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Automobilismo Fórmula 1

Mercedes chega a Las Vegas sem otimismo: por que Toto Wolff prevê dificuldades para a equipe?

A Mercedes retorna ao GP de Las Vegas com um clima muito diferente daquele que envolveu a equipe em 2024. Há um ano, George Russell venceu com autoridade, Lewis Hamilton garantiu a dobradinha e o time de Brackley saiu do deserto com a sensação de ter reencontrado um terreno favorável. Mas, em 2025, o discurso é outro, e Toto Wolff faz questão de deixar isso claro.

O chefe da equipe afirmou abertamente que duvida da capacidade da Mercedes de repetir o desempenho dominante da temporada passada. Em vez de projetar um fim de semana optimista, Wolff adota um tom de cautela, quase de resignação. E esse novo cenário diz muito não apenas sobre o estado atual da Mercedes, mas também sobre a transformação do grid e das próprias características da W16 ao longo do ano.

Por que a Mercedes dominou Las Vegas em 2024, e por que isso não deve ocorrer este ano

O triunfo da Mercedes no ano passado não foi um acidente isolado: foi uma consequência de um padrão que se repetiu nas últimas temporadas. A equipe consistentemente se mostrou mais competitiva em condições de pista mais frias. Russell em Las Vegas, Hamilton no fim de tarde de Interlagos em 2023, e bons desempenhos em sessões noturnas são prova disso.

No entanto, em 2025, mesmo que a corrida mantenha temperaturas reduzidas, um detalhe muda significativamente: o horário. Em vez de largar às 22h, como em 2023 e 2024, o GP será disputado às 20h. Essa variação aparentemente pequena pode deslocar a janela operacional da Mercedes para fora do ideal — temperatura de asfalto, nível de aderência e impacto no comportamento do carro podem sofrer alterações consideráveis. E é justamente isso que preocupa Wolff.

Ao longo de 2025, uma das fragilidades mais evidentes do carro da Mercedes tem sido a rigidez da suspensão traseira. Isso limita a capacidade de gerar aderência nas condições certas, prejudica a tração em saídas de curva e compromete a estabilidade em curvas rápidas com asfalto irregular, algo particularmente relevante em Las Vegas, que combina trechos extremamente rápidos com superfícies nem sempre homogêneas.

Temperaturas um pouco mais elevadas podem acentuar esse problema, reduzindo a vantagem que o time sempre teve em fins de semana gelados.

O próprio Wolff reconheceu que gostaria de simplesmente “levar o carro de 2024” para a corrida, tamanha a confiança que tinha no comportamento do modelo anterior. Mas a realidade é outra: o desenvolvimento seguiu seu curso, e a Mercedes agora precisa lidar com os efeitos colaterais das escolhas de projeto de 2025.

Um time mais cauteloso, e mais analítico

Se a fala de Wolff foi pessimista, a de Simone Resta, vice-diretor técnico, foi pragmática. Ele ressaltou que o comportamento da equipe mudou completamente entre as duas últimas temporadas. Em 2024, a Mercedes venceu circuitos específicos, Las Vegas, Barcelona e Hungaroring, por exemplo, enquanto em 2025 as vitórias vieram em pistas completamente diferentes.

Essa inversão mostra que o time ainda não domina plenamente o pacote aerodinâmico e mecânico atual. Há progresso, mas não consistência. Em resumo, a Mercedes melhorou em algumas áreas, mas perdeu armas em outras.

O cenário leva a equipe a evitar previsões. Não há garantias de que o carro se comportará da mesma forma que em 2024. As variáveis, como temperatura, superfície, pressões de pneus, evento noturno, janelas de aquecimento, podem trabalhar a favor ou contra.

E, neste momento, a Mercedes parece assumir que o mais provável é que elas trabalhem contra.

Mercedes ainda é força, mas não é favorita

A narrativa atual da Mercedes em Las Vegas resume bem o momento da equipe em 2025. O time evoluiu de maneira consistente, conquistou vitórias, mas ainda não encontrou um conceito que se adapte a todas as pistas. Red Bull, McLaren e até Ferrari têm janelas de desempenho mais estáveis.

Um ano atrás, a Mercedes chegava ao deserto dos EUA embalada e confiante. Hoje, chega com dados, receios e uma boa dose de humildade técnica.

Isso não significa que a equipe está descartada da disputa. Mas, se vencer no Las Vegas Strip Circuit, será pela capacidade de extração e adaptação, não pela expectativa natural de superioridade.

No fim das contas, a cautela é justificada

Toto Wolff não está jogando conversa fora: sua avaliação é baseada no comportamento real da W16, nas dificuldades enfrentadas durante o ano e na leitura das condições específicas do GP de Las Vegas.

A Mercedes pode surpreender? Pode. Mas, ao contrário de 2024, não chega como candidata óbvia à vitória. E talvez essa postura mais cautelosa seja justamente o que o time precisa para transformar um fim de semana potencialmente difícil em mais um capítulo de reconstrução sólida.

O que fica claro é que, para 2025, o cenário virou, e a Mercedes sabe disso melhor do que ninguém.

(Foto: Getty Images)