João Basso nos treinamentos do Santos. Foto: Raul Baretta/Santos FC
Futebol Brasileirão

Saída de João Basso vira alívio no Santos e expõe limite de influência de Neymar

Na última terça-feira (03), o Santos oficializou a rescisão contratual de João Basso em comum acordo. A saída do zagueiro gerou repercussão interna e pública após críticas de Neymar, o que acabou desgastando a relação entre o camisa 10 e a diretoria santista.

Em meio ao cenário turbulento, porém, o desligamento também representa um movimento da diretoria para reduzir a influência do principal jogador do elenco nas decisões administrativas — além de aliviar o elenco de um atleta que já não vinha sendo aproveitado com frequência.

Chegada cercada de expectativa

Basso chegou ao Santos em 2023, contratado junto ao Arouca, de Portugal. Naquele mesmo ano, porém, o clube viveu o momento mais traumático de sua história recente: o primeiro rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro.

Durante a campanha, o zagueiro foi alvo frequente de críticas por erros individuais em momentos decisivos. Em 2024, já em meio ao processo de reformulação do elenco, a diretoria optou por emprestar o defensor ao Estoril Praia, equipe pela qual ele já havia atuado anteriormente.

Pouco espaço e contestação

Após o fim do empréstimo, Basso retornou ao clube da Vila Belmiro, mas o desempenho não apresentou evolução significativa. No segundo semestre da Série B, o zagueiro disputou oito partidas, marcou dois gols e deu uma assistência — números que, à primeira vista, podem sugerir impacto ofensivo, mas que não refletem seu rendimento defensivo.

Em 2025, com a chegada de Neymar, o defensor passou a ter maior proximidade com o craque, relação que lhe garantiu certo prestígio interno.

Com isso, suas aparições em campo tornaram-se mais frequentes. Nos bastidores, havia a percepção de que o peso da opinião do camisa 10 influenciava decisões esportivas do clube.

Mesmo com esse respaldo, as atuações de Basso seguiram sendo alvo de críticas. Em 2025, o defensor participou de 11 jogos e apenas uma dessas partidas terminou sem gols sofridos pelo Santos. Além disso, acumulou três cartões amarelos e frequentemente foi superado em duelos individuais. O resultado foi um ambiente crescente de desconfiança por parte da torcida.

Fim de ciclo

Ao longo da temporada, o Santos testou diferentes formações defensivas, mas Basso nunca conseguiu se firmar. O zagueiro perdeu espaço nas rotações que incluíram nomes como Adonis Frías, Luan Peres e Zé Ivaldo.

A chegada de Lucas Veríssimo na última janela praticamente encerrou qualquer possibilidade de continuidade no elenco comandado por Juan Pablo Vojvoda. Fora dos planos da comissão técnica e sem espaço no grupo, a rescisão acabou sendo o desfecho natural.

Recado interno da diretoria

Internamente, a decisão também carrega um simbolismo político. Há consenso dentro do clube de que Neymar não pode assumir protagonismo em decisões administrativas que cabem à diretoria do Santos.

Na gestão do presidente Marcelo Teixeira, a tendência é reduzir esse tipo de interferência e estabelecer critérios mais técnicos na condução do futebol. O perfil da atual administração aponta para menos “coleguismo” e maior rigor nas escolhas esportivas.

Nesse contexto, a saída de João Basso representa não apenas o desligamento de um jogador pouco utilizado, mas também um recado institucional: reforçar a autonomia da diretoria e redefinir os limites de influência dentro do clube.

Créditos da foto de capa: Raul Baretta/Santos FC