Everton Balogun
Futebol Ligue 1 Premier League

Everton sai do mercado com menos do que entrou; entenda

O Everton transformou o último dia da janela de transferências em um verdadeiro desastre. Depois de vender jogadores importantes, quase negociar uma de suas maiores promessas e fracassar na tentativa de contratar Folarin Balogun, do Monaco, o clube agora vê a torcida se voltar contra a diretoria e os proprietários do The Friedkin Group.

A janela já havia sido turbulenta, mas o desfecho conseguiu elevar o nível da confusão. O Everton chegou aos últimos dias do mercado tentando encontrar soluções para problemas que se arrastavam há meses e terminou o período de transferências com um elenco menor e uma sensação generalizada de que o planejamento simplesmente não funcionou.

A negociação que resume o caos envolve Balogun.

O atacante do Monaco, hoje comandado por Filipe Luis, era o grande alvo para reforçar o setor ofensivo, mas a transferência, avaliada inicialmente em 40 milhões de libras, virou uma novela de poucas horas. Depois de problemas durante os exames médicos, o Everton tentou renegociar os termos do acordo com o clube francês.

O atacante norte-americano já estava no centro de treinamento de Finch Farm, com toda a documentação encaminhada, mas as mudanças na negociação causaram desconforto. Segundo o diretor esportivo do Monaco, Thiago Scuro, o jogador não se sentiu confortável com a forma como foi tratado pelo Everton durante o processo médico.

Resultado? Balogun deixou o centro de treinamento sem assinar contrato. E o Everton ficou sem atacante.

Everton tentou alternativas, mas nenhuma deu certo

O problema de Balogun levou o Everton a procurar soluções de última hora. Joshua Zirkzee, do Manchester United, foi um dos nomes buscados. O atacante estaria disposto a se transferir, mas o clube inglês não autorizou sua saída.

Tammy Abraham, do Aston Villa, também entrou no radar, mas a negociação não avançou porque o jogador desejava permanecer em Birmingham.

Sem conseguir um substituto, o Everton voltou a negociar com o Monaco e chegou a um novo acordo minutos antes do fechamento da janela. O formato seria diferente: um valor menor pago inicialmente e pagamentos adicionais condicionados ao desempenho do atacante.

Os termos pessoais de Balogun, no entanto, não haviam mudado.

Foi justamente nesse momento que o atacante decidiu desistir do negócio. Uma mudança de planos que deixou o Everton sem o reforço e, principalmente, expôs o quanto o clube dependia daquela negociação.

Everton contou com o ovo dentro da galinha

A situação ficou ainda pior porque o Everton já havia autorizado a saída de Beto para a Fiorentina por 15,5 milhões de libras. O clube também viu Iliman Ndiaye, seu melhor jogador, completar uma transferência de 65 milhões de libras para o Manchester City.

Portanto, o time comandado por David Moyes perdeu peças importantes e não conseguiu encontrar reposições consideradas suficientes. Ao final da janela, o técnico ficou com apenas um centroavante disponível: Thierno Barry. E o problema não para por aí.

O Everton conta com apenas 18 jogadores seniôres de linha no elenco. Na lateral direita, Ainsley Maitland-Niles é o único especialista da posição. Do outro lado, Vitaliy Mykolenko é o único lateral-esquerdo de origem após Adam Aznou ser emprestado ao Málaga.

Para um clube que chegou a vender a ideia de um elenco preparado para disputar posições mais altas na tabela, o cenário é, no mínimo, preocupante.

Declaração de dirigente voltou para assombrar o Everton

O contexto se tornou ainda mais complicado por causa de uma declaração recente de Angus Kinnear, diretor executivo do Everton.

Em entrevista à BBC Radio Merseyside, Kinnear afirmou que o elenco estava “em um bom lugar” e explicou que o objetivo era fechar a janela com “o melhor jogador possível” para cada posição necessária.

Após o fechamento do mercado, as palavras ganharam um peso completamente diferente.

O próprio dirigente também revelou que os donos do clube consideravam a ausência em competições europeias na última temporada como um “fracasso”. A declaração, segundo o texto-base, surpreendeu até David Moyes.

Agora, o termo fracasso voltou com força, mas direcionado à condução do mercado.

