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Manchester City dá aula de mercado em janeiro; Confira

O Manchester City resolveu transformar o mercado de janeiro em palco de aula prática. Enquanto boa parte dos rivais da Premier League optou pelo “deixa como está para ver no que dá”, ou ter cair mais cautela ao se mexer, o clube de Pep Guardiola foi lá e agiu como quem sabe exatamente o que quer, e quando quer. A contratação de Marc Guehi, praticamente sacramentada junto ao Crystal Palace, é mais do que um reforço pontual: é uma demonstração de força, timing e leitura de mercado digna de manual.

Se janeiro costuma ser sinônimo de desespero, improviso e preços inflacionados, o City conseguiu virar esse roteiro do avesso. Primeiro, garantiu Antoine Semenyo, pagando a multa rescisória e evitando novela. Depois, partiu para o golpe mais cirúrgico da janela: Guehi por cerca de £20 milhões, valor que beira o inacreditável quando se analisa o contexto, simplesmente um nome cativo na Seleção Inglesa.

Manchester City domina janeiro enquanto rivais observam

A Premier League é uma liga onde ficar parado costuma custar caro. Ainda assim, Arsenal, Liverpool e outros concorrentes diretos do City passaram o mês praticamente inertes. Guardiola e a diretoria, por outro lado, entenderam que o momento exigia ação, especialmente diante de uma crise defensiva causada por lesões, o que tem custado parte da temporada.

O resultado? O City foi ao mercado e contratou dois jogadores que seus rivais gostariam de ter. Semenyo já chegou mostrando serviço: dois gols e uma assistência em apenas três jogos. Impacto imediato, sem período de adaptação e sem drama. Tudo aquilo que Pep ama, e com certeza, qualquer treinador do mundo.

Mas se o ganês foi eficiência, Marc Guehi é estratégia pura.

Marc Guehi: o “achado” de £20 milhões 

Contratar um zagueiro titular da seleção inglesa, com experiência de Premier League, liderança comprovada e capacidade de saída de bola, por £20 milhões… soa como fake news do X às três da manhã. Mas não é, está muito longe de ser.

Segundo a Sky Sports, o acordo com o Crystal Palace gira em torno desse valor, com bônus modestos incluídos. Para efeito de comparação, clubes já pagaram cifras semelhantes por reservas sem rodagem na liga. Aqui, o City leva um defensor pronto, no auge físico e mental, muito se diz pelo trabalho da diretoria dos Eagles, que foi simplesmente de baixíssimo nível, não se prepararam pra esse cenário.

O detalhe que deixa o negócio ainda mais impressionante: Guehi era fortemente cobiçado pelo Liverpool, quase se transferiu no começo desta temporada. Mesmo assim, o Manchester City foi mais rápido, mais agressivo e mais convincente. Resultado: Etihad Stadium na frente, Anfield só assistindo de casa.

A irritação no Palace e o preço do timing

Nem todo mundo saiu feliz dessa história. O técnico do Crystal Palace, Oliver Glasner, não escondeu sua indignação ao perder o capitão do time praticamente na véspera de um jogo. Ainda mais numa altura da temporada em que todos os confrontos são importantíssimos.

“Não consigo entender. Estamos nos preparando, e de repente me dizem que nosso capitão será vendido”, disparou à Sky Sports. A revolta é compreensível e, paradoxalmente, reforça o mérito do Manchester City neste negócio. Aproveitar o momento certo, mesmo que desconfortável para o outro lado, também faz parte do jogo.

Para entender o tamanho do acerto, basta olhar para outros movimentos recentes do mercado. O Real Madrid, por exemplo, pagou cerca de €10 milhões ao Liverpool apenas para ter Trent Alexander-Arnold um mês antes do fim do contrato, visando a Copa do Mundo de Clubes.

O City, por sua vez, garante meia temporada inteira de um zagueiro de elite, por algo em torno de €23 milhões. E tem mais: Guehi é avaliado em simplesmente €43,6 milhões, quase o dobro do que o clube inglês vai desembolsar agora.

Mesmo com menos de seis meses restantes de contrato, Guehi ainda é considerado o 12º zagueiro construtor mais valioso do mundo. Não é aposta. É realidade, o que reforça ainda o ponto de ser um achado.

Guardiola aprendeu com os erros e isso muda tudo

O contraste com janeiro passado é gritante. Na última temporada, o Manchester City gastou mais de €200 milhões em nomes como Omar Marmoush, Nico González, Khusanov e Vitor Reis. Talento havia, mas faltava algo essencial: experiência na Premier League, não se trata apenas de contratar jogador de qualidade, é necessário que eles saibam onde estão pisando.

O resultado foi um retorno abaixo do esperado. Nico até se aproximou do investimento, mas o pacote como um todo ficou aquém, deixando apenas Marmoush em destaque, porque o atacante fez chover em pouquíssimo tempo.

Agora, a lógica mudou. Menos nomes, menos gasto, mais encaixe. Semenyo e Guehi chegam prontos, conhecem a liga, entendem o ritmo e não precisam de tradução tática, acabam tendo papéis muito semelhantes com o que o Manchester City tem procurado.

A contratação de Marc Guehi resume perfeitamente o novo momento dos Sky Blues no mercado: menos barulho, mais precisão. Ele chega para ser um upgrade imediato, resolve um problema real do elenco e ainda mantém margem para ser útil no médio prazo. Estamos falando de um elenco que sofreu fortemente com as lesões no sistema defensivo, e agora, uma nova peça soma o grupo para já chegar como titular.

Foto: IMAGO