Depois de 13 anos, o Brasil está de volta ao palco principal do World Baseball Classic. Assim como foi em 2013, estreia contra os donos da casa de sua chave, os Estados Unidos. A derrota por 15-5 será interpretada por diferentes pontos de vista.
O jogo
O duelo era o mais desequilibrado do grupo B. Os Estados Unidos, jogando com sua melhor seleção em uma edição do WBC, era muito favorito com as casas de apostas colocando 53% de chances de vitória americana por 10 corridas ou mais. Os “visitantes” no Dailin Park mostraram a que veio nos primeiros duelos.
Na primeira entrada, Bobby Witt Jr conseguiu uma rebatida simples com um infield hit. Após o strikeout em Bryce Harper, Aaron Judge foi ao bastão. Com uma contagem 3-0, Bo Takahashi lançou uma bola pendurada e o astro do New York Yankees não perdoou e abriu 2-0. Após 38 arremessos, o Brasil evitou maiores estragos. Quando o ataque brasileiro iniciou os trabalhos, Lucas Ramirez diminuiu o placar com um Home Run solo no primeiro at-bat para mostrar poder de reação e encher seu pai, o ex-jogador Manny Ramirez, de muito orgulho.
Na segunda entrada, a grande história da noite. Joseph Contreras, filho do All-Star José Contreras, de 17 anos e ainda atuando no high school (equivalente ao ensino médio no Brasil) foi para o montinho. Mostrou talento no braço, mas enfrentar um lineup tão forte quanto o americano não era tarefa fácil. Com as bases lotadas e um eliminado, Contreras tinha a tarefa de “somente” enfrentar Judge. Nosso arremessador conseguiu sair do buraco com uma queimada dupla e fechando a entrada para se colocar até no radar do próximo draft. Contreras é o #47 do top 100 para o draft de 2026 da MLB.
Após a primeira entrada, o ataque brasileiro estagnou contra Logan Webb. Enquanto os pitchers do Brasil iniciaram uma tendência que virou recorrência no jogo. Com muita dificuldade no controle dos arremessos, os walks e wild pitches eram frequentes. Foi assim que os EUA anotaram a terceira corrida no jogo: rebatida simples de Kyle Schwarber, avanço para a segunda base após um wild pitch, avanço para a terceira após um groundout, e novo wild pitch de Contreras para anotar 3-1.
O jogo seguiu sem grandes movimentações até a quinta entrada. Thyago Vieira entrou para arremessar e após cobrir a primeira base para fazer a eliminação, não conseguiu seguir no jogo sentindo o tornozelo após pisar em falso na base. Com um em base, ele saiu para a entrada de Gabriel Barbosa, prospecto do Philadelphia Phillies. Dois walks e uma bolada em Byron Buxton deixou o placar em 4-1. No duelo seguinte, Brice Turang rebateu uma dupla que limpou as bases para aumentar os danos, 7-1.
As corridas voltaram a acontecer na parte baixa da sétima entrada, agora com a vez do Brasil em seu melhor momento na noite. Leonardo Reginatto, fazendo sua despedida da seleção, iniciou com uma rebatida simples. Um wild pitch e dois eliminados depois, o segunda base Lucas Rojo rebateu uma simples para impulsionar a corrida de Reginatto. Na sequência, Home Run de Victor “Coutinho” Mascai para deixar o jogo 7-4.
Os estadunidenses responderam no topo da oitava com um RBI single de Roman Anthony, deixando o jogo 8-4. Na parte baixa da entrada, Lucas Ramirez deixou sua marca com mais um Home Run solo, seu segundo na noite. Com o jogo 8-5, seria uma estreia de superação, muito além do que qualquer um imaginava. Mas ainda tinha a nona entrada para jogar.
Ao abrir a nona entrada cedendo uma rebatida simples com Turang, Thomas Lopez (pitcher que atua na NCAA) entrou para manter o Brasil no jogo. Sua participação começou muito bem, com um strikeout em Witt Jr. Mas a rebatida simples de Harper no at-bat seguinte (Turang roubou a segunda base), impulsionou o jogador do Milwaukee Brewers para anotar a nona corrida americana do jogo.
Uma marca indigesta no World Baseball Classic
Após isso, um festival de walks (alguns onde o umpire errou nas chamadas) onde Lopez lotou as bases e cedeu mais uma corrida, 10-5. Vitor Takahashi entrou com as bases lotadas e um eliminado e logo de cada cedeu mais um walk, agora para Cal Raleigh. 11-5. Roman Anthony rebateu uma simples curta que impulsionou mais uma corrida. 12-5. Novo walk, agora para Pete-Crow Armstrong. 13-5. Balk de Takahashi e os corredores avançam uma base. 14-5. RBI groundout de Turang. 15-5. Ao todo foram cinco walks cedidos em uma entrada. Ao todo, o Brasil cedeu 17 e estabeleceu um recorde indesejado do WBC.
Os 15-5 mostram que o Brasil, mesmo respeitando até demais o “Dream Team” americano, tem talento e poderio de fogo para brigar com seus adversários diretos contra a lanterna do grupo. O primeiro duelo será nesta tarde, às 15, diante da Itália.
