O Barcelona já tem um velho conhecido de volta ao poder. Joan Laporta venceu as eleições e iniciará um novo mandato ao fim da temporada, com moral, apoio da torcida e… uma lista de tarefas que não é exatamente pequena, mais ou menos uma continuação do que estava sendo feito, mas também, com certos focos a terem tomados.
A vitória tranquila nas urnas mostra que o torcedor confia. Mas no mundo Barça, confiança dura até o próximo tropeço. E Laporta sabe disso melhor do que ninguém.
Entre estádio atrasado, elenco que precisa de ajustes, finanças ainda sob vigilância e até um “assunto Messi” mal resolvido, o novo presidente do Barcelona chega com mais problemas do que tempo. Então, bora organizar esse caos, porque missão não vai faltar.
Camp Nou: obra eterna ou virada de chave?
A reforma do Camp Nou virou quase uma novela. Quando começou, lá em 2023, a promessa era clara: retorno parcial em 2024. Só que no final das contas, a previsão não foi correspondida da melhor forma possível, tendo a necessidade de contar com mais episódios.
O atraso já bate na casa de quase um ano, e a previsão atual joga a conclusão total para 2027. E olha… já tem torcedor do Barcelona desconfiado…
Os problemas com a construtora Limak atrasaram o cronograma, aumentaram a pressão e, claro, mexeram no bolso. Porque aqui não é só estética: o novo Camp Nou é peça-chave para aumentar receitas, atrair eventos e colocar o clube num patamar financeiro mais saudável.
Laporta pode até não carregar cimento, mas é ele quem responde no final. E, nesse ponto, não tem muito espaço para erro: entregar o estádio funcionando e gerando dinheiro virou prioridade absoluta.
O elenco do Barcelona é bom… mas não perfeito
Dentro de campo, o cenário parece mais tranquilo. O Barcelona é o atual campeão da La Liga, segue competitivo e ainda flerta com voos altos na UEFA Champions League. Mas não se engane: o torcedor vê problema, e aponta rápido. O principal deles? O ataque.
Robert Lewandowski continua sendo um nome pesado, decisivo e respeitado. Mas o tempo passa, né? E a reposição começa a virar assunto urgente. Durante a eleição, até se falou em Erling Haaland. Bonito no papel, impossível na prática. Laporta, inclusive, tratou de esfriar qualquer expectativa nesse sentido.
Outro nome ventilado foi Julián Álvarez, mas o presidente do Barcelona não parece convencido de abrir o cofre por ele.
Resumo da ópera: se não quer os nomes “óbvios”, Laporta vai ter que acertar em cheio na alternativa. Porque no Barça, contratar “ok” não basta, tem que ser decisivo. E não para por aí. A defesa também preocupa, especialmente após a saída de Iñigo Martínez. O sistema de Hansi Flick pede peças específicas, e hoje o elenco ainda não entrega tudo que o treinador precisa.
Dinheiro ainda é assunto sensível (e muito)
Se tem algo que ainda tira o sono no Camp Nou ou no escritório, é a questão financeira. Laporta herdou um cenário caótico anos atrás. Dívidas altas, folha salarial descontrolada e um episódio simbólico: a saída de Lionel Messi, que não pôde renovar por questões financeiras.
Hoje, a situação melhorou. Mas “melhorar” não significa “resolver”. O objetivo é claro: voltar à regra do 1:1 da La Liga, gastar exatamente o que arrecada. Parece básico, mas para o Barça recente, isso virou meta de longo prazo.
Para chegar lá, o clube precisa vender bem, negociar melhor ainda e, principalmente, evitar aquelas “gambiarras financeiras” que já deram dor de cabeça no passado recente (alô, registros complicados e soluções criativas…).
Laporta foi eleito com a promessa de organizar a casa. Agora, precisa provar que consegue manter ela de pé.
Messi: o capítulo que ainda não acabou
Sim, ele de novo. Não dá pra falar de Barcelona sem falar de Lionel Messi. E, honestamente, nem deveria, as vezes nem parece que o tempo passou, ou pelo menos, uma porta possa ter se fechado.
Laporta já deixou claro que quer fazer uma homenagem digna ao maior jogador da história do clube. A ideia é algo grande, possivelmente após o fim do contrato do argentino com o Inter Miami. O problema? A relação entre os dois não é exatamente um conto de fadas. E aí que mora o perigo.
Porque, independente de qualquer rusga, a torcida quer e merece uma despedida à altura. Estamos falando de estátua, evento histórico, estádio lotado e lágrimas garantidas.
Se Laporta não conseguir alinhar isso, vai carregar um peso enorme. Afinal, foi na gestão dele que Messi saiu… e isso ninguém esquece.
Barça feminino: o alerta que ninguém pode ignorar
Enquanto o time masculino segura as pontas, o Barcelona feminino vive uma situação mais delicada do que parece. Sim, o time ainda domina na Espanha, com vantagem confortável sobre o Real Madrid. E sim, ainda conta com estrelas como Aitana Bonmatí, Alexia Putellas e Caroline Graham Hansen.
Mas o impacto financeiro recente já deixou marcas. Saídas importantes aconteceram, e o medo é que mais jogadoras deixem o clube. O que, convenhamos, seria um baita tiro no pé, ainda mais considerando que o Barça Femení virou referência mundial nos últimos anos.
Laporta não pode cair na armadilha clássica de priorizar só o masculino. Porque, hoje, o time feminino é tão parte da marca Barcelona quanto qualquer outro setor.
No fim das contas…
Laporta volta com moral, história e apoio. Mas também com pressão e muita.
O Barcelona precisa se estabilizar financeiramente, evoluir esportivamente e, principalmente, parar de viver entre promessas e soluções emergenciais.
Se vai dar certo? Difícil cravar.
Mas uma coisa é certa: o novo mandato de Laporta não vai ter tempo para erro. E, no Barcelona, a paciência costuma acabar antes do apito final.
Foto: Josep LAGO/AFP/Getty Images