Eddie howe e guardiola
Futebol Premier League

Howe finalmente supera Guardiola em triunfo do Newcastle sobre o Manchester City; Saiba como

Eddie Howe já tinha tentado de tudo, parecia até brincadeira. Em alguns jogos, o Newcastle subia a marcação pra tentar sufocar o Manchester City. Em outros, o time recuava e esperava mais atrás. Ele trocou formatos, mexeu em peças, mudou ideias… e nada funcionava. Chegou ao ponto de Howe dizer, meio no tom de “não tenho mais o que inventar”, que não havia nada novo para tentar antes dessa partida.

Mas havia, sim.

E foi justamente agora, no momento em que o Newcastle mais precisava de uma resposta — depois do baque contra o Brentford antes da Data Fifa — que Howe e sua comissão técnica encontraram o plano ideal. O resultado veio num St. James’ Park pulsando, com o time vencendo o City por 2 a 1. Depois de 17 tentativas no inglês, Howe finalmente venceu Pep Guardiola.

Ele mesmo brincou depois do jogo: “Eu tenho listas e listas de coisas que não funcionaram contra eles. O que funciona cabe num pedaço minúsculo de papel”. E dessa vez o pedaço serviu.

Ajustes de Eddie Howe que mudaram a partida

Tudo começou a ser plantado logo após a derrota para o Brentford por 3 a 1. Howe ficou horas mergulhado em vídeos, revendo treinos, tentando entender onde esse Newcastle estava derrapando. A ideia era recuperar a energia e o ritmo que o time perdeu ao longo da temporada.

A semana de Data Fifa ajudou, mesmo com um grupo menor. Newcastle buscou justamente resgatar intensidade — algo que sempre marcou a equipe desde que Howe chegou.

E aí surgiram alguns ajustes importantes. O primeiro foi devolver Bruno Guimarães a um papel bem central no meio, algo que desde a chegada de Tonali tinha se tornado menos comum. Além disso, Howe recuperou dois laterais que fizeram muita falta: Lewis Hall e Tino Livramento voltaram a atuar juntos pela primeira vez desde setembro. A diferença na recomposição e na chegada ofensiva foi enorme.

Fabian Schär, que ficou um bom tempo fora do time por lesão, voltou a ser titular na Premier League após dois meses e deu mais segurança ali atrás.

Ainda assim, nada de mudança drástica. Howe manteve o tradicional 4-3-3, e duas das trocas acabaram sendo obrigatórias por causa das lesões de Kieran Trippier e Anthony Gordon.
A base que tinha tropeçado contra Brentford e West Ham ganhou a chance de se reerguer.

Howe foi direto:
“Eu não concordo em rasgar tudo e fazer do zero. Só se você estiver em modo pânico — e nós não estamos. Eu sei quem são nossos jogadores mais fortes e quero dar a eles todas as condições de mostrar isso.”

Mais movimento, mais alternativas e menos dependência

Mas algo precisava mudar — e rápido. Antes dessa rodada, só Wolves e Leeds tinham marcado menos gols que o Newcastle no campeonato. Nick Woltemade, contratação mais cara da história do clube, vivia isolado lá na frente. Em alguns jogos, chegava a tocar pouco na bola.

Durante a pausa, mesmo com o atacante na seleção alemã, Howe focou nas movimentações de quem joga ao redor dele. A ideia era fazer Barnes e Jacob Murphy atacarem mais os espaços, dando mais opções de passe e diminuindo a dependência do camisa 9.

Funcionou.
Woltemade teve três boas chances contra o City, todas paradas em Donnarumma. Mas a diferença é que o Newcastle criou mais para ele — e criou para outros também.

Um deles foi Harvey Barnes.

O atacante perdeu chances incríveis no primeiro tempo, incluindo uma que nem ele entendeu como errou. No intervalo, admitiu que não era exatamente “o cara mais popular” do vestiário naquele momento.

Só que no segundo tempo ele mudou tudo. Abriu o placar com um chute muito bem colocado e, após o City empatar com Ruben Dias, apareceu de novo para fazer o gol da vitória poucos minutos depois.

O Newcastle já tinha deixado escapar vantagens contra Arsenal, Brentford e West Ham. Mas desta vez o time não afundou mentalmente nem quando o City empatou, nem quando foram anunciados oito minutos de acréscimo.

O time se impôs fisicamente. Venceu mais duelos, ganhou mais bolas pelo alto, bloqueou mais finalizações e fez quase o dobro de cortes defensivos.
Mesmo com o City controlando a posse — o que já é o normal — eles só finalizaram quatro vezes no gol.

Jonathan Woodgate, ex-zagueiro do Newcastle, resumiu bem no rádio:
“Sem a bola, eles foram impecáveis. Fecharam todos os espaços entre as linhas, e no segundo tempo foram melhores, pegando o City várias vezes no contra-ataque.”

A força de St James’ Park

E aí vem a pergunta: dá pra dizer que essa vitória foi realmente uma surpresa?

Talvez não tanto.

Só o Manchester City venceu mais jogos em casa na Premier League em 2025. O Newcastle, por sua vez, já havia batido City, Arsenal, Liverpool, Chelsea, United e Tottenham em casa nas últimas duas temporadas. St James’ Park virou, de fato, um caldeirão.

O problema é longe dali.

O Newcastle não vencia um jogo fora pela liga desde abril. Foi por isso que, antes dessa vitória gigante sobre o City, o time estava apenas um ponto acima da zona de rebaixamento.

Howe sabe bem disso:
“Eu adoraria dizer que a torcida não influencia o time em campo, mas influencia sim — muda tudo. Precisamos encontrar uma forma de levar essa energia positiva para os jogos fora de casa.”

E esse é o próximo desafio.

Sistema? Posições? Rotação?
Ele mesmo diz que tudo está sendo avaliado.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, o Newcastle tem um norte para seguir.

E Howe, enfim, descobriu como vencer Guardiola.