Por muito tempo, falar sobre o Chelsea no mercado de transferências significava falar sobre gastos exorbitantes, elencos inchados e decisões difíceis de explicar. Desta vez, porém, o sentimento em Stamford Bridge é diferente. Depois de um início positivo na era Xabi Alonso, os torcedores dos Blues também encontraram motivos para acreditar que o clube finalmente está encontrando equilíbrio.
A janela de transferências terminou novamente em meio ao caos. A negociação por Lamine Camara, do Monaco, fracassou na reta final, deixando um gosto amargo para o Chelsea. Ainda assim, olhando para todo o trabalho realizado durante o verão, existem motivos de sobra para considerar a janela um sucesso.
O clube conseguiu reduzir drasticamente o tamanho do elenco, arrecadou uma quantia recorde com vendas e modificou sua estratégia de contratações. Ao mesmo tempo, conseguiu montar um grupo que parece muito mais adequado ao trabalho de Xabi Alonso.
Chelsea arrecada valor recorde com vendas
Uma das principais missões do Chelsea neste verão era corrigir problemas criados pelas próprias decisões dos últimos anos. O clube havia construído um elenco extremamente numeroso e, sem participação em competições europeias e com as regras para empréstimos cada vez mais restritas, manter tantos jogadores simplesmente deixou de ser sustentável.
Segundo o The Athletic, dirigentes do Chelsea apontaram para vendas que chegaram a impressionantes US$ 700 milhões, cerca de £519 milhões. O valor representou um novo recorde mundial e deu aos Blues uma enorme capacidade financeira para reorganizar o elenco.
Jogadores como Andrey Santos, Nicolas Jackson, Liam Delap e Marc Guiu foram negociados por valores significativos, permitindo ao Chelsea transformar parte dos investimentos anteriores em lucro. Ao mesmo tempo, os atletas que não tinham futuro em Stamford Bridge foram liberados, deixando Alonso com um elenco mais enxuto.
A receita era especialmente importante depois dos anos de gastos elevados e da queda de arrecadação provocada pela ausência na Champions League. Financeiramente, portanto, o verão foi extremamente positivo para o Chelsea.
Chelsea muda estratégia e encontra equilíbrio
Outro ponto importante foi a mudança no modelo de contratações. Alonso recebeu influência significativa nas decisões de mercado e precisava de garantias antes de aceitar o projeto de um clube que havia sido alvo de críticas nos últimos anos.
Em vez de continuar concentrando seus esforços apenas em jovens com potencial, o Chelsea caminhou para o outro extremo. Jordan Henderson, de 36 anos, Danny Welbeck, de 35, e Emiliano Martínez, de 34, chegaram para acrescentar experiência ao elenco.
As contratações de Maxence Lacroix, de 26 anos, e Pep Chavarría, de 28, também representaram uma mudança em relação ao padrão recente. A falta de liderança foi um problema apontado na temporada anterior, quando Marc Cucurella e Tosin Adarabioyo pediram publicamente mais experiência no grupo.
Curiosamente, os dois acabaram deixando o clube. Em seus lugares, o Chelsea montou um novo núcleo de jogadores mais experientes, encarregado de estabelecer padrões e oferecer liderança nos bastidores.
A grande diferença é que os Blues não exageraram na correção de rota. O clube também contratou Marco Palestra, de 21 anos, Valentín Barco, de 22, e Morgan Rogers, de 23. A combinação entre juventude e experiência pode ser justamente o equilíbrio que faltou ao Chelsea nos últimos anos.
A saída de Enzo Fernández também ajudou
O Chelsea também conseguiu resolver uma situação complicada no meio-campo. Moisés Caicedo e Enzo Fernández eram dois dos jogadores mais caros do futebol mundial e, por isso, acabaram formando uma dupla que nem sempre parecia funcionar da melhor maneira.
