Max Verstappen McLaren
Automobilismo Fórmula 1

Max Verstappen mira 2026 com otimismo: o que a temporada perdida revela sobre a Red Bull e sobre ele

Max Verstappen não é campeão mundial da Fórmula 1 em 2025, mas é difícil enxergá-lo como um derrotado. Dois pontos o separaram de Lando Norris, que finalmente conquistou seu primeiro título, mas a narrativa que emerge do fim de temporada é menos sobre perda e mais sobre reconstrução, tanto da Red Bull quanto do próprio piloto.

Ao avaliar o ano, Verstappen afirmou estar “mais feliz agora do que há 12 meses”, mesmo com o troféu escapando. Um sentimento que diz muito sobre o estado da equipe de Milton Keynes e sobre o amadurecimento competitivo do tetracampeão.

A recuperação histórica de Verstappen

A temporada de Verstappen foi, acima de tudo, um estudo de resiliência. Depois de sair do GP da Holanda com mais de 100 pontos de desvantagem, o holandês já considerava a luta pelo título encerrada. Nada sugeria que a Red Bull pudesse reagir: desde a segunda metade de 2024, a equipe acumulava problemas de desenvolvimento, dificuldades aerodinâmicas e falta de respostas claras sobre o RB20. O declínio em 2024 foi tão profundo que Verstappen venceu apenas duas das últimas 14 corridas daquele campeonato, um contraste brutal com seu domínio absoluto de 2023.

Em 2025, o início não foi melhor. A primeira metade do ano expôs fragilidades estruturais, incluindo perda de eficiência em curvas médias, instabilidade de fundo plano e uma equipe técnica ainda buscando se reorganizar após meses de turbulência interna. McLaren e Ferrari, por outro lado, avançavam com consistência. Era fácil pressagiar um ano de sobrevivência para a Red Bull.

Mas então, algo mudou.

A partir de agosto, a equipe acertou em cheio na atualização aerodinâmica que reestruturou o comportamento do carro. E Verstappen, como sempre, foi rápido para extrair tudo de um pacote finalmente coerente. Vieram dez pódios consecutivos, seis vitórias e, aos poucos, uma diferença que parecia inalcançável começou a evaporar. Lando Norris e Oscar Piastri, tão dominantes por boa parte do ano, passaram a sentir a pressão de um adversário que conhece melhor do que ninguém o território da luta pelo título.

Ainda assim, a recuperação tardia não foi suficiente. Norris fez o necessário em Abu Dhabi, cruzando em terceiro e conquistando o campeonato por vantagem mínima, historicamente pequena, mas suficiente para alterar a trajetória das narrativas.

Max vê temporada como positiva apesar de tudo

O interessante é que Verstappen parece imune ao impacto emocional da derrota. Em anos anteriores, perder um título dessa forma teria sido inconcebível. Mas o holandês se mostrou confortável, quase leve, ao comentar o desfecho do campeonato: “Para ser honesto, estou com um sentimento melhor agora do que no final da última temporada. Passamos um ano difícil e finalmente reencontramos o caminho.”

Essa declaração traduz a verdadeira notícia: Verstappen, mais do que almejar o título, buscava sinais de vitalidade da Red Bull. E ele os encontrou.

Para 2026, isso importa mais do que qualquer troféu.

Em um contexto de grandes mudanças regulatórias para o ano seguinte, que trazem novas regras de motor, aerodinâmica simplificada, chassis mais leves e carros mais eficientes, o fator psicológico e estrutural é decisivo. A Red Bull precisava provar que conseguiria recuperar sua capacidade histórica de desenvolvimento. E, ao que tudo indica, fez exatamente isso no fim de 2025.

A postura de Verstappen, portanto, representa confiança não apenas em sua habilidade individual, mas em um ambiente competitivo que voltou a apresentar estabilidade e direção. O que ele enxerga é que, após um ano e meio de turbulência, a equipe retomou seu perfil tradicional: rápida para corrigir falhas, agressiva nas atualizações e eficaz na execução.

Há outro elemento relevante na narrativa: o amadurecimento de Verstappen como piloto e como figura central da equipe. Ele sempre foi competitivo e profundamente exigente com performance. Mas a frase “nunca senti que estava no campeonato até algumas rodadas atrás” mostra uma maturidade rara, um piloto que compreende o contexto, sabe quando insistir e quando simplesmente trabalhar.

O holandês também ressaltou o valor de “nunca desistir”, destacando que a campanha de 2025 serviu como uma lição coletiva de persistência. Para uma equipe acostumada a vencer com folga, a dificuldade teve efeito pedagógico. É algo que, paradoxalmente, pode torná-los mais perigosos em 2026.

O panorama para o próximo campeonato, no entanto, não será simples. McLaren entra como favorita natural após vencer o título com Norris e manter a dupla mais forte da categoria. A Ferrari, com suas próprias turbulências internas, ainda assim terminou o ano com sinais positivos. E a Mercedes segue trabalhando de olho no novo ciclo técnico.

Mas, ao contrário de 2025, a Red Bull inicia a pré-temporada com direção clara. Tem um carro em evolução ascendente, uma equipe técnica que recuperou confiança e, acima de tudo, um Verstappen que parece mais confortável, e mais perigoso, do que antes.

Verstappen não será o número 1 em 2026, mas não é o número no carro que define o favorito, e sim o rumo da equipe.

Se o fim de 2025 for indicador do que vem pela frente, Norris terá um alvo grande nas costas. E Verstappen, pela primeira vez em um ano e meio, vê esse alvo com nitidez.

(Foto: Motorsport Images)