Independiente Rivadavia x Fluminense, Libertadores. Foto: Marcelo Gonçalves/Fluminense FC.
Futebol Brasileirão Libertadores

Fluminense tem muito o que melhorar, mas consistência de Fábio é uma boa notícia para a temporada

Classificar-se para as quartas de final da Libertadores, sem dúvidas, foi um dos feitos mais épicos da temporada de 2026 do Fluminense. No entanto, o desempenho em si não foi bom novamente. Depois de encerrar uma série negativa de resultados contra o Palmeiras no último fim de semana, havia a expectativa de uma melhora no jogo da última terça-feira. Em campo, porém, não foi bem assim.

O time novamente apresentou oscilações e sofreu diante do Independiente Rivadavia, na Argentina. O objetivo pareceu ficar ainda mais distante quando Canobbio foi expulso, o que comprometeu principalmente a marcação e reduziu as alternativas ofensivas do técnico Marcão. Ainda assim, a missão foi cumprida — mesmo que aos trancos e barrancos e, mais uma vez, com a ajuda de Fábio, o jogador mais constante do plantel do Tricolor das Laranjeiras.

O Fluminense ainda não convence coletivamente

A classificação veio, mas não necessariamente as respostas para os problemas do time. O Fluminense mostrou organização defensiva e competitividade, mas criou pouco durante boa parte do confronto. Contra o Rivadavia, precisou de uma jogada isolada entre Hércules e Serna para abrir o placar e sofreu o empate nos acréscimos. Antes disso, já havia encontrado muitas dificuldades no jogo de ida, no Maracanã.

Vale ressaltar que o gol tricolor saiu aos 31 minutos do segundo tempo, já depois da expulsão de Canobbio. Parece uma ironia que a melhor chance da equipe tenha acontecido justamente quando estava com um jogador a menos em campo. Nesse sentido, os acontecimentos da partida só levam o torcedor mais racional e frio ao jargão de que o Fluminense “teve mais sorte do que juízo”.

Aos 45 anos, Fábio ainda mostra por que é um dos melhores no ofício

Fábio, Independiente Rivadavia x Fluminense, Libertadores. Foto:  Andres Larrovere/AFP.
Fábio, Independiente Rivadavia x Fluminense, Libertadores. Foto: Andres Larrovere/AFP.

 

Ser um goleiro com uma carreira longeva já é um feito e tanto. Manter um auge técnico por tantos anos, porém, é uma proeza que poucos conseguem alcançar — e Fábio é um deles. Mais uma vez, o goleiro foi decisivo ao defender duas cobranças de pênalti, de José Florentín e Rodrigo Atencio.

O duelo da volta foi uma espécie de continuação daquilo que começou no Maracanã, no jogo de ida, quando o arqueiro foi o melhor jogador de um Fluminense extremamente vaiado.

Em Mendoza, Fábio foi herói e, ainda por cima, alcançou mais uma marca histórica: entrou no top 10 de goleiros com mais defesas em disputas de pênaltis na história da Libertadores. O goleiro chegou a seis defesas em desempates por penalidades. Foram duas pelo Cruzeiro, contra o São Paulo, em 2015, e quatro pelo Fluminense — duas diante do Grêmio, em 2024, e duas contra o Independiente Rivadavia, em 2026.

Ele é a estrela do Flu enquanto o desempenho coletivo oscila. O goleiro mantém uma regularidade impressionante e faz bem aquilo que sabe fazer: usa a experiência para tranquilizar a equipe e evitar o caos defensivo, principalmente em um elenco fragilizado pelo desempenho recente e que teve seu técnico demitido na última semana.

Fábio transmite segurança porque sai bem do gol, domina cruzamentos e rebate poucas bolas. Isso ajuda a explicar por que o Fluminense costuma sofrer menos em momentos de pressão do que poderia. Mesmo quando a equipe perde intensidade ou fica encurralada, existe uma sensação de confiança transmitida pelo goleiro.

Isso só reforça o ponto de que, além de ter se tornado recordista de partidas na Libertadores, Fábio continua acumulando atuações que muitas vezes compensam os problemas defensivos do Fluminense.

Thiago Silva, um técnico dentro de campo

Além de Fábio, Thiago Silva também teve papel importante na classificação. É indiscutível que o zagueiro é um dos grandes ídolos da torcida do Flu. O “Guerreiro da Raça Tricolor” foi fundamental para a construção da jogada que resultou no gol da equipe.

Foi a partir de uma mudança tática sugerida pelo próprio capitão que saiu o gol que abriu o placar no Estádio Malvinas Argentinas. A ideia de Thiago Silva era promover uma inversão entre Soteldo e Serna, algo que o zagueiro explicou em entrevista concedida na zona mista.

Logo depois, o colombiano foi lançado por Hércules nas costas da marcação adversária, invadiu a área pela esquerda e estufou as redes.

Thiago Silva continua sendo o principal líder da linha defensiva, enquanto Fábio exerce função semelhante a partir do gol. No confronto contra o Rivadavia, o zagueiro participou diretamente de ajustes táticos que ajudaram o Fluminense a encontrar espaços para marcar. Ou seja: o sistema ainda apresenta falhas, mas os dois veteranos continuam funcionando como pilares de sustentação da equipe.

Ainda há muito a ser feito

O Fluminense ainda tem muito a corrigir. A equipe segue alternando bons e maus momentos dentro das partidas, produz menos do que o esperado ofensivamente e continua buscando estabilidade após a mudança no comando técnico.

Mas, em meio às incertezas, existe uma certeza cada vez mais rara no futebol brasileiro: Fábio. Aos 45 anos, o goleiro continua acumulando atuações decisivas, transmitindo segurança e salvando pontos ou classificações quando o time mais precisa.

Se o Tricolor ainda procura sua melhor versão para o restante da temporada, a boa notícia é que seu jogador mais confiável continua entregando exatamente aquilo que se espera dele. E, em um momento de tantas dúvidas no Fluminense, ter Fábio como último recurso é uma vantagem que poucos times no Brasil podem se dar ao luxo de ter.

Créditos da foto de capa: Marcelo Gonçalves/Fluminense F.C