Lutas Boxe

“Mayweather x Pacquiao 2” não faz sentido

Depois de anos de fãs de boxe clamando para que os promotores fizessem isso acontecer, Floyd Mayweather Jr. e Manny Pacquiao finalmente se enfrentaram na “Luta do Século” em 2015. O combate foi considerado uma das maiores lutas da história do esporte, entre dois rivais de longa data.

Embora a luta tenha ocorrido com ambos os lutadores possivelmente já fora de seu auge físico, o combate não decepcionou. Após 12 rounds de idas e vindas, Mayweather escapou com uma vitória por decisão unânime, silenciando seus críticos.

Dez anos depois, Mayweather e Pacquiao ainda estão ativos no ringue, embora em diferentes facetas. Mayweather permaneceu ativo em lutas de exibição nos últimos anos, enquanto Pacquiao teve um desempenho impressionante em seu retorno profissional no início deste ano contra Mario Barrios.

E, de acordo com Mike Coppinger, do The Ring, Mayweather, Pacquiao e suas respectivas equipes estão em negociações ativas para agendar uma revanche em 2026. Segundo Coppinger, o evento está sendo explorado como um evento de boxe da Netflix.

A Netflix transmitiu diversas lutas de boxe de alto nível nos últimos meses, incluindo o combate entre Canelo Alvarez e Terence Crawford, um grande sucesso na plataforma.

Mayweather x Pacquiao: Muito dinheiro e pouco sentido esportivo

A possível revanche entre Floyd Mayweather Jr. e Manny Pacquiao, representa mais um espetáculo de marketing do que um evento esportivo de real relevância. Ainda que a luta deva movimentar cifras astronômicas e despertar a nostalgia de milhões de fãs, ela pouco acrescenta ao boxe como esporte competitivo.

Trata-se, antes de tudo, de um produto embalado pela memória de dois gigantes que já viveram seus melhores dias, mas hoje estão distantes dos auges físicos e técnicos que os transformaram em lendas.

Mayweather, invicto com um cartel de 50 vitórias e nenhuma derrota, aposentou-se oficialmente em 2017 e desde então dedica-se apenas a exibições de caráter festivo, duelos sem valor esportivo real, voltados para o entretenimento e a rentabilidade.

Pacquiao, por sua vez, fez até um bom retorno recente, mas é ilusório esperar que dois atletas que já ultrapassaram o auge de suas carreiras consigam oferecer uma luta comparável àquela que o mundo esperou durante anos e que finalmente aconteceu em 2015, quando Mayweather venceu por decisão unânime.

Mesmo naquela ocasião, o confronto já havia sido considerado tardio; imaginá-lo novamente mais de uma década depois é forçar os limites da nostalgia. Portanto, não existe sentido para isso.

Floyd Mayweather e Manny Pacquiao já dividiram um ringue uma vez e uma luta em 2026 não acrescentaria nada para seus legados
Floyd Mayweather e Manny Pacquiao já dividiram um ringue uma vez e uma luta em 2026 não acrescentaria nada para seus legados (Imagem: Montagem Mayweather/Pacquiao)

A verdade é que uma revanche em 2026 não representaria o boxe em seu estado mais vibrante, mas sim a tentativa de reviver uma era que já passou. O combate não tem relevância esportiva, não há título em jogo, ranking a defender ou legado a construir.

O que existe é o apelo financeiro e midiático de dois nomes lendários. O boxe, nesse contexto, vira coadjuvante de um espetáculo que existe apenas para gerar audiência e lucro.

O problema é que esse tipo de evento, embora rentável, empobrece o próprio esporte. Ao ocupar espaço na mídia e nos calendários com lutas de exibição entre veteranos, o boxe deixa de valorizar as novas gerações que realmente poderiam elevar o nível técnico e competitivo da modalidade.

Jovens campeões, talentos emergentes e confrontos entre atletas no auge acabam ofuscados pela nostalgia e pelo sensacionalismo de velhas rivalidades reencenadas. Em vez de celebrar o futuro, o boxe fica preso ao passado, embalando o público com lembranças de tempos gloriosos, mas sem oferecer evolução.

Assim, a possível revanche entre Mayweather e Pacquiao é o retrato de um boxe que se rende ao espetáculo e ao dinheiro fácil, sacrificando o sentido esportivo em nome do entretenimento.

É, sem dúvida, um evento que despertará curiosidade, trará manchetes e encherá arenas, mas dificilmente trará algo de novo para o esporte. Dois ícones lendários, longe de seus melhores dias, repetindo um duelo que já teve seu capítulo definitivo, não acrescentam nada ao boxe, apenas reforçam a sensação de que, em certos casos, a glória do passado deve ser lembrada, não revivida.

(Imagem de capa: Mark J. Rebilas-USA TODAY Sports)