Após adquirir a estrutura da Sauber, a Audi faz sua estreia na Fórmula 1 em 2026. A fabricante manteve a dupla formada por Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg para a temporada, que marca o início de um novo regulamento técnico. Surge então o questionamento: qual parte do pelotão eles irão ocupar nas corridas?
Sob o nome anterior, o carro de 2025 teve um início pouco competitivo, mas, após atualizações feitas a partir do GP da Espanha, o pacote melhorou significativamente e deu condições de brigar pelo top-10 de forma consistente. O ápice do ano para a Audi veio em Silverstone, quando Hülkenberg conquistou seu tão aguardado primeiro pódio na categoria, em terceiro lugar.
O R26 será o carro da dupla nesta temporada, agora produzido e operado, do motor à carenagem, pela equipe alemã, e irá à pista dentro de duas semanas no GP da Austrália, que abre o campeonato.
Pré-temporada sólida da Audi oferece boas expectativas
Diferentemente do shakedown coletivo realizado em Barcelona, quando teve pequenos problemas que limitaram sua operação, a Audi finalizou os testes do Bahrein de maneira positiva. Ao todo, Bortoleto e Hülkenberg percorreram 711 voltas ao longo da pré-temporada, número maior que o das rivais Williams, Cadillac e Aston Martin.
Agora como fabricante e não mais dependente da Ferrari, a Audi desenvolveu um motor que oferece bons indícios de confiabilidade. Apenas um problema pequeno foi observado em Sakhir, e a quilometragem média obtida foi similar à das unidades de potência da Red Bull Ford, Ferrari e Mercedes.
Embora tempos de volta não sejam tão relevantes na pré-temporada, quando nunca é possível saber com precisão qual é o plano de cada equipe, a montadora alemã terminou as duas semanas de teste bem colocada. No compilado da primeira semana, Hülkenberg e Bortoleto foram o 12º e 13º mais rápidos, respectivamente, e, na segunda, o brasileiro foi o décimo, enquanto o alemão repetiu a performance.
Em relação às expectativas, o piloto nascido em Osasco demonstra confiança e otimismo. Ele reconhece que a Audi não brigará no topo, ao menos nesta primeira temporada, mas tem uma base sólida para desenvolver em 2026. Para ele, a confiabilidade nos testes é um forte indicativo de que estão no caminho certo.
A fabricante acerta em cheio ao apostar em uma dupla que equilibra experiência com ambição para sua temporada de estreia. Especialmente porque, no caso de Bortoleto e Hülkenberg, os dois se dão extremamente bem dentro e fora da pista. A cooperação entre um dos pilotos mais confiáveis do grid com uma promessa em ascensão deve render bons frutos no curto, médio e, por que não, longo prazo.
Nos últimos dois anos, o time se reforçou também na equipe técnica, em preparação para sua entrada na F1 como montadora. Nomes com experiência em times de ponta chegaram ao projeto, como o chefe da equipe, Jonathan Wheatley, advindo da Red Bull, além do diretor Mattia Binotto (ex-Ferrari).

Top-4 muito à frente do resto
Outro indício forte da pré-temporada é a continuação da superioridade de Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull (não exatamente nesta ordem) em relação ao pelotão do meio. Margens de cerca de um segundo entre carros dessas equipes e os das demais, em condições de pneu e pista similares.
Com a disparidade das quatro à vista, a briga da Audi, em condições normais, tende a ser pelas 9ª e 10ª posições, junto às outras equipes do meio que também obtiveram êxito no programa de testes. Uma das mais destacadas tem sido a Haas, que conseguiu a segunda maior quilometragem da pré-temporada e emplacou boas voltas com Esteban Ocon e Oliver Bearman.
A imprensa também tece elogios à Alpine e à Racing Bulls, que não enfrentaram muitas turbulências nos testes e aparentam ter feito um bom trabalho. A equipe francesa ainda conta com o trunfo de ser cliente da Mercedes, que supostamente tem o motor mais forte, graças a uma brecha no regulamento em relação às taxas de compressão.
Tudo isso, entretanto, é pura especulação e pode se tornar simplesmente inútil quando os carros forem à pista em Melbourne.
(Foto principal: Giuseppe Cacace/AFP)