Liverpool Salah
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Liverpool é um time mais equilibrado sem Salah? Confira

Em baixa no Liverpool, o atacante Mohamed Salah mantém um histórico marcante no Estádio Olímpico de Londres — e este pode ter sido o dia em que os Reds começaram a traçar um novo rumo, abrindo caminho para uma geração pós-Salah, após a vitória por 2 a 0 sobre o West Ham. Pela primeira vez desde abril de 2024 — também contra o West Ham — o técnico Arne Slot deixou o craque de 33 anos no banco em um jogo de Premier League, repetindo uma decisão tomada anteriormente por Jurgen Klopp.

Naquela ocasião, Salah acabou no centro das atenções do Liverpool naquela ocasião: primeiro, discutindo com Jurgen Klopp à beira do campo depois de o West Ham marcar enquanto ele aguardava para entrar como substituto no empate por 2 a 2; depois, ao passar pelos jornalistas e soltar a frase que virou manchete — “Se eu falar, vai pegar fogo”. No último fim de semana, o camisa 11 nem sequer saiu do banco e apenas acompanhou a vitória por 2 a 0 sobre os Hammers.

Dessa vez, porém, a escolha de Slot teve um peso maior. Não pela possibilidade de um final abrupto da brilhante trajetória de Salah no clube, mas por indicar como a reformulação do elenco, avaliada em 450 milhões de libras, pode se consolidar sem depender do astro egípcio. O treinador vinha sendo pressionado publicamente — sobretudo pelo ídolo do United, Wayne Rooney, a tirar o atacante do time após uma série de atuações abaixo da média. Tomar a decisão foi a parte simples; difícil mesmo será substituir alguém desse nível, terceiro maior artilheiro da história do clube, atrás apenas de Ian Rush e Roger Hunt.

Neste jogo, Slot ofereceu um vislumbre de resposta. A primeira apresentação desse Liverpool remodelado trouxe o resultado que ele e sua comissão tanto necessitavam: uma vitória depois de nove derrotas nos últimos 12 confrontos, sendo seis delas na Premier League. Para completar, Alexander Isak marcou seu primeiro gol no campeonato desde sua transferência recorde de 125 milhões de libras do Newcastle, enquanto o alemão Florian Wirtz — contratado por 116 milhões — comandou várias das jogadas que culminaram no triunfo.

As escolhas de Slot deram resultado no Liverpool. Dominik Szoboszlai foi liberado da lateral direita, onde vinha sendo subaproveitado, para atuar aberto pela direita no ataque, ao lado de Cody Gakpo na esquerda e Isak centralizado. O próprio Szoboszlai se destacou ao cruzar para o gol do sueco e depois marcar um golaço nos acréscimos. Joe Gomez também retornou à lateral direita para sua primeira titularidade na liga em 11 meses, movimento que fortaleceu o sistema defensivo e devolveu consistência ao time, que vinha de 10 gols sofridos em três partidas.

Quanto a Salah — que em breve desfalcará a equipe devido à Copa Africana de Nações no final do ano —, limitou-se a assistir ao jogo do banco de reservas do Liverpool. O técnico Slot fez questão de reforçar que o atacante, que renovou seu contrato nos Reds por mais dois anos no verão, “ainda terá um futuro brilhante aqui porque é um jogador extraordinário”. Mas, à luz da temporada atual, existe o risco real de perder espaço. Mesmo assim, descartá-lo seria um ato arriscado para o clube ainda nesta temporada.

Antes desse confronto, Mohamed Salah havia iniciado 53 partidas consecutivas de Premier League, muitas delas guiado por uma missão pessoal de reconduzir o Liverpool ao título — o que de fato aconteceu na temporada passada. Ao todo, ele soma 419 jogos pelos Reds, com 383 como titular e 250 gols marcados. Desde que chegou da Roma em 2017, disputou 300 partidas de Premier League — 288 como titular —, balançando as redes 188 vezes e contribuindo para um índice de 64% de vitórias.

No geral, o Liverpool venceu 263 vezes com Salah em campo — 63% de aproveitamento. Ignorar sua importância seria impossível; da mesma forma, Slot não poderia deixar de considerar o futuro do clube para além do craque, e o triunfo de domingo trouxe sinais disso. Resta saber se o holandês recolocará Salah em campo contra o Sunderland, em Anfield, na quarta-feira, antes de ele se apresentar à seleção egípcia para a Copa Africana de Nações no Marrocos, entre o fim de dezembro e o início de janeiro.

Florian Wirtz, por sua vez, demonstrou por que chegou cercado de tanta expectativa no Liverpool, após se destacar no Bayer Leverkusen na última temporada. O jovem alemão de 22 anos exibiu inteligência e habilidade, movimentando-se com liberdade e agregando criatividade ao meio-campo. Para o clube e para Slot, o essencial era a vitória — apenas a segunda na liga desde o 2 a 1 sobre o Everton, em 20 de setembro. O fato de isso ocorrer com os reforços milionários finalmente correspondendo dá ânimo extra e reduz a pressão sobre o treinador.

Foto: Getty Images

Liverpool sem Salah: um novo equilíbrio em construção

Com a recente ausência do egípcio entre os titulares, o Liverpool tem apresentado desempenhos que levantam a questão: o time funciona melhor sem sua principal estrela?

De um lado, há indícios de que a saída de Salah — por opção técnica ou descanso — proporciona maior solidez defensiva e melhor distribuição tática. Ao optar por deixá-lo no banco, Slot conseguiu reorganizar o sistema defensivo e testar alternativas ofensivas: Isak e Wirtz ganharam relevância, ampliando o leque tático e trazendo renovação ao ataque.

Além disso, os números mostram queda no rendimento de Salah: menos finalizações, menor presença na área e queda perceptível no xG. Isso reduz momentaneamente sua influência ofensiva e relativiza a ideia de dependência do egípcio. Assim, a ausência dele às vezes resulta em uma equipe mais equilibrada, menos previsível e com maior compactação defensiva — características valiosas diante de adversários mais fortes.

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Limites desse equilíbrio: por que a discussão é complexa

Por outro lado, mesmo em declínio, Salah continua sendo um dos pilares do Liverpool — especialmente em jogos que exigem criatividade e poder de decisão. Além disso, esse “novo equilíbrio” depende do contexto: estrutura tática, adversário e desempenho dos substitutos. Quando as alternativas não rendem, a falta de um finalizador de elite como o camisa 11 dos Reds escancara problemas no ataque.

Há ainda o fator imensurável: liderança, peso psicológico e influência dentro do elenco — elementos que Salah carrega e que não aparecem nas estatísticas, mas impactam diretamente o ambiente e o desempenho da equipe.

Conclusão: equilíbrio possível — mas condicional

O Liverpool pode, sim, parecer mais equilibrado sem Salah — principalmente em termos defensivos, coletivos e táticos. Sua ausência redistribui funções e força o time a explorar novas peças, criando uma versão mais coletiva da equipe.

Mas esse equilíbrio não é definitivo nem garantido. Ele depende da adaptação dos substitutos e das demandas de cada confronto. Sem alguém do calibre de Salah, o time pode perder poder de decisão — algo decisivo no mais alto nível. Em síntese: o Liverpool pode funcionar melhor sem Salah em certos cenários, mas isso exige tempo, ajustes e comprometimento coletivo.

(Foto: AFP/Getty Images)