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Futebol Ligue 1

Entenda a transformação do PSG no mercado que explica seus milhões em vendas

Durante anos, o Paris Saint-Germain ficou conhecido no mercado da bola pelo poder financeiro e pelos grandes investimentos em contratações. O clube francês foi protagonista de algumas das negociações mais caras da história do futebol, mas essa imagem vem mudando nos últimos anos. Agora, o PSG começa a se destacar justamente pelo caminho contrário: a venda de jogadores.

A transformação pode ser simbolizada pelo desempenho do clube na atual janela de transferências. Com a saída de Mbaye para o Aston Villa, que deve ser oficializada nesta terça-feira, o PSG chegará a 374,1 milhões de euros em receitas com vendas, podendo alcançar a marca de 400 milhões de euros com o pagamento de bônus.

O número coloca o clube parisiense no topo da lista de equipes que mais arrecadaram com transferências de jogadores neste verão. Aston Villa, com 360 milhões de euros, e Manchester City, com 336 milhões, aparecem logo atrás. O mais curioso é que os jogadores negociados pelo PSG não eram peças consideradas indispensáveis no time de Luis Enrique.

PSG começa a lucrar com jogadores que eram reservas

A atual política de transferências do clube francês fica ainda mais evidente quando se observa o perfil dos jogadores vendidos. Bradley Barcola, por exemplo, foi negociado por 145 milhões de euros, depois de ter sido contratado por 45 milhões. Mbaye, formado nas categorias de base do PSG, renderá 60 milhões de euros aos cofres do clube.

Kamara, também revelado pelo clube, foi vendido por 4,1 milhões de euros. Já Kang-in Lee deixou Paris por 40 milhões, depois de ter sido contratado por 22 milhões. Kolo Muani, por sua vez, gerou 50 milhões de euros na transferência, além de 8 milhões referentes a uma cessão anterior ao Tottenham e outros 6 milhões pagos pela Juventus.

Gonçalo Ramos completa a lista. O atacante foi negociado por 75 milhões de euros, além de 15 milhões em bônus. O PSG havia desembolsado 65 milhões de euros pela contratação, com outros 10 milhões previstos em bonificações que não foram alcançadas.

PSG já acumula quase 200 milhões de euros em mais-valias

Considerando o custo inicial dos cinco jogadores contratados, o PSG conseguiu gerar uma mais-valia próxima de 200 milhões de euros com essas negociações. O valor ganha ainda mais importância pelo fato de nenhum deles ser titular absoluto da equipe de Luis Enrique.

A estratégia mostra que o PSG conseguiu transformar jogadores que não ocupavam papel central no time em importantes fontes de receita. E o mais significativo é que essas saídas não impediram o clube de manter o alto nível esportivo apresentado nas últimas temporadas.

O processo acontece justamente durante o período de domínio da equipe comandada por Luis Enrique. Segundo o levantamento apresentado pelo Marca, o PSG conquistou duas Champions League consecutivas dentro desse processo de transformação de sua política de contratações e vendas.

PSG já é um dos maiores vendedores da Europa

A mudança de comportamento não se limita apenas à atual janela. O PSG já aparece entre os clubes que mais arrecadaram com saídas de jogadores nas últimas temporadas.

Considerando as últimas cinco janelas de transferências de verão, o clube francês ocupa a terceira posição na Europa, com 788,55 milhões de euros em receitas. Apenas Chelsea, com 1,15 bilhão de euros, e Manchester City, com 845 milhões, estão à frente.

No recorte das últimas cinco temporadas, o PSG também aparece em terceiro lugar, com 855,6 milhões de euros arrecadados em transferências. Chelsea lidera novamente, com 1,2 bilhão, enquanto o Manchester City soma 886 milhões.

A tendência permanece quando o período analisado aumenta. Nas últimas dez janelas de verão, o PSG acumulou 1,15 bilhão de euros em vendas, novamente na terceira colocação, atrás de Chelsea e Manchester City. Considerando as últimas dez temporadas completas, o clube parisiense aparece em quarto, com 1,25 bilhão de euros, atrás de Chelsea, Benfica e Manchester City.

A formação de jovens ganhou espaço no projeto

Essa mudança está diretamente relacionada à nova política esportiva do PSG. O clube vem abandonando gradualmente a estratégia de investir grandes quantias em jogadores já consolidados para priorizar talentos jovens e atletas que se encaixem na filosofia de jogo de Luis Enrique.

A preocupação com os valores das contratações também passou a ser mais evidente. O caso de Yan Diomande é citado como exemplo de uma negociação que acabou sendo considerada cara demais para os padrões atuais do clube.

Ao mesmo tempo, a base ganhou protagonismo. Um exemplo é Warren Zaïre-Emery, que conseguiu espaço no time principal e se tornou uma das peças formadas pelo próprio PSG. Outros jogadores seguem um caminho diferente: ganham experiência dentro do clube, mas posteriormente são negociados por valores elevados.

Barcola se encaixa nesse modelo, assim como Mbaye e Kamara. A formação não serve apenas para abastecer o elenco profissional, mas também passou a ser uma maneira de criar ativos capazes de gerar grandes receitas no mercado.

Luis Enrique mudou o PSG sem comprometer os resultados

A transformação é ainda mais impressionante porque aconteceu sem uma queda significativa no desempenho esportivo. Com exceção de Gianluigi Donnarumma, que deixou o clube depois da conquista da primeira Champions League, os outros dez jogadores que foram titulares nas duas últimas finais da competição continuam no PSG.

Isso mostra que o clube encontrou uma maneira de negociar jogadores sem necessariamente desmontar sua equipe principal. Em vez de vender suas principais estrelas, o PSG passou a encontrar valor de mercado em atletas que perderam espaço ou que podem ser substituídos internamente.

O resultado é uma combinação entre competitividade e sustentabilidade financeira. O PSG continua sendo um dos clubes mais fortes da Europa, mas agora também consegue transformar seu elenco e sua base em fontes importantes de receita.

Al Khelaifi, Luis Campos e Luis Enrique trabalham juntos

Por trás dessa mudança está uma estratégia que envolve três nomes importantes: Nasser Al Khelaifi, Luis Campos e Luis Enrique. Cada um possui um papel dentro do processo de construção do elenco e das negociações.

Al Khelaifi é responsável pela ofensiva final em algumas das principais negociações. O presidente do PSG participou diretamente de conversas relacionadas às vendas de Barcola, Kolo Muani, Gonçalo Ramos e Mbaye, mantendo contato com dirigentes e proprietários dos clubes interessados.

Essa atuação ajuda a explicar como o PSG conseguiu transformar suas saídas em negócios tão relevantes. O clube deixou de depender exclusivamente de seu poder financeiro para contratar grandes estrelas e passou a usar também sua capacidade de desenvolver, valorizar e vender jogadores.

O PSG, portanto, vive uma verdadeira metamorfose no mercado. O clube que durante anos foi associado a grandes gastos agora se aproxima cada vez mais do perfil de uma potência vendedora. E, considerando os valores alcançados nas últimas janelas, essa mudança deixou de ser apenas uma tendência para se tornar parte consolidada do projeto parisiense.

Foto: X/PSG