Cuca Santos
Futebol Copa do Brasil

Santos mostra problemas em derrota acachapante; ausência de Neymar é realmente o maior deles?

A derrota por 3 a 0 para o Palmeiras, na noite de quarta-feira (26), pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, expôs problemas do Santos que vão muito além da ausência de Neymar.

O resultado deixa o Peixe em situação complicada para o jogo de volta, marcado para a próxima quarta-feira (2), às 21h30, na Vila Belmiro. Para avançar, será necessário devolver a diferença de três gols.

Antes de pensar na reação, porém, Cuca terá bastante coisa para corrigir.

Santos perdeu o controle depois do primeiro gol

A proposta inicial do Santos fazia sentido. Cuca montou a equipe pensando em fechar os espaços e explorar os contra-ataques, aproveitando os momentos em que o Palmeiras deixasse campo para atacar.

O problema é que o plano praticamente desapareceu depois dos 33 minutos, quando Flaco López abriu o placar. Até ali, o Santos conseguia manter alguma organização. Depois do gol, passou a atacar de maneira mais desordenada e abriu justamente o espaço que o Palmeiras queria.

A entrada de Rony no lugar de Rollheiser também não ajudou. O argentino era um dos poucos jogadores capazes de pensar o jogo pelo meio, encontrar passes e fazer a ligação com o ataque. Ao tirá-lo, o Santos perdeu uma peça importante para tentar construir as jogadas.

Sem essa referência, a equipe passou a depender de bolas mais diretas e ataques pouco coordenados. Ao se lançar para frente sem organização, deixou o contra-ataque aberto para um Palmeiras que sabe muito bem aproveitar esse tipo de situação.

O Santos terminou exposto, sem conseguir construir desde trás e com pouca capacidade para incomodar o adversário.

Neymar faria diferença, mas não resolveria tudo

Neymar certamente faria diferença. O camisa 10 soma oito gols e oito assistências em 22 partidas na temporada e é um dos jogadores do elenco com maior capacidade para mudar uma partida.

Sua ausência, por questão física, foi sentida principalmente na criação. Faltou alguém capaz de receber a bola entre as linhas, acelerar uma jogada ou encontrar um passe diferente.

Só que colocar toda a derrota na conta do craque seria simplificar demais o problema.

Neymar melhora o Santos e muitas vezes consegue resolver situações sozinho. A questão é o quanto sua presença também acaba escondendo deficiências do time. Contra o Palmeiras, sem ele, essas dificuldades ficaram escancaradas.

Os problemas do Santos vão além do camisa 10

A fragilidade defensiva é talvez o ponto que mais preocupa. O Santos sofreu com falhas individuais, posicionamento ruim e dificuldade para recompor depois de perder a bola. Contra um Palmeiras com qualidade para acelerar pelos lados e atacar os espaços, isso se torna ainda mais perigoso.

Também faltou intensidade. Cuca já havia cobrado uma postura mais competitiva da equipe em outros momentos da temporada, mas o Santos voltou a apresentar momentos de apatia. Quando o Palmeiras aumentou a pressão, o time não encontrou resposta.

Há ainda uma dependência muito grande das principais referências técnicas.

Gabigol, artilheiro do Santos na temporada com 17 gols, começou no banco e entrou apenas no segundo tempo, quando o Palmeiras já vencia por 2 a 0. Sem Neymar e com o principal goleador fora desde o início, o Santos perdeu ainda mais capacidade para mudar o cenário ofensivo.

Isso não significa que Cuca tenha errado ao preservar jogadores ou escolher a escalação. O problema é que o jogo mostrou como o elenco sofre quando algumas dessas peças não estão disponíveis.

Cuca precisa encontrar respostas

O jogo de volta ainda está aberto, mas o Santos terá de apresentar uma versão completamente diferente para tentar buscar a classificação. E não se trata apenas de fazer três gols.

Será preciso recuperar organização, melhorar a saída de bola, proteger a defesa e encontrar uma maneira de atacar sem deixar tantos espaços para o adversário.

Neymar pode voltar e, naturalmente, elevar o nível técnico da equipe. Só que a principal resposta que Cuca precisa encontrar está no coletivo.

O Santos precisa conseguir competir quando seu camisa 10 não estiver em campo. A derrota para o Palmeiras foi pesada justamente porque mostrou que a ausência de Neymar é um problema, mas não é o único problema do Santos. E talvez nem seja o maior deles.

Foto :Raul Baretta/ Santos FC. / Divulgação