Guardiola, Manchester City
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Manchester City: Derrota para o Leverkusen revelou um problema que vai além de Haaland

O Manchester City viveu uma daquelas noites que deixam cicatriz. A derrota por 2 a 0 para o Bayer Leverkusen, em pleno Etihad, não foi apenas surpreendente pelo placar, mas pelo que revelou: o elenco de Pep Guardiola não é tão profundo quanto parece. E isso vai muito além da dependência por Erling Haaland, tema que já virou clichê nas discussões sobre o time.

O jogo escancarou uma sensação que vinha crescendo silenciosamente: quando o City gira demais o elenco, o rendimento cai para um nível inesperado. E dessa vez a queda foi brusca o suficiente para acender alerta em Manchester.

Mudanças demais, respostas de menos

Logo de cara, Guardiola surpreendeu ao fazer dez alterações no time titular. Algo que normalmente só acontece na Copa da Liga. E não é que ele tenha escalado um time cheio de garotos — nove dos onze titulares provavelmente estarão nas suas seleções na próxima Copa. Mesmo assim, o desempenho foi irreconhecível.

Sem Rodri, o City voltou a apresentar os mesmos problemas da temporada passada: defesa exposta, meio-campo sem controle e uma vulnerabilidade enorme aos contra-ataques. Foi exatamente assim que os dois gols alemães nasceram, e poderiam ter vindo outros.

Nos últimos anos, o City era aquele time que colocava Kevin De Bruyne, John Stones ou Gündogan no banco e ainda assim mantinha o nível lá em cima. Agora, a sensação é outra: quando muitos titulares descansam, a engrenagem emperra.

Haaland entra, o City respira

Haaland começou no banco, algo raro. E a diferença que ele faz ficou evidente no momento em que entrou. Em pouco mais de 25 minutos, o norueguês já tinha produzido o maior xG da partida. Isso só fortaleceu o argumento de que o City depende demais dele para ser competitivo — especialmente quando o segundo maior artilheiro da equipe continua sendo um gol contra.

Apesar da melhora, o City nunca deu a sensação de controle. O Leverkusen, que vive grande fase, parecia mais organizado, mais preparado e até mais intenso fisicamente. Guardiola, no fim, reconheceu que exagerou: “Talvez dez mudanças tenham sido demais”.

Prioridades invertidas? E a conta chegando

Guardiola claramente escolheu priorizar o jogo do fim de semana contra o Leeds, já que o City está sete pontos atrás do Arsenal. A decisão faz sentido olhando a corrida da Premier League, mas o problema é que a derrota na Champions complica um cenário que já parecia exigente demais.

Se o City perder para o Real Madrid no próximo jogo europeu, corre o risco de sair do top-8 do grupo e, pior, ter que disputar jogos adicionais em fevereiro — bem no período mais desgastante da temporada. Seria a pior combinação possível para um elenco que já mostra desgaste e falta de profundidade.

E aí vem a comparação inevitável, mas dolorosa para os torcedores azuis: enquanto o City luta com as próprias limitações, o Arsenal de Mikel Arteta parece navegar com mais segurança.

Arsenal mostra o que Pep não tem hoje

Há uma ironia cruel no fato de que a última derrota do City em casa pela fase de grupos da Champions, lá em 2018, teve Arteta no comando interino, já que Guardiola estava suspenso. Na época, Arteta disse que nem sabia como dar uma palestra de intervalo. Hoje, ele é um dos favoritos ao título europeu.

O Arsenal tem opções que o City, surpreendentemente, não tem no momento. Enquanto Guardiola usa Rico Lewis como “reserva” de Phil Foden, Arteta alterna entre Eberechi Eze e Martin Odegaard. Na ponta direita, o espanhol conta com Bukayo Saka e Noni Madueke. No elenco, ainda circulam substitutos fortes para quase todas as posições, algo que Guardiola perdeu com o tempo.

O contraste fica ainda maior quando se olha para jogadores como Oscar Bobb e Cherki, ainda em formação, enquanto o Arsenal trabalha com atletas prontos e consolidados. Guardiola até tentou ajustar, trocando Lewis no intervalo, mas o buraco era mais embaixo.

Quando o City olha para o banco, vê incerteza

O City vai precisar disputar partidas praticamente a cada três dias até o meio de janeiro. Para um elenco que já mostra sinais claros de cansaço, isso é preocupante. A derrota para o Leverkusen serviu para mostrar que a rotação não é mais uma arma — virou um risco.

Guardiola está diante de uma escolha dura: priorizar a Premier League ou a Champions. E qualquer decisão pode cobrar um preço alto. O time que dominou a Inglaterra por quatro anos seguidos não parece, neste momento, preparado para brigar por tudo ao mesmo tempo.

O City continua sendo um gigante, mas um gigante que, pela primeira vez em muito tempo, parece ter dificuldades reais para sustentar sua própria sombra. E a noite contra o Leverkusen deixou claro que as respostas que Guardiola busca talvez não estejam no banco — e isso sim é o verdadeiro problema.