O treinador escocês, inclusive, já havia deixado claro que não estava satisfeito. Após a vitória sobre o Preston North End, pela Copa da Liga Inglesa, Moyes afirmou que ainda havia muito trabalho a fazer e que o elenco precisava de mais jogadores e qualidade em algumas posições.

A janela fechou. Os reforços que ele pediu, não chegaram.

Harrison Armstrong e o risco de uma crise ainda maior

O fracasso na contratação de Balogun veio pouco depois de outro episódio que gerou forte reação dos torcedores.

O Everton havia encaminhado a venda de Harrison Armstrong, uma das maiores promessas formadas pelo clube, para o Nottingham Forest. A reação da torcida foi tão negativa que a diretoria decidiu bloquear o negócio.

Aos 19 anos, Armstrong é visto como um dos talentos mais promissores revelados pelo Everton desde Wayne Rooney. A possibilidade de perdê-lo revoltou os torcedores, especialmente em um momento no qual o clube já estava se desfazendo de outros jogadores.

O recuo evitou uma crise ainda maior. Mas, poucas horas depois, o Everton entrou em outra.

Everton foi bem na janela, mas saldo final é preocupante

Nem tudo foi negativo no mercado. O Everton conseguiu o retorno de Jack Grealish por empréstimo e contratou Ainsley Maitland-Niles, do Lyon, por 3 milhões de libras.

O clube também trouxe Hayden Hackney, eleito Jogador da Temporada da Championship pela PFA, além de Christian Norgaard, que chegou do Arsenal para substituir Idrissa Gueye.

Merlin Rohl e Tyrique George também foram contratados, enquanto Brennan Johnson chegou do Crystal Palace em uma troca direta que envolveu Dwight McNeil.

Na lateral direita, o Everton ainda tentou contratar Kenny Tete, do Fulham, mas o acordo acabou não sendo concluído porque os londrinos não encontraram um substituto adequado. Maitland-Niles só foi anunciado oficialmente após a meia-noite.

Mesmo com alguns reforços, o sentimento entre os torcedores é claro: o Everton terminou a janela mais fraco do que começou.

Torcida do Everton entra em revolta

As consequências começaram imediatamente.

O Everton Fans’ Forum divulgou um longo comunicado criticando o planejamento do clube e afirmou que o elenco ficou “perigosamente curto” em posições importantes. O grupo deixou claro que a revolta não está relacionada a exigir contratações caras ou gastos irresponsáveis.

A cobrança é por planejamento, competência e responsabilidade.

Outro grupo importante, o The 1878s, responsável pela criação de bandeiras, mosaicos e tifos no Hill Dickinson Stadium, anunciou que deixará suas atividades por tempo indeterminado como forma de protesto.

A mensagem foi dura e mostrou o tamanho do desgaste entre o clube e seus próprios torcedores. Uma petição pedindo a saída de Angus Kinnear também foi criada, enquanto a pressão sobre o The Friedkin Group aumentou consideravelmente.

David Moyes e Everton entram em período decisivo

A grande preocupação agora é esportiva. O Everton investiu durante a janela, fez algumas contratações interessantes e conseguiu resolver problemas antigos, mas o saldo final ficou completamente manchado pelo que aconteceu nos últimos dias.

A saída de Beto, a venda de Ndiaye, a tentativa de negociar Harrison Armstrong e o fracasso na contratação de Balogun criaram uma sequência de acontecimentos difícil de defender.

O clube pode argumentar que Balogun tomou uma decisão que não estava em suas mãos. Isso é verdade. Mas a pergunta feita pela própria torcida é mais ampla: por que o Everton deixou problemas tão importantes para serem resolvidos no último dia da janela?

Quando uma contratação falha na reta final, ainda existe uma alternativa. Quando várias negociações dependem das últimas horas, o risco aumenta. E, no caso do Everton, o risco virou um desastre.

Agora, David Moyes terá que trabalhar com um elenco curto, enquanto os proprietários e a diretoria enfrentam uma crise de confiança com a torcida.

O Everton começou a janela prometendo evolução. Terminou com protestos, um elenco desequilibrado e uma contratação fracassada que virou símbolo de um mercado inteiro. E o pior para os donos do clube é que, desta vez, a paciência da torcida parece ter acabado antes mesmo de a temporada realmente entrar em sua fase decisiva.