Xabi Alonso
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Xabi Alonso cada vez mais sozinho no Real Madrid: pressão máxima no Bernabéu

Mesmo com a vitória nesta última quarta-feira (18), Xabi Alonso não conseguiu esconder a sua insatisfação com o resultado do Real Madrid diante do Talavera.  A imagem do espanhol diz muito, diz simplesmente tudo. Sentado no banco, olhar perdido, braços cruzados e nenhuma reação enquanto a sua equipe sofria mais do que deveria contra um adversário muito inferior, quase levando o jogo para a prorrogação. Aqueles minutos finais da partida pela Copa não foram apenas tensos para o torcedor, foram simbólicos. O treinador parecia isolado, distante, como alguém que já sente o peso do ambiente antes mesmo do apito final.

Publicamente, Xabi manteve o discurso protocolar, obviamente não vai dar mais corda para a situação. Disse que o objetivo era a classificação, lembrou que a Copa do Rei é traiçoeira, que esse tipo de jogo costuma ser complicado. Tudo certo no microfone. Mas nos bastidores, a história não é essa. O treinador saiu incomodado, irritado com a imagem do time, principalmente pela falta de controle emocional e tático nos minutos decisivos. E no Real Madrid, esse tipo de detalhe nunca passa despercebido.

Apoios cada vez mais raros

O problema para Xabi Alonso não está apenas dentro das quatro linhas. Fora de campo, o treinador está cada vez mais sozinho, pelo menos é o que parece. Nas altas esferas do clube, os apoios ao técnico basco já não enchem uma mão e ainda sobram dedos. A sensação é clara: a confiança da diretoria está por um fio, e qualquer tropeço pode ser fatal, depois de um belo início, paece que o gás acabou.

O clima é de avaliação constante. Não existe mais margem para “processo”, “tempo” ou “adaptação”. No Real , especialmente no banco, o relógio dá todos os indícios de andar mais rápido. E, neste momento, o futuro de Xabi Alonso depende diretamente dos próximos jogos.

O duelo contra o Sevilla, neste sábado, no Santiago Bernabéu, ganhou status de final antecipada, pelo menos para o profissional que hoje comanda o elenco. Uma derrota pode simplesmente acabar com o projeto antes mesmo de ele amadurecer. E não para por aí. Logo depois, já no início de 2026, o clássico contra o Betis aparece como mais um teste de fogo.

Mas atenção: não é só ganhar. Segundo informações já publicadas na imprensa espanhola, nem mesmo uma vitória sem convencer garante tranquilidade. Um empate ou até um triunfo com desempenho ruim, especialmente em casa, pode acelerar decisões drásticas. O Bernabéu não costuma perdoar futebol pobre, ainda mais com uma torcida que já não se encontra apaixonada por Xabi, e a diretoria muito menos.

A Supercopa como “prova final”

Internamente, o Real Madrid já teria definido a Supercopa da Espanha como o grande exame de Xabi Alonso. Um plano que não surgiu agora. Ele já andava sendo desenhado há semanas e segue firme, independentemente do sufoco em Talavera. A competição foi colocada como o momento-chave para avaliar se o treinador tem ou não o perfil ideal para liderar o clube em grandes decisões.

O problema é que esse plano pode nem chegar a ser executado. Se o Real Madrid tropeçar contra o Sevilla, tudo pode ir por água abaixo antes mesmo da Supercopa entrar em cena. No futebol de elite, e especialmente no Madrid, o futuro pode mudar em 90 minutos. Ou menos. É muito fácil lembrar da temporada passada, e ver o início de Kylian Mbappé sem títulos conquistados, mais uma temporada desta mesma forma, seria uma das maiores catastrofes do clube.

Um treinador pressionado… e sem escudo

O que mais chama atenção é a falta de um escudo para Xabi Alonso. Em outros momentos da história recente, treinadores pressionados ainda contavam com declarações públicas de apoio, discursos de estabilidade ou, pelo menos, silêncio estratégico. Agora, nem isso. O silêncio da diretoria soa mais como distanciamento do que confiança, quanto menos se fala, menos confiança tem sido colocada.

Xabi, que chegou cercado de expectativa, ideias modernas e a aura de ex-jogador respeitado, vê o crédito diminuir jogo após jogo. O futebol apresentado não empolga, o time oscila e a sensação é de que o treinador ainda não conseguiu imprimir sua identidade em um elenco que cobra respostas imediatas.

Treinar o Real Madrid nunca foi, e nunca será uma tarefa simples. Ali, o banco pesa mais do que em qualquer outro lugar. Não basta ganhar. É preciso convencer, dominar, impor respeito. E, principalmente, mostrar que se tem controle da situação mesmo nos momentos de sufoco, algo que faltou nos minutos finais contra o Talavera.

A cena de Xabi Alonso sentado, quase imóvel, virou um retrato cruel do momento. Um treinador pressionado, questionado e cada vez mais isolado. O futebol é rápido, impiedoso e sem memória afetiva. Ídolo como jogador, Xabi agora aprende, da forma mais dura possível, que o passado não protege ninguém no banco do Bernabéu.

Os próximos jogos dirão tudo. Ou quase tudo. Porque, neste momento, a sensação é clara: Xabi Alonso está cada vez mais só e o relógio não para de correr.

Foto: M. Berengui / Ap-LaPresse