A derrota do Barcelona em Stamford Bridge aparece como um novo soco no estômago de Hansi Flick. Depois de ter tido uma sólida atuação contra o Athletic Bilbao na reinauguração do Camp Nou, imaginava-se que o clube espanhol conseguisse bater de frente com o Chelsea, mas não ocorreu desta forma. Muita gente acreditava que o time catalão emplacaria mais uma boa noite e encaminharia a vaga entre os oito melhores, evitando o temido play-off.
E o contexto até ajudava o otimismo. Flick começava, enfim, a ver seus jogadores retornarem do Departamento Médico. De Jong voltava, Raphinha estava disponível, Rashford já respirava sem dor e para um técnico que passou semanas improvisando jogadores até em posição que só deve ocorrer no FIFA, isso já era um baita avanço. Era o momento perfeito para mostrar sua força.
Mas veio a expulsão de Araújo, e aí tudo desandou completamente. Dez contra onze, fora de casa, contra os Blues que andam jogando como se tivesse tomado uma dose absurda de energéticos… não tinha muito para onde correr. O placar de 3 a 0 contou bem mais a história do segundo tempo do que do jogo inteiro.
O Flick diplomata: estilo Cruyff repaginado
Se tem algo que o torcedor culé ainda está se acostumando, é com a postura pós-jogo de Hansi Flick. Em outras noites, o alemão já havia distribuído críticas bem diretas, daquelas que fazem até comentarista da TV engasgar, de forma surpresa com as palavras e a sinceridade do profissional.
Só que desta vez não ocorreu assim, foi diferente. Flick fez questão de adotar o estilo do lendário Cruyff: quando o time vence, dá uns socos na mesa, pede por mais imposição, na tentativa de não se demonstrar satisfeito com o resultado, buscando por mais sempre; já quando perde, simplesmente decide por ajudar seus jogadores a se levantar, ao invés de só pisar em suas cabeças, empurrando cada vez mais para o chão.
“Vamos ver outro Barça, eu prometo”, afirmou o treinador, com aquela calma que só quem tem certeza do que está vendo no dia a dia consegue manter. Falou de evolução, de intensidade, de treinos melhores que há seis semanas… tudo isso depois do 3 a 0.
No mínimo, chamou a atenção. No máximo, mostrou liderança.
Existe motivo para o otimismo de Flick?
Por trás do discurso mais otimista do que o placar sugeria, há um fato impossível de ignorar: o Barcelona de Hansi Flick está, finalmente, recuperando jogadores. É um fato que o nível é aquém da temporada passada, mas também é necessário reparar que não conta com todas as suas importantes cartas do baralho disponíveis, algo que impacta diretamente nos resultados.
Raphinha e Rashford já voltaram aos gramados, sendo soltos aos poucos pelo técnico alemão. É verdade que ainda não têm ritmo para começar um jogo grande, e Flick não costuma acelerar retornos, mas já estarem disponíveis é um enorme avanço, ainda mais no caso do brasileiro, que é uma das principais peças do elenco atual.
E o melhor vem agora: Pedri está voltando.
Se tudo der certo, o camisa 8 deve aparecer já neste fim de semana contra o Alavés. A simples presença de Pedri já eleva o nível do meio-campo e dá a Hansi Flick uma flexibilidade tática que ele não tinha há bastante tempo. Com isso, sobram apenas Ter Stegen e Gavi no departamento médico, o que, considerando o caos físico que o clube enfrentou recentemente, é praticamente uma bênção.
O Barça de Flick antes da expulsão não era ruim
É fácil olhar para um 3 a 0 e imaginar desequilíbrio completo. Mas antes da expulsão de Araújo, o jogo estava parelho, tenso e totalmente aberto, com chances para ambos os lado, valendo lembrar que Ferran Torres perdeu a primeira enorme oportunidade de abrir o placar. O Chelsea não era claramente superior até aquele momento.
Hansi Flick, inclusive, fez questão de valorizar muito o que o time produziu contra o Athletic Bilbao e contra o Celta. Para o treinador, existe um fio de evolução real, ainda frágil, mas existente, que a expulsão impediu de aparecer em Londres.
E isso explica por que o discurso dele não soou desesperado, é claro que não foi radiante por conta do resultado, mas deixou claro que tem confiança nos seus jogadores, e na forma como estava se portando nas outras ocasiões. Ele sabe o que está construindo. E sabe o que volta a ter nas mãos: um elenco mais completo.
Alavés: o primeiro teste do “Barça prometido por Flick”
Agora, a teoria de Hansi Flick precisa virar prática, não dá para apenas ficar com as palavras. O jogo contra o Alavés será o primeiro capítulo da tal “mudança” que o alemão garantiu, ou prometeu, como quiser escolher. Se o Barcelona realmente está treinando no nível que o técnico descreve, deve aparecer algo nesse confronto.
Mais opções no ataque, Pedri perto de voltar, Raphinha e Rashford ganhando ritmo… finalmente o Barcelona parece menos remendado. E isso por si só já muda o cenário. Será que Flick é mesmo um homem de palavra?
O torcedor não vai precisar esperar muito para descobrir. Se mostrar evolução já neste sábado, o discurso ganha força. Se não mostrar… bem, aí a palavra “promessa” vira só mais uma manchete bonita.
Mas uma coisa é certa: com Hansi Flick no centro das atenções e mais jogadores disponíveis, o Barça está prestes a revelar qual versão realmente vai encarar a segunda metade da temporada.
Foto: EFE