O Real Madrid que andam buscando estabilidade, enquanto Kylian Mbappé tem feito gol em jogo sim e jogo sim, contou com mais um ponto positivo. Depois dos problemas entre Xabi Alonso e Vini Jr, parece que a situação entre os dois se encontra no melhor momento possível. A sequência dos últimos três jogos mudou completamente o cenário e devolveu a Vinícius Júnior aquilo que sempre foi sua marca registrada: o sorriso antes de destruir defesas.
E quem está por trás dessa virada?
O técnico espanhol, que chegou, mexeu, reorganizou e, principalmente, encontrou um papel dentro do sistema que fez o brasileiro voltar a se sentir importante e decisivo.
O novo Vini Jr: mais atacante, menos preso, muito mais feliz
Nas últimas três partidas, contra Olympiacos, Girona e Athletic, Xabi reposicionou Vini de uma forma que parece ter destravado o melhor do brasileiro. Ele voltou a atuar como segundo atacante ao lado de Mbappé, mas mantendo o lado esquerdo como referência. A diferença é que agora joga mais adiantado, com liberdade, sem a obrigação constante de recuar até o campo de defesa para marcar laterais.
Para quem conhece a trajetória de Vini desde o Flamengo, isso faz todo sentido: ele é um atacante, alguém que precisa de profundidade, espaço e a sensação de que o campo está aberto para ele correr. No Real Madrid, o brasileiro chegou a viver um pouco disso com Carlo Ancelotti na última temporada, quando Mbappé ainda estava se acostumando a atuar com o camisa sete.
Os números evidenciam essa melhora. Contra o Olympiacos, deu duas assistências nos quatro gols de Mbappé e foi dominante no último terço. Na partida contra o Girona, finalizou mais do que qualquer jogador em campo, sete vezes e se aproximou bastante do rendimento esperado de Mbappé, que teve um xG de 0,98 contra 0,79 do brasileiro. Já em San Mamés, diante do Athletic, produziu quatro finalizações, a mesma quantidade do camisa 10, e só não marcou porque faltou o detalhe final.
A mudança de função devolveu a ele algo que estava faltando: liberdade. E, com ela, veio de volta a confiança.
Fim das tensões: Xabi e Vini fazem as pazes
O contexto não pode ser ignorado. O desgaste entre treinador e jogador tinha chegado a um ponto delicado. Vini reagiu mal ao ser substituído no clássico contra o Barcelona, expressou a frustração de forma pública e não citou Xabi em seu comunicado de desculpas. Para um vestiário tão observado como o do Real Madrid, não tinha como esse ponto não chamar atenção nos bastidores.
Além disso, Vini realmente acreditava que seu futebol não agradava ao treinador. Em treze partidas, tinha sido titular em apenas nove e completado só três. A sensação era de perda de protagonismo, especialmente porque o sistema exigia que ele recuasse muitas vezes até o campo defensivo, tirando completamente seu poder de desequilíbrio na frente.
A tensão chegou a ser tão forte que o brasileiro cogitou, nos bastidores, que, se aquela situação persistisse, talvez fosse necessário repensar o futuro longe do Real Madrid. Ainda mais com essa realidade quanto a renovação de seu contrato, sem esquecer da chegada de Mbappé e grande parte dos holofotes ficarem voltadas para o novo camisa 10 do clube.
Mas tudo começou a mudar quando Xabi ajustou o papel do camisa 7. Em San Mamés, o abraço entre os dois foi o capítulo final dessa reconciliação. Não era um gesto vazio; era alívio. Vinícius queria, mais do que tudo, que o clima voltasse ao normal. Sentia que seu papel no vestiário era importante demais para ficar preso a um conflito.
Vini ao lado de Mbappé traz impacto imediato ao Real
A nova função de Vinícius Júnior não mudou apenas seu rendimento individual. O Real Madrid parece funcionar melhor. Ele e Mbappé passam a dividir o comando do ataque, se movimentando com mais liberdade, explorando espaços juntos e obrigando as defesas adversárias a se dividirem entre dois jogadores que exigem atenção constante.
Apesar da veia goleadora do brasileiro não ser mais a mesma, tem conseguido apresentar exímias oportunidades para a estrela francesa. Simplesmente alimentando o principal jogador do time, e sem receio de deixá-lo com os holofotes, para no final das contas, serem os dois a conquistarem a vitória.
O trio de meio-campistas com Tchouameni, Valverde e Camavinga ganhou mais campo para avançar e pressionar. O Real Madrid ficou mais vertical, mais leve e, ao mesmo tempo, mais organizado. O 4-4-2 montado por Xabi passou a parecer natural, encaixado, quase óbvio.
E quando Vini está confortável, o Real Madrid parece um time inteiro mais confortável também.
Clima renovado e vestiário mais tranquilo
O Real Madrid sempre soube da importância de Vini no projeto, mas o momento recente tinha acendido alertas sobre a renovação, marcada para voltar à pauta em 2026. O desconforto poderia complicar tudo. Mas com as tensões resolvidas, as perspectivas melhoraram radicalmente. Sem contar que, seria um conflito enorme, porque a diretoria merengue confiou em Xabi Alonso para trilhar esse novo caminho do clube espanhol.
Logo, uma saída de Vini Jr talvez fosse vista com bons olhos por parte dos cabeças do Real Madrid, mesmo que se tratasse de um jogador de alto nível.
Vini voltou a expressar, dentro e fora de campo, que se sente parte essencial do projeto e que seu desejo é seguir no Real Madrid. O clube, por sua vez, vê nele um símbolo da próxima década, alguém que mescla rendimento, peso esportivo e identificação com o torcedor. Com o ambiente pacificado, tudo aponta para uma renovação tranquila.
Foto: REUTERS/Albert Gea