahia dando sinais de que poderia finalmente interromper a sequência negativa. Terminou derrotado por 3 a 2.
O resultado levou o Colorado a nove jogos sem vencer no Brasileirão e deixou a equipe na zona de rebaixamento, atualmente no 18º lugar com 25 pontos, mesma pontuação do Mirassol, primeiro time fora do Z-4. Mais preocupante, porém, é a sensação de que Paulo Pezzolano ainda não encontrou uma maneira de fazer as mudanças produzirem uma evolução consistente.
O Inter muda. Os problemas permanecem.
A vantagem durou pouco
Em Salvador, Thiago Maia recebeu uma oportunidade entre os titulares e participou da jogada que terminou no gol de Alan Patrick, aos 15 minutos. Era o começo que o Inter precisava.
A vantagem, entretanto, desapareceu na primeira chegada mais efetiva do Bahia. Erick Pulga encontrou espaço pelo lado esquerdo e empatou. Depois, a defesa colorada voltou a oferecer espaços e viu o adversário virar e ampliar ainda no primeiro tempo.
Não foi apenas uma questão de sofrer três gols. O Bahia encontrou caminhos com facilidade demais.
O Inter mostrou novamente dificuldade para proteger os espaços e controlar o adversário depois de perder o domínio da partida. A equipe ainda voltou para o segundo tempo com tempo suficiente para reagir, mas não conseguiu sustentar a pressão.
O gol de Vitinho não virou reação
Vitinho diminuiu aos seis minutos da etapa final e recolocou o Inter no jogo. Naquele momento, havia mais de 40 minutos pela frente para buscar o empate. O problema foi transformar o gol em pressão real. O Colorado teve uma oportunidade clara, mas desperdiçou, e pouco depois voltou a perder força.
Esse tem sido um padrão incômodo.
O Inter consegue produzir lampejos, mas não sustenta o momento. Quando precisa mudar uma partida, acaba dependendo de uma jogada individual ou de uma sequência curta de pressão, em vez de encontrar soluções coletivas. Contra o Bahia, novamente não foi suficiente.
O problema está na repetição
Talvez seja esse o maior desafio de Pezzolano. O treinador tenta encontrar respostas. Troca jogadores, modifica a formação e procura alternativas. Só que as mudanças ainda não alteraram o comportamento da equipe de maneira significativa.
Quando os mesmos erros aparecem independentemente das peças utilizadas, a discussão deixa de ser apenas sobre escalação.
O Inter precisa defender melhor os espaços, principalmente após perder a bola, e ter mais controle sobre os momentos das partidas. Também precisa transformar vantagem territorial em chances claras e, principalmente, sustentar as reações quando está atrás.
Sem isso, cada nova tentativa vira apenas mais um teste.
E agora vem o Gre-Nal
O cenário fica ainda mais delicado porque o próximo compromisso é justamente contra o maior rival. Na quinta-feira, o Inter visita o Grêmio pela volta das quartas de final da Copa do Brasil. Depois do 0 a 0 no Beira-Rio, uma vitória coloca o Colorado na semifinal.
Uma classificação teria um efeito enorme.
Além de manter o clube vivo em uma competição importante, poderia devolver confiança a um elenco que praticamente não teve motivos para comemorar no Brasileirão nas últimas semanas.
Mas o contrário também é possível. Uma eliminação para o Grêmio deixaria ainda mais pesada a sequência de nove partidas sem vitória no campeonato e aumentaria a pressão sobre Pezzolano, elenco e direção.
O clássico, portanto, ganhou um peso que vai muito além da vaga na semifinal.
A crise também ultrapassou o campo
Os problemas esportivos ainda convivem com um cenário turbulento fora dele.
O clube enfrenta dificuldades financeiras, atrasos no pagamento de direitos de imagem e um transferban. Jogadores chegaram a decidir não concentrar antes do Gre-Nal justamente por causa dos valores pendentes.
É impossível determinar quanto cada situação interfere diretamente no desempenho. Mas é difícil imaginar que um ambiente assim ajude uma equipe que já atravessa uma crise de confiança.
O Inter precisa encontrar respostas no campo enquanto lida com problemas que chegam de diferentes lados.
O Gre-Nal pode mudar a temporada
É justamente isso que torna o clássico tão imprevisível.
O Inter pode transformar uma classificação em um ponto de virada. Uma vitória sobre o Grêmio, dentro da Arena, seria capaz de mudar o ambiente e oferecer ao elenco algo que os últimos resultados não entregaram: confiança.
Mas também pode acontecer o oposto. Se repetir diante do rival os espaços concedidos ao Bahia, a dificuldade para sustentar uma reação e a dependência de lampejos individuais, a situação ficará ainda mais complicada.
O Inter chegou ao Gre-Nal precisando de uma resposta. Não necessariamente de uma grande atuação, mas de algum sinal de que tantas mudanças finalmente começaram a produzir efeito. Porque, até aqui, o problema não é a falta de tentativa. É tentar de novo, mudar de novo e continuar vendo a mesma história e, contra o Grêmio, repetir essa história pode custar muito mais caro.
Foto: Divulgação/Flickr do Internacional