Caicedo é um excelente jogador de área a área, enquanto havia dúvidas sobre a melhor maneira de encaixar Fernández ao seu lado. O argentino sempre pareceu mais confortável atuando em uma função mais avançada e agora terá esse papel no Manchester City.
A saída de Fernández também era vista como a possibilidade mais provável entre os dois jogadores, especialmente depois das dificuldades para justificar o investimento de US$ 132 milhões, aproximadamente £106,8 milhões, feito pelo Chelsea em 2023.
Conseguir vender o argentino por um valor capaz de gerar lucro, portanto, representa um grande trabalho da diretoria. O Chelsea agora pode reinvestir parte desses recursos em um jogador que tenha características mais adequadas para atuar ao lado de Caicedo.

A única preocupação ficou no meio-campo
Nem tudo foi perfeito. A principal preocupação após o fechamento da janela está justamente na ausência de um substituto para Fernández. O Chelsea já havia negociado Andrey Santos com o Manchester United e terminou o verão com menos opções no meio-campo.
Ainda assim, é necessário considerar o contexto. O Chelsea não disputará competições europeias nesta temporada, o que significa uma quantidade menor de partidas no calendário. Portanto, não existe a mesma necessidade de possuir um elenco tão grande quanto seria necessário para uma equipe envolvida em diversas competições.
Atualmente, os Blues contam com Caicedo, Barco, Henderson e Roméo Lavia para o setor. Reece James também pode atuar como alternativa, enquanto Alonso já utilizou Malo Gusto como parte de um meio-campo com dois jogadores.
Além disso, Reggie Watson e Mahdi Nicoll-Jazuli ganharam espaço durante a pré-temporada e podem funcionar como opções emergenciais. Barco também mostrou sinais positivos no começo da temporada, enquanto Henderson chega após ter disputado 22 partidas pelo Brentford na última temporada.
As lesões sempre podem mudar o cenário, mas, para o primeiro semestre da temporada, o elenco parece ter profundidade suficiente. A necessidade de reforçar o setor provavelmente voltará a aparecer em 2027, mas a ausência de Lamine Camara não precisa ser encarada como uma crise imediata.
Chelsea termina o verão em alta
Os últimos problemas ficaram concentrados em dois jovens jogadores. Gabriel Slonina não encontrou um empréstimo adequado, enquanto o Chelsea também não conseguiu encontrar uma equipe inglesa disposta a receber Kendry Páez, de 19 anos.
Páez teve problemas em empréstimos anteriores para Strasbourg e River Plate, ambos encerrados antes do previsto, e agora todas as vagas de empréstimos internacionais do Chelsea estão ocupadas. Dessa forma, uma saída definitiva para outro mercado aparece como a alternativa para evitar que o jogador passe seis meses sem atuar.
Mesmo assim, a situação está longe de ser comparável aos antigos casos da chamada “Bomb Squad”, que chegou a contar com jogadores de salários elevados, como Raheem Sterling e Axel Disasi, afastados durante meses.
A janela também não foi perfeita. A tentativa de contratar Camara no fim do mercado mostra que o Chelsea entende que ainda precisa de mais um meio-campista. Mas, considerando o cenário geral, os Blues conseguiram algo que parecia difícil de imaginar há pouco tempo: reduzir o elenco, arrecadar valores recordes, equilibrar a experiência do grupo e montar uma equipe mais adequada ao novo treinador.
Enquanto Tottenham gastou muito e começou a Premier League com duas derrotas, Arsenal, Liverpool e Manchester United terminaram a janela com preocupações importantes em seus elencos, o Chelsea pode olhar para o mercado com muito mais tranquilidade.
O objetivo agora é voltar à Champions League e fazer boas campanhas nas copas nacionais. O dinheiro arrecadado também deixa o clube preparado para corrigir eventuais problemas em janeiro.
O Chelsea sobreviveu ao caos do Deadline Day. E, apesar de não ter conseguido contratar Camara, terminou o verão com algo ainda mais importante: um elenco mais equilibrado, mais enxuto e construído para o estilo