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Futebol

Por que o Santos terá um teste difícil de sua evolução contra o Novorizontino?

O Santos chega às quartas de final do Campeonato Paulista embalado por duas vitórias importantes. Após bater o Noroeste por 2 a 1, fora de casa, o Peixe atropelou o Velo Clube por 6 a 0, em atuação convincente. Os resultados indicaram uma evolução clara do time comandado por Juan Pablo Vojvoda, especialmente no setor ofensivo. Ao mesmo tempo, porém, impuseram um novo desafio: sustentar o nível diante de um adversário mais estruturado e competitivo.

A partir das 16 horas (de Brasília) deste domingo (22), o Santos visita o Novorizontino, no Estádio Jorge Ismael de Biasi, em confronto único pelas quartas de final do Paulistão. Para provar que realmente deixou para trás o período de instabilidade, o Santos terá que superar o Tigre do Vale em um cenário adverso. A missão está longe de ser simples.

A força do Novorizontino em casa

O time comandado por Enderson Moreira terminou a primeira fase na liderança do grupo, com 16 pontos em oito rodadas. Mais do que a pontuação, chamou atenção a consistência. O Novorizontino fez do Jorge Ismael de Biasi um verdadeiro trunfo. Das 5 vitórias obtidas em 2026, quatro ocorreram em seus domínios. Em uma delas, o Tigre goleou o Palmeiras, evidenciando que consegue competir em alto nível contra elencos mais badalados.

A invencibilidade como mandante já ultrapassa seis meses. A última derrota em casa foi em 14 de agosto, diante do Coritiba, pela Campeonato Brasileiro Série B. Desde então, o Novorizontino soma sete vitórias e quatro empates em seu estádio. Trata-se de uma sequência que reforça a confiança do grupo e aumenta a pressão sobre qualquer visitante.

O contraste com o Santos é evidente. Longe da Vila Belmiro, o desempenho do time da Baixada Santista preocupa. Considerando também partidas do Brasileirão, o Santos acumula quatro derrotas, um empate e apenas uma vitória como visitante neste ano. A fragilidade fora de casa tem sido um obstáculo recorrente. Em mata-mata, onde o erro costuma ser decisivo, essa vulnerabilidade pode custar caro.

Conjunto forte e competitivo

O Novorizontino não se destaca apenas pelos números caseiros. A equipe apresenta um conjunto sólido, com características bem definidas. A força física é um dos pilares: o time impõe intensidade na marcação, disputa cada bola e mantém ritmo elevado durante os 90 minutos. A compactação entre linhas dificulta infiltrações e obriga o adversário a circular a bola sem encontrar espaços claros.

Ofensivamente, os números também impressionam. Foram 16 gols marcados em oito partidas nesta temporada, média de dois por jogo. A produtividade não se resume a um atleta específico; trata-se de um sistema que distribui responsabilidades e aproveita bem as transições. Quando recupera a posse, o Novorizontino acelera com objetividade, explorando falhas na recomposição adversária.

Esse padrão não surgiu agora. Nas últimas duas edições da Série B, o clube ficou muito próximo do acesso à elite nacional. Em diversos momentos, apresentou desempenho digno de equipes da primeira divisão. A manutenção de uma base e a continuidade do trabalho ajudam a explicar a regularidade. Diante disso, o Santos não enfrentará apenas um time em boa fase, mas um projeto consolidado.

Prova de maturidade para o Santos

O desafio para o Santos vai além do aspecto tático. As vitórias sobre Noroeste e Velo Clube, embora expressivas, ocorreram contra equipes que terminaram a fase inicial em posições modestas — o Noroeste foi o 14º colocado, enquanto o Velo acabou rebaixado. O salto competitivo agora é significativo. Enfrentar o Novorizontino, fora de casa, exigirá concentração máxima e consistência ao longo de toda a partida.

Há ainda fatores extracampo. O Santos sofreu recentemente um transfer ban, que o impede de registrar novos atletas. Isso significa que Vojvoda não contará com reforços para o mata-mata do Paulistão. O elenco precisará responder com as peças disponíveis, elevando o nível coletivo.

A volta de Neymar adiciona qualidade e protagonismo, mas o camisa 10 ainda está distante do auge físico. A responsabilidade, portanto, não pode recair apenas sobre ele. Para avançar à semifinal e manter vivo o sonho do título, o Santos terá de mostrar que evoluiu de fato: defensivamente mais seguro, mentalmente mais estável e competitivo mesmo sob pressão.

Se conseguir superar o Novorizontino em seu estádio, o Santos enviará um recado claro de que reencontrou o caminho. Caso contrário, ficará a sensação de que as vitórias recentes mascararam problemas que ainda persistem. O teste é duro — e revelador.

Foto: Divulgação/Santos