A temporada 2026 da Fórmula 1 não começou, mas a expectativa para saber quem ditará o ritmo sob o novo regulamento já agita o paddock. Atual campeão, Lando Norris admitiu, durante os testes de pré-temporada realizados no Bahrein nesta semana, que a McLaren está atrás da Red Bull. Para o britânico, a rival leva vantagem no gerenciamento de energia, em uma era onde a parte elétrica será responsável por praticamente metade da potência dos motores.
Embora os testes que antecedem a abertura do campeonato não sejam um indicador totalmente confiável, o paddock reconhece que a batalha pela ponta na nova era pode ficar entre a Mercedes e a Red Bull. Além de Norris, os diretores Zak Brown (McLaren) e Toto Wolff (Mercedes) fizeram comentários positivos sobre a unidade de potência da equipe austríaca, fornecida pela Ford. Por outro lado, as Flechas de Prata, que lideraram o shakedown realizado de janeiro em Barcelona e o último dia de testes em Sakhir, são apontadas como favoritas pelas casas de apostas.
A McLaren, apesar de competitiva, ainda não parece ter encontrado seu lugar em termos de expectativa. Ausente no primeiro dia em Barcelona, a equipe papaya liderou o primeiro dia de testes na quarta-feira (11). Norris reduziu o otimismo e disse que a equipe precisa melhorar em alguns aspectos, tanto por parte deles quanto da Mercedes, que fornece motor para o time de Woking, sem entrar em detalhes.
As declarações podem ser interpretadas como dispersões de foco. Nenhuma equipe gostaria de ir para a abertura da temporada com o rótulo de nome a ser batido. Enquanto Wolff jogou no colo da Red Bull o papel de favorita, Max Verstappen não só desconversou os comentários precoces e criticou os novos carros, que classificou como um “Fórmula E com esteroides”.
Expectativa x realidade na pré-temporada
Ao longo dos anos, algo que os fãs de F1 aprenderam é que os testes podem significar tudo ou nada. No passado, era comum a prática de times menores andarem com o carro fora do regulamento e com o tanque vazio para chamar atrair patrocinadores, como a Arrows em 2000 e a Prost GP em 2001. A história também já viu oposto, a exemplo da Mercedes em 2022, que sofreu problemas severos de porpoising desde a primeira ida à pista, mas deu passos atrás, evoluiu e conseguiu até salvar uma vitória no GP de São Paulo.
Em contexto semelhante, no início da era híbrida, em 2014, já se sabia que a Mercedes tinha uma vantagem sobre os adversários, mas a Ferrari chegou a aparecer com destaque nos testes realizados em Jerez de la Frontera, enquanto a Red Bull e as demais equipes de motor Renault mal andaram, com problemas sérios de confiabilidade. Ainda assim, a temporada revelou um passeio muito maior do que se imaginava dos alemães, e as duas únicas vitórias não-Mercedes foram, justamente, da Red Bull. A Ferrari foi a quarta força com somente duas idas ao pódio.
Poucas certezas são absolutas na pré-temporada, mas é fundamental ficar atento aos sinais e indícios. Caso o conjunto Red Bull-Ford realmente tenha vantagem na força elétrica, como sugere Norris, poderá iniciar mais uma era da Fórmula 1 como força dominante. O prognóstico, porém, ainda parece favorável à Mercedes.
Os testes do Bahrein
No primeiro dia, Verstappen liderou a parte matinal da sessão com 1m35s433. À tarde, o holandês seguia em vantagem, até que Norris registrou 1m34s669 e tomou a ponta, já perto do fim da sessão. Com só um dos carros da Red Bull indo à pista, o tetracampeão terminou o dia como o piloto que mais deu voltas.
Na quinta-feira (12), foi a vez de Charles Leclerc, em um programa de um único carro gerido pela Ferrari, liderar o segundo dia de testes. O monegasco marcou 1m34s273 pela manhã, marca que permaneceu imbatível até o fim do dia. Norris ficou logo atrás, a meio segundo. A Mercedes sofreu problemas na unidade de potência pela manhã com Antonelli, que só conseguiu andar três voltas, resolvidos a tempo de Russell assumir o carro na parte final.
Por fim, os flechas de prata finalizaram a pré-temporada com uma dobradinha, liderada por Antonelli. A volta de 1m33s669 registrada pelo italiano na sessão vespertina superou a marca de 1m33s918s feita pelo companheiro e foi a volta mais rápida dentre os três dias de teste. Hamilton apareceu em terceiro, logo à frente da McLaren de Oscar Piastri e das Red Bulls de Isack Hadjar e Verstappen.


