Automobilismo Fórmula 1

Sergio Perez se mostra revigorado, mas o que esperar dele para 2026?

Sergio Perez classificou a oportunidade de tirar um ano de folga da Fórmula 1 como um “cenário dos sonhos”, após ter sido dispensado da Red Bull no ano passado.

Apesar de ter contrato para a temporada de 2025, o piloto mexicano foi dispensado pela equipe de Milton Keynes, que inicialmente preferiu Liam Lawson para ocupar o lugar ao lado de Max Verstappen.

Após a temporada afastado das pistas, Perez retornará para pilotar em tempo integral na próxima temporada, fazendo dupla com Valtteri Bottas na Cadillac.

A jovem equipe americana está dando seus primeiros passos na Fórmula 1, e o seis vezes vencedor de Grandes Prêmios esteve ao volante da Ferrari SF-23 em Ímola na semana passada, enquanto a equipe, apoiada pela General Motors, se prepara para sua estreia em 2026, quando se tornará a 11ª equipe no grid.

Ao relembrar o período após ser demitido da Red Bull, o piloto de 35 anos revelou que rapidamente percebeu que sentia falta da F1 e que ainda tinha fôlego para brilhar.

“No começo, os primeiros meses foram ótimos”, explicou ele em entrevista ao site oficial da Fórmula 1. “Percebi que sentia falta da [F1] porque continuei acompanhando. Eu acordava cedo para as corridas.”, seguiu.

“Eu via o que estava acontecendo, conversava com amigos que estavam no paddock e percebi que provavelmente sentia mais falta do que imaginava.”, continuou contado o mexicano.

“E então, quando as conversas com a Cadillac começaram e pudemos ver aquela paixão pelas corridas, aí sim, senti que ainda tinha algo a mais em mim.”, explicou.

Com a perspectiva do tempo, Pérez se mostra grato pelo período longe da F1, afirmando estar revigorado e pronto para seu próximo desafio.“É uma sensação ótima”, disse o ex-piloto da Sauber, McLaren, Force India/Racing Point e Red Bull. “Agora que olho para trás, foi como um sonho poder tirar um ano de folga e me revigorar.”, prosseguiu.

“Depois de uns 15 anos na Fórmula 1, conseguir esse descanso e ter toda a energia de volta para o que considero minha última temporada no esporte…”, contou.

“Agora tenho toda a energia para voltar ao trabalho, para colaborar com a equipe, para impulsioná-la em todas as áreas, inclusive no simulador. É uma equipe nova, então estamos começando basicamente do zero.”, finalizou.

Ao lado de Valteri Bottas, Sergio Perez tem chance de ouro na F1 em 2026
Ao lado de Valteri Bottas, Sergio Perez tem chance de ouro na F1 em 2026 (Imagem: Divulgação Cadillac)

Dá para esperar algo importante de Sergio Perez na temporada 2026?

É improvável que a Cadillac entre brigando por pódios na Fórmula 1 e Sergio Perez sabe disso. O ponto central será liderar o desenvolvimento, identificar limitações do carro e ajudar na construção de um projeto a longo prazo.

Se a organização conseguir entregar confiabilidade, Checo poderá maximizar cada oportunidade, especialmente em corridas caóticas ou pistas onde o motor e o conjunto aerodinâmico favoreçam surpresas. Sua habilidade de lidar bem com pneus, administrar ritmos longos e evitar erros em condições adversas pode render resultados acima da média inicial da equipe.

Outro aspecto relevante é o perfil de adaptação. O carro de 2026 terá características bem diferentes dos modelos atuais: menor arrasto, dependência maior do sistema elétrico e mudanças significativas na forma como a energia é recuperada.

Perez tem histórico de melhor desempenho em carros estáveis de traseira sólida, algo que nem sempre se encaixa perfeitamente em projetos novos. O desafio será ajustar seu estilo de pilotagem ao mesmo tempo em que ajuda a equipe a construir um carro que lhe dê confiança, algo que ele nunca encontrou plenamente na Red Bull ao lado de Verstappen.

A pressão externa também será um fator. Como figura extremamente popular no México e no mercado norte-americano, Perez carregará boa parte da responsabilidade midiática e comercial da Cadillac.

Ao mesmo tempo em que isso amplia seu impacto na equipe, também aumenta a cobrança por resultados. O lado positivo? A presença de um piloto experiente e carismático pode acelerar o crescimento estrutural e financeiro da nova escuderia, algo vital para uma operação estreante.

Em termos competitivos, o primeiro ano tende a ser mais de construção do que de ambição. Esperar pontos regulares pode ser otimista demais; projetar evolução progressiva, consistência em finais de semana limpos e algum brilho em corridas imprevisíveis parece muito mais realista. A partir de metade da temporada, já será possível medir melhor se a Cadillac nasceu com base técnica sólida ou se precisará de anos para se estabelecer.

No quadro geral, Sergio Perez teria em 2026 uma oportunidade rara: Se tornar a pedra fundamental de um projeto novo, com enorme potencial de impacto cultural e esportivo. Isso pode não render vitórias imediatas, mas tem condições de marcar o legado de Perez de forma profunda, numa espécie de renascimento esportivo em sua última dança.

(Imagem de capa: Mariana Flores)