Tottenham Thomas Frank
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Entre o caos e a mudança: o “novo” Tottenham de Thomas Frank já preocupa, e muito

O Tottenham está longe de ter uma cara reconhecível nesta temporada. A derrota por 4 a 1 para o Arsenal, no clássico do último domingo, deixou claro mais uma vez que a tentativa de Thomas Frank de frear o estilo ofensivo dos Gunners ainda não é capaz de funcionar. Os Spurs não chutaram nenhuma vez no primeiro tempo e só conseguiram três finalizações no segundo, com míseros 0.07 xG, o pior desempenho ofensivo da Premier League até agora. O técnico dinamarquês até pediu desculpas após o jogo, mas a realidade é dura: o Tottenham parece ter trocado o excesso de ataque do Angeball por um modelo defensivo que ainda não entrega nada.

Apesar de estar em nono lugar, a tabela esperada (xG) coloca o Tottenham em 14º, quase na zona de rebaixamento, com apenas 12 pontos esperados em 12 jogos. O time já marcou 20 gols, mas com base nos números, depende de sorte para manter os resultados. Jamie Carragher resumiu: “Se os resultados começarem a refletir o desempenho, pode piorar.” E isso resume bem a situação atual do atual campeão da Europa League: um time com aparência sólida no papel, mas frágil na prática.

Mudança de estilo: de ofensivo a cauteloso demais

Desde que Thomas Frank assumiu a equipe, tinha em suas mãos a missão de equilibrar o ataque e a defesa, mas a mudança foi drástica. Linhas baixas, menos pressão, dependência de bolas longas e jogo aéreo tornaram o Tottenham muito diferente da equipe vibrante de Ange Postecoglou. O time recua, quase não pressiona, e deixa de progredir com rapidez pelo campo. Comparado ao Brentford da temporada passada, os Spurs se aproximam do estilo defensivo, mas sem a eficiência dos Bees, criando um dilema: nem ataque nem defesa estão funcionando com consistência. Para um clube acostumado ao futebol ofensivo e goleadas históricas, o cenário preocupa torcedores e especialistas.

Além disso, o meio-campo não tem conseguido sustentar a criação. A dupla Palhinha + Bentancur, escolhida para trazer solidez defensiva, limita a progressão de jogo. Jogadores ofensivos como Xavi Simons, contratado para atuar como maestro e servir os atacantes, acaba simplesmente isolado e com pouco espaço. O resultado é um time que lembra equipes médias da Premier League, como Everton ou West Ham, muito longe da qualidade de Arsenal, Liverpool ou Manchester City. Sem ligação entre meio-campo e ataque, o Tottenham sofre para gerar chances.

Rotação e lesões: obstáculos extras para o Tottenham

A situação se complica com a rotação excessiva do elenco e as lesões. Frank já fez 29 mudanças no time titular, a terceira maior da Premier League, numa tentativa de manter o elenco fresco para as competições nacionais e europeias. Só que a falta de entrosamento pesa: o Tottenham perde consistência e identidade em campo, oscilando de jogo para jogo. Somando a isso, James Maddison e Dejan Kulusevski estão fora, Dominic Solanke jogou apenas 31 minutos e Heung-Min Son já deixou o clube. Quatro dos cinco maiores artilheiros da temporada passada estão indisponíveis, o que explica boa parte da dificuldade ofensiva.

As lesões e a rotação podem ser um argumento a favor de Frank, mas não escondem a realidade: o Tottenham ainda não encontrou um equilíbrio entre defesa e ataque, nos últimos jogos, até era capaz de apresentar um muro interessante, mas desde que enfrentou fortes adversários, a situação ficou problemática. O estilo defensivo que prometia solidez se mostra limitado e frustrante para os torcedores.

O futuro do Tottenham: esperança ou mais dificuldade?

A esperança para o Tottenham passa pela volta dos lesionados e pela adaptação dos principais reforços para essa temporada como Xavi Simons e Randal Kolo Muani, além de ajustes táticos que permitam ao time avançar mais pelo campo sem se expor demais. Thomas Frank precisa encontrar uma identidade clara para a equipe, equilibrando segurança defensiva e criatividade ofensiva, caso contrário, a frustração da torcida só tende a aumentar.

Muito se falava sobre a capacidade do dinamarquês de impor times “camaleões”, que se adaptassem ao adversário. Só que essa realidade tem caído por terra, pelo simples fato de ter encontrado dificuldade em todos os grandes confrontos na Premier League.

Enquanto os rivais diretos, como Arsenal, Chelsea, Manchester City e Liverpool, aceleram na tabela, o Tottenham não pode mais se dar ao luxo de errar. O tempo está passando e o técnico precisa provar que seu modelo defensivo pode gerar resultados consistentes no Campeonato Inglês. Por enquanto, o Tottenham segue em um impasse: preso entre o passado ofensivo e o presente cauteloso, com um futuro que ainda depende de ajustes e de sorte.