Lando Norris e Oscar Piastri Fórmula 1
Automobilismo Fórmula 1

McLaren ainda não entendeu problemas do MCL40 e teme virar 4ª força na F1

A McLaren chega ao próximo desafio da temporada 2026 da Fórmula 1 sem respostas claras para os problemas apresentados na etapa de abertura do campeonato. A equipe britânica viajará para o Grande Prêmio da China, marcado para o próximo fim de semana, ainda sem entender totalmente o comportamento do MCL40 após um início frustrante no Grande Prêmio da Austrália.

Na corrida disputada no circuito de Albert Park, o atual campeão da Fórmula 1, Lando Norris, conseguiu apenas a quinta colocação, resultado que ficou aquém das expectativas da McLaren para a estreia do novo regulamento técnico. A situação da McLaren foi ainda mais complicada com o abandono precoce de Oscar Piastri, que enfrentou problemas ainda no caminho para o grid de largada, impedindo qualquer avaliação mais completa do desempenho do carro com os dois pilotos.

Nesta quarta-feira (11), o diretor técnico de tecnologia aplicada da McLaren, Neil Houldley, fez um relato bastante sincero sobre as dificuldades encontradas pela equipe britânica na Austrália. Segundo ele, apesar do intenso trabalho realizado tanto na pista quanto na sede da equipe em Woking, ainda não há clareza suficiente sobre os problemas do MCL40.

“A equipe, tanto na pista quanto em Woking, está se esforçando muito para desenvolver o carro, mas sabemos que serão necessárias mais algumas corridas para que possamos implementar melhorias significativas na pista.”

A declaração evidencia um momento de cautela dentro da McLaren. Diferentemente de outras temporadas, o time não pretende acelerar o desenvolvimento do carro sem antes compreender melhor as limitações do projeto. A McLaren decidiu, por enquanto, não levar atualizações significativas para as próximas corridas, aguardando mais dados e análises.

Essa postura chama atenção porque contrasta com a estratégia adotada pela própria McLaren em temporadas recentes. Há três anos, por exemplo, o MCL60 recebeu modificações importantes logo após a primeira corrida do campeonato, em um esforço agressivo para corrigir falhas iniciais. Agora, a McLaren prefere evitar mudanças precipitadas no MCL40, o que indica que a equipe ainda não compreende totalmente o comportamento do carro dentro do novo regulamento técnico de 2026.

Norris teme McLaren como quarta força em 2026

Internamente, o cenário também gera preocupação entre os pilotos. O próprio Lando Norris admite que a McLaren pode enfrentar uma temporada muito mais difícil do que as anteriores. Desde os testes de pré-temporada da Formula 1, ficou evidente que Mercedes e Ferrari surgiram com projetos bastante competitivos, despontando como as equipes mais fortes nesse início de campeonato.

No entendimento de Norris, a McLaren ainda corre o risco de ficar atrás também da Red Bull Racing. A avaliação do britânico ganhou força após a impressionante corrida de recuperação de Max Verstappen na Austrália.

“Acho que ficou bem claro que o Red Bull era muito mais rápido, simplesmente porque o Max saiu da última posição e quase nos venceu”, disse Norris à Sky Sports.

O comentário reflete a preocupação crescente dentro da McLaren. Nas últimas duas temporadas, a equipe britânica se destacou como a força dominante do campeonato, disputando vitórias com regularidade. Entretanto, Norris acredita que o cenário em 2026 pode ser bem diferente.

“Claramente, estamos muito longe de onde precisamos estar. Acho que [a corrida] mostrou muito mais sobre o carro do que realmente é, muito, muito difícil, e temos muito trabalho pela frente. [Melhorar o carro] não é algo que vai acontecer da noite para o dia ou em uma ou duas semanas.”

O resultado da Austrália reforça essa percepção. Apesar de terminar em quinto lugar, Norris cruzou a linha de chegada quase 50 segundos atrás do vencedor da prova, George Russell, piloto da Mercedes. A diferença expressiva evidenciou que a McLaren ainda precisa encontrar respostas importantes para reduzir o déficit de desempenho.

Diante desse cenário, a McLaren adota uma postura mais cautelosa neste início de temporada. A equipe britânica reconhece que precisa entender melhor a interação entre o novo carro, a unidade de potência e os ajustes aerodinâmicos antes de iniciar um ciclo agressivo de atualizações.

Por enquanto, a McLaren segue em uma corrida contra o tempo. Com o campeonato apenas começando, a equipe ainda tem margem para reagir, mas sabe que cada etapa sem evolução pode consolidar um cenário indesejado: ver rivais diretos abrirem vantagem e transformar a McLaren, ao menos temporariamente, apenas na quarta força da Fórmula 1.

Foto: Photosport