O Manchester City pode estar prestes a enfrentar uma daquelas mudanças que parecem simples no papel, mas que podem bagunçar completamente o funcionamento de uma equipe. Rodri está no último ano de seu contrato e, depois de sete temporadas no clube, uma saída para a Espanha voltou a ganhar força. Para Enzo Maresca, que assumiu o comando do time há poucas semanas, encontrar um substituto para o espanhol pode ser o primeiro grande desafio de sua passagem pelo Etihad.
Não estamos falando de qualquer jogador. Rodri foi peça central na transformação do Manchester City em uma potência do futebol europeu, participou da histórica tríplice coroa de 2023, conquistou a Eurocopa com a Espanha em 2024 e ainda levou para casa a Bola de Ouro. Aos 30 anos, o volante continua sendo uma referência técnica e de liderança, mesmo depois de ter passado por um período complicado por conta de uma lesão no ligamento cruzado anterior.
A possibilidade de perder Rodri, portanto, não significa apenas substituir um volante. O Manchester City teria de encontrar alguém capaz de ocupar uma posição fundamental no sistema de Maresca, controlar o ritmo das partidas, proteger a defesa e ainda participar da construção. E, como se não bastasse, o novo jogador também precisaria ajudar a preencher o vazio de liderança que pode aumentar com as saídas de outros nomes experientes.
A lista de candidatos tem estilos bem diferentes. A escolha pode dizer muito sobre o tipo de Manchester City que Maresca pretende construir.
Ayyoub Bouaddi
Entre os nomes especulados, Ayyoub Bouaddi talvez seja o que mais lembra Rodri em termos de características. O jovem marroquino atua como um meio-campista de construção, recuado, com capacidade para organizar o jogo desde trás e dar sequência à posse de bola.
O Manchester City já teria conversado sobre uma possível contratação e o Lille estaria disposto a negociar por uma quantia próxima de £85 milhões. Para um jogador de apenas 18 anos, é um investimento gigantesco, mas Bouaddi já acumulou experiências que vão além do esperado para alguém de sua idade.
Ele teve papel importante na campanha do Lille na Champions League e também chamou atenção durante a Copa do Mundo. Na temporada passada, disputou 30 partidas pela Ligue 1, mostrando que não é apenas uma aposta para o futuro distante.
Dentro do elenco do Manchester City, Bouaddi poderia formar uma combinação interessante com Elliot Anderson. Enquanto o marroquino teria uma função mais próxima da base da jogada, Anderson poderia assumir um papel mais box-to-box.
O problema é óbvio: substituir Rodri por um adolescente de 18 anos seria uma aposta enorme.
Por outro lado, se existe um clube disposto a colocar um jovem em um ambiente de altíssimo nível e exigir que ele aprenda rapidamente, provavelmente estamos falando do Manchester City.
Enzo Fernández
Enzo Fernández aparece como a alternativa mais pronta para o Manchester City. E existe um detalhe que torna essa possibilidade ainda mais interessante: Maresca já trabalhou com o argentino no Chelsea.
O treinador conhece suas características, sua personalidade e aquilo que pode oferecer ao time. Não é surpresa, portanto, que Enzo seja apontado como uma das opções favoritas para assumir um papel de protagonismo no meio-campo.
Os números também ajudam a explicar o interesse. Na temporada 2025/26, o argentino disputou 54 partidas pelo Chelsea, marcou 15 gols e deu sete assistências. Entre os jogadores considerados pelo Manchester City, Enzo liderou em passes certos, passes para a área e passes bem-sucedidos para o terço final.
Ou seja, não seria uma contratação baseada apenas em nome.
Enzo também oferece algo que pode se tornar especialmente valioso para o Manchester City: liderança. Maresca chegou a entregar a braçadeira ao argentino no Chelsea na ausência de Reece James, demonstrando confiança em sua capacidade de comandar o time.
O problema está no preço.
O Chelsea teria estabelecido uma avaliação de £120 milhões, valor que faria qualquer diretor esportivo respirar fundo antes de pegar o telefone. O Manchester City já gastou £116 milhões em Elliot Anderson, e investir novamente uma fortuna no meio-campo seria um movimento de enorme impacto financeiro.
Além disso, o Chelsea ainda considera Enzo um jogador importante e estaria disposto a reintegrá-lo completamente ao elenco caso nenhuma proposta seja aceita.
Alex Scott
Alex Scott é outra alternativa interessante, principalmente porque encaixa em uma característica que Maresca parece valorizar: intensidade com a bola e capacidade para conduzir o jogo.
O Manchester City já teria estudado a possibilidade de contratar o inglês, que também despertou interesse de outros gigantes da Premier League. O Bournemouth, porém, deixou claro que não pretende facilitar a negociação.
O Chelsea chegou a oferecer £64 milhões pelo jogador e recebeu uma resposta negativa. O Arsenal também tentou avançar, mas encontrou resistência.
Scott tem energia para percorrer grandes distâncias, carrega bem a bola e possui números interessantes na criação. Na temporada passada, registrou 37 jogos, 27 chances criadas, 265 passes para o terço final e 185 duelos vencidos.
É um perfil diferente de Rodri. E talvez seja justamente esse o ponto.
Em vez de tentar encontrar uma cópia do espanhol, Maresca poderia optar por um meio-campo mais dinâmico, com jogadores capazes de dividir responsabilidades e aumentar a intensidade da equipe.
O inglês também tem a vantagem de já conhecer profundamente a Premier League. Aos 22 anos, ainda teria margem para evoluir dentro do projeto.
Alexis Mac Allister
A presença de Alexis Mac Allister na lista é talvez a mais surpreendente.
O argentino já conhece perfeitamente a Premier League, foi campeão inglês e possui experiência suficiente para entrar imediatamente no time. Além disso, sua versatilidade poderia ser muito útil para Maresca.
Mac Allister consegue atuar como volante, mas também pode avançar e assumir uma função mais próxima de um meio-campista box-to-box. Essa capacidade de alternar posições faria dele uma peça bastante interessante em um elenco que pode sofrer mudanças importantes.
A temporada 2025/26, porém, não foi das melhores para o argentino, que teve dificuldades para manter o mesmo nível apresentado anteriormente. Ainda assim, seu histórico pesa bastante a favor.
Aos 27 anos, Mac Allister seria uma contratação diferente de Bouaddi. Enquanto o marroquino representaria um investimento de longo prazo, o argentino chegaria com experiência e condições de assumir imediatamente uma responsabilidade maior.
Para o Manchester City, essa segurança pode ter bastante valor.
Manchester City também precisa substituir liderança
O problema de Maresca, no entanto, não termina no substituto de Rodri.
O Manchester City também está perdendo figuras importantes dentro do vestiário. Bernardo Silva, John Stones e Nathan Aké estão entre os jogadores experientes que deixam o clube, o que aumenta o peso sobre aqueles que permanecerão.
Rodri é justamente um dos líderes do grupo. Por isso, a escolha do substituto não pode considerar apenas passes, desarmes e conduções. O Manchester City precisa pensar em quem será capaz de assumir responsabilidades quando o jogo apertar.
Rúben Dias aparece como um dos principais candidatos à braçadeira. Erling Haaland também é uma possibilidade, embora o próprio Maresca tenha brincado sobre a dificuldade de ter o norueguês como capitão.
O treinador explicou que, em seus trabalhos anteriores, costumava pedir que o capitão fosse até o banco depois de um gol para receber instruções. No caso de Haaland, porém, a tendência seria um pequeno problema logístico: se ele marcar, provavelmente vai querer comemorar. E Maresca deixou claro que não pretende impedir isso.
Phil Foden também já exerceu a função de capitão durante a pré-temporada, enquanto Gianluigi Donnarumma é outro jogador com presença forte dentro de campo. Marc Guéhi, por sua vez, chega com experiência de liderança depois de ter sido capitão do Crystal Palace.
Rodri é impossível de substituir?
Essa talvez seja a pergunta mais importante de todas.
O Manchester City pode contratar Bouaddi, Enzo Fernández, Alex Scott ou Mac Allister, mas nenhum deles será Rodri. O espanhol não se tornou indispensável apenas por seus números, mas pela maneira como sua presença organiza o restante do time.
A comparação estatística mostra isso de forma interessante. Rodri teve 21 jogos na liga, com 1.458 passes certos, 25 chances criadas, 90,1% de precisão nos passes, 340 passes bem-sucedidos para o terço final e 118 duelos vencidos.
Enzo aparece com números impressionantes, especialmente na construção: 1.755 passes certos, 68 chances criadas e 574 passes para o terço final. Scott, por outro lado, venceu 185 duelos, enquanto Bouaddi teve 142 em 30 partidas.
Os números ajudam a entender as diferenças entre os candidatos, mas não conseguem medir completamente aquilo que Rodri oferece.
O Manchester City, portanto, terá de decidir entre buscar alguém parecido com o espanhol ou aproveitar a saída para remodelar o meio-campo.
Bouaddi seria a aposta no futuro. Enzo Fernández, a solução mais pronta e familiar para Maresca. Alex Scott representaria mais intensidade e capacidade de condução. Mac Allister seria a opção experiente e versátil.
Qualquer uma delas exigirá adaptação. E talvez esse seja o maior desafio de Maresca em seu início no Manchester City. O treinador não precisa apenas encontrar um novo jogador para a posição de Rodri. Precisa descobrir como será o Manchester City sem Rodri.
Porque uma coisa é certa: tentar simplesmente colocar outro volante no lugar do Bola de Ouro e apertar o botão de “substituir jogador” provavelmente não vai funcionar. Rodri deixou a régua alta demais.
Foto: Reprodução



