A McLaren vive um momento complicado na Fórmula 1. Apesar do campeão antecipado do Mundial de Construtores em 2025, a equipe parece afundar rumo ao fim de temporada com uma queda acentuada. Nas últimas oito corridas, conquistou apenas duas vitórias e, pior ainda, errou de forma grave a estratégia no mais recente GP no Catar — um erro que entregou a vitória nas mãos de Max Verstappen.
Agora, com a corrida final marcada para o próximo domingo (7), em Abu Dhabi, a escuderia tenta montar uma estratégia para lá de questionável: não dar prioridade para nenhum dos dois pilotos (Lando Norris e Oscar Piastri) na luta direta com o holandês da Red Bull Racing.
“No que diz respeito ao fato de termos dois pilotos na disputa pelo Campeonato Mundial, nossa filosofia e nossa abordagem não mudarão. Deixaremos tanto Oscar quanto Lando a possibilidade de competir e perseguir suas aspirações. Oscar, em termos de pontos, está definitivamente em condições de conquistar o título”, disse Andrea Stella, chefe da McLaren.
O executivo destacou que nas duas ocasiões anteriores em que três pilotos ainda estavam na disputa neste ponto, foi o piloto na posição de Piastri que saiu vitorioso. “Já vimos antes na história da Fórmula 1 que, quando você tem esse tipo de situação, às vezes é o terceiro carro que acaba vencendo”, continuou.
Priorizar um piloto é comum na F1
Porém, a decisão da McLaren de não priorizar um de seus pilotos contrasta com a tradição da Fórmula 1. Historicamente, equipes campeãs raramente hesitaram em escolher um líder quando o título estava em jogo. A Ferrari de Michael Schumacher ficou marcada por sua clara hierarquia interna, com Rubens Barrichello cumprindo ordens de equipe notórias, como no GP da Áustria de 2002.
A Williams também adotou essa postura em anos decisivos, como em 1996, quando Damon Hill recebeu prioridade estratégica sobre Jacques Villeneuve na reta final da temporada. Mesmo em tempos recentes, a Red Bull estabeleceu um modelo explícito: Sebastian Vettel foi priorizado sobre Mark Webber em diversas situações, incluindo o famoso episódio do “Multi 21” em 2013.
Situação atual da McLaren
Lando Norris lidera o Campeonato Mundial com 12 pontos sobre Verstappen. Desta forma, o britânico precisa terminar apenas no terceiro lugar em Abu Dhabi para conquistar seu primeiro título. Piastri, por sua vez, tem uma tarefa para lá de complicada.
Na terceira posição do torneio, o australiano precisa ganhar o GP de Abu Dhabi e torcer para o companheiro de equipe terminar, no máximo, no sexto lugar. Para se ter uma ideia da complexidade, Piastri não vence há nove corridas, enquanto Norris terminou no pódio em 18 das 25 corridas deste ano.
Segundo o chefe da McLaren, o foco será dar condições iguais para os dois pilotos. Ainda assim, ao decorrer da prova, Stella diz que poderá avaliar o caso.
“Entre agora e Abu Dhabi, haverá mais conversas com Lando e Oscar. Confirmaremos nossa estratégia para a corrida, mas certamente o que posso dizer é que, se algum dos pilotos estiver em condições de buscar o título, respeitaremos isso”, comentou.
“Não haverá nenhuma chamada que exclua os outros pilotos quando o outro piloto estiver em condições de vencer. Então, veremos qual cenário se desenrolará, mas definitivamente o que posso dizer é que haverá conversas e haverá uma maneira de correr que seja unida entre a equipe e os pilotos, como sempre fizemos”, finalizou.
Dilema
A atitude da McLaren pode ser vista bem interna e publicamente, já que está oferecendo condições iguais para ambos os pilotos, algo reivindicado por uma parcela dos dirigentes e torcedores da F1. Ao mesmo tempo, a estratégia também dá ainda mais chance para Verstappen, que acumula cinco vitórias nas últimas oito provas.
Se um dos pilotos da McLaren levar o troféu no domingo, a atitude será aplaudida. Agora, se o holandês levar o penta… A catástrofe será histórica.
Foto: Reprodução/McLaren