Automobilismo Fórmula 1

Norris aproveita erro de Piastri, vence Sprint em São Paulo e amplia liderança no campeonato de pilotos

Lando Norris vive um momento bom na Fórmula 1. O piloto britânico da McLaren venceu o sprint de São Paulo neste sábado e abriu uma vantagem de nove pontos sobre o companheiro de equipe Oscar Piastri na luta pelo título mundial. O triunfo veio em meio ao caos, após mais um erro do australiano, que sofreu seu quarto acidente nas últimas corridas e viu suas chances de recuperação se complicarem.

O circuito de Interlagos amanheceu molhado após uma madrugada de chuva, e o clima incerto embaralhou as estratégias das equipes. A grande dúvida no grid era se o asfalto secaria o suficiente para o uso dos pneus slicks ou se seria mais seguro largar com intermediários. Quando as luzes se apagaram, a maioria optou por slicks, mas havia uma divisão significativa entre compostos médios e macios.

Norris, Piastri, Fernando Alonso e Lance Stroll apostaram nos pneus médios, mais duráveis. Kimi Antonelli, George Russell, Max Verstappen e Charles Leclerc preferiram os macios, buscando tração imediata nas primeiras curvas. Essa diferença criou um cenário tático interessante, onde o desempenho variava não apenas pelo carro, mas também pela faixa de asfalto em que cada piloto partia.

O erro de Piastri e o caos na sexta volta

Logo nas primeiras voltas, a corrida parecia seguir um ritmo normal. Norris manteve a liderança, seguido de perto por Antonelli e Russell, enquanto Verstappen ultrapassava Alonso para assumir a quarta posição. Mais atrás, Lewis Hamilton, largando em 11º, fez uma excelente largada e rapidamente entrou na zona de pontos.

Mas a calmaria durou pouco. Na sexta volta, ao sair do “S do Senna”, Piastri tocou a zebra molhada com o pneu dianteiro esquerdo e perdeu completamente o controle da McLaren. O carro rodou, cruzou a pista e parou no muro. O incidente gerou confusão no pelotão e obrigou a direção de prova a acionar a bandeira vermelha após uma sequência de outros incidentes.

Para Piastri, o acidente representou mais do que uma simples saída de pista: foi o quarto em pouco tempo. O australiano já havia batido duas vezes no Azerbaijão, em Baku, e mais uma no sprint de Austin, nos Estados Unidos. A sequência preocupa a McLaren, que vê o jovem talento acumular erros justamente quando o time disputa ponto a ponto o campeonato de pilotos e construtores.

Relargada e domínio de Norris

Com a corrida interrompida, as equipes aproveitaram a bandeira vermelha para trocar pneus e ajustar estratégias. Na relargada em modo “rolling start”, Norris manteve os compostos macios, enquanto Antonelli e Russell optaram pelos médios. Verstappen também fez a troca para pneus médios, buscando um melhor equilíbrio no ritmo, mas acabou ficando vulnerável.

O neerlandês, tricampeão mundial, chegou a ser pressionado por Alonso logo após a relargada e teve de se defender com firmeza para não perder posições. A partir daí, o piloto da Red Bull não conseguiu mais se aproximar dos líderes, mostrando um desempenho abaixo do esperado.

Na frente, Norris seguiu controlando a prova com autoridade. Mesmo relatando desgaste excessivo nos pneus traseiros a partir da volta 19, o britânico conseguiu administrar a vantagem sobre Antonelli, que tentava se aproximar, mas nunca teve espaço suficiente para arriscar uma ultrapassagem.

A corrida se encerrou em bandeira amarela após um problema no carro de Gabriel Bortoleto fazer o brasileiro bater em sua primeira apresentação no Brasil como piloto de Fórmula 1.

Ao cruzar a linha de chegada, Norris se tornou o primeiro piloto da história a vencer o sprint de São Paulo largando da pole position. Antonelli terminou em segundo, confirmando mais uma atuação sólida, enquanto Russell completou o pódio. Verstappen ficou em quarto, seguido por Leclerc e Alonso, que travaram uma boa disputa até o fim. Hamilton garantiu o sétimo lugar, e Pierre Gasly, com um bom desempenho pela Alpine, levou o último ponto disponível.

Enquanto Norris celebrava a vitória, a Red Bull trabalhava nos bastidores para entender seus problemas de equilíbrio aerodinâmico. O time usou Yuki Tsunoda como “cobaia técnica” no sprint. O japonês, que largou apenas em 18º após um treino ruim, recebeu uma nova asa traseira e um acerto de suspensão experimental no RB21. A ideia era coletar dados que ajudem a melhorar o desempenho de Verstappen no restante do fim de semana.

O teste custou caro para Tsunoda, que terminou apenas em 14º, mas pode render ganhos para a equipe no treino classificatório para o Grande Prêmio principal, que ainda acontece neste sábado.

Confira os dez primeiros da Sprint em São Paulo: 

  1. Lando Norris (McLaren)
  2. Andrea Kimi Antonelli (Mercedes)
  3. George Russell (Mercedes)
  4. Max Verstappen (Red Bull)
  5. Charles Leclerc (Ferrari)
  6. Fernando Alonso {Aston Martin)
  7. Lewis Hamilton (Ferrari)
  8. Pierre Gasly (Alpine)
  9. Lance Stroll (Aston Martin)
  10. Isack Hadjar (Racing Bulls)

(Foto: Motorsport Images)