A janela de transferências de janeiro costuma dividir opiniões no mundo inteiro, e obviamente, não seria diferente na Premier League. Diante do papel claro de corrigir erros que ficaram evidentes na primeira metade da temporada. Não é o momento de reformular elencos, e sim de ajustar peças para evitar que problemas pontuais comprometam objetivos maiores, ou melhor, continuar no caminho errado, sabendo que ele está incorreto.
Com metade da temporada 2025/26 já disputada, alguns clubes aparecem consolidados, outros seguem em reconstrução, mas praticamente todos têm ao menos uma posição que pede atenção imediata. A seguir, analisamos uma carência principal dos principais times da Premier League, com base no desempenho recente, no contexto do elenco e nas exigências do campeonato.
Premier League e o caminho das pedras desta janela
Arsenal – Falta profundidade nas laterais
O Arsenal chega a janeiro em posição confortável na tabela da Premier League e com um elenco equilibrado. Ainda assim, há um ponto frágil: a lateral. Mikel Arteta optou, mais uma vez, por soluções híbridas, utilizando zagueiros adaptados nas laterais, muito por conta de ter focado reforços em outros setores do campo.
Ben White, Jurrien Timber e Riccardo Calafiori cumprem bem esse papel, mas o problema surge quando as lesões se acumulam, o que tem sido comum. White sofre fisicamente, Calafiori está fora, Piero Hincapié também não está disponível, e Myles Lewis-Skelly aparece como única opção mais natural, embora não seja consenso nem mesmo internamente, após ter caído de produção.
Em um campeonato tão físico quanto a Premier League, depender de improvisos constantes aumenta o risco. O interesse em Marc Guéhi reforça a ideia de que o clube busca mais um defensor versátil, e não necessariamente um lateral clássico.
Aston Villa – Dependência excessiva de Ollie Watkins
O Aston Villa vive mais uma temporada competitiva sob o comando de Unai Emery na Premier League, mas a ausência de um reserva confiável para Ollie Watkins segue sendo um problema. O inglês joga praticamente sem descanso, e isso cobra um preço ao longo do calendário.
Brian Madjo chegou como aposta de futuro, mas, aos 17 anos, não pode ser tratado como solução imediata. Desde a saída de Jhon Durán, o clube não encontrou um substituto à altura. Donyell Malen chegou a atuar centralizado, mas já deixou o elenco.
Nesse cenário, a busca por um atacante experiente faz sentido. O nome de Tammy Abraham aparece como alternativa viável para dividir minutos e aliviar a carga sobre Watkins, algo essencial para manter o nível competitivo até o fim da temporada.
Chelsea – Meio-campo sobrecarregado
Mesmo com um elenco numeroso, o Chelsea apresenta um desequilíbrio claro no meio-campo. Enzo Fernández lidera o time em minutos, Caicedo também atua acima do planejado, enquanto Romeo Lavia segue convivendo com problemas físicos.
Andrey Santos aparece como opção, mas ainda sem sequência como titular, devido a difícil competição por espaço dentro das quatro linhas. O efeito colateral disso é a necessidade de improvisações, com laterais atuando por dentro em alguns momentos, como é o caso de Reece James, que se tornou uma ótima opção para a posição de volante.
Para um time que precisa voltar a conquistar um título da Premier League, adicionar mais uma opção confiável no setor central permitiria uma melhor rotação e reduziria o desgaste dos principais jogadores.
Liverpool – Defesa sem margem para erro
O Liverpool manteve competitividade, mas a defesa opera no limite, com grande situações que esteve abaixo. Virgil van Dijk e Ibrahima Konaté iniciaram todos os jogos do campeonato como dupla titular, algo raro em um calendário tão intenso.
Joe Gomez segue lidando com lesões, Giovanni Leoni perdeu a temporada logo na estreia, e Conor Bradley também está fora. A falta de alternativas obriga Arne Slot a manter a mesma estrutura, independentemente do desgaste, porque o foco da última janela foi o sistema ofensivo, tirando o nome de Kerkez desta conversa.
O cenário aponta para a necessidade de um defensor que possa atuar tanto como zagueiro quanto como lateral-direito. Ainda assim, o clube da Premier League indica que deve segurar qualquer movimento mais significativo para o mercado de verão.
Manchester City – Improviso na lateral direita
Desde a saída de Kyle Walker, o Manchester City não encontrou um substituto natural para a lateral direita. Matheus Nunes tem sido utilizado no setor e cumprido a função, mas trata-se claramente de uma adaptação, ou até uma forçação de barra, porque Guardiola decidiu que as coisas acontecessem desta forma.
Nunes até teve ótimos momentos como meio-campista na Premier League, mas o treinador espanhol decidiu que o melhor para ele era a lateral-direita. Crescendo a dúvida se seria para o atleta, ou para Guardiola neste caso. Por bem ou por mal, tem feito alguns jogos sólidos, e quebrado um tremendo galho pros Sky Blues, mas as vezes, ele comete alguns erros, que atormetam a cabeça de todos os envolvidos.
Manchester United – Meio-campo ainda é problema
Poucas questões são tão recorrentes no Manchester United quanto a fragilidade no meio-campo. A situação atual não foge à regra, é claro. Casemiro está em fim de contrato, Ugarte não se firmou na Premier League, e Bruno Fernandes se encontra machucado.
Kobbie Mainoo deve ganhar mais espaço, mas o elenco carece de profundidade e alternativas confiáveis para o setor. Mesmo com um treinador interino, é uma área que exige atenção imediata, ainda que a solução definitiva fique para o próximo mercado. Já se foi falado em Carlos Baleba, Koné, e entre outras peças, mas essas movimentações, dificilmente acontecerão no meio de uma temporada, devido aos altos valores que devem ser colocados na mesa.
Tottenham – Falta criação pelos lados
Os números ofensivos do Tottenham são preocupantes. A equipe produz pouco, cria menos ainda, e sofre para levar a bola a zonas perigosas do campo, é difícil considerar que Thomas Frank esteja fazendo um bom trabalho em Londres.
A lesão de Mohammed Kudus agravou o problema, que já era grande. Ele era o principal jogador em questão de drible e criação do time. Sem ele, o ataque ficou previsível, e as opções de elenco são limitadas, sem esquecer do fato de Xavi Simons ter sido expulso de forma direta contra o Liverpool, logo contaram com menos uma peça de destaque nesses últimos jogos.
Se não conseguir reforçar o meio com um organizador, a alternativa mais realista é buscar um ponta criativo que ofereça profundidade e desequilíbrio. Vamos se esse nome sai da Premier League, ou será encontrado por meio de outros campeonatos.
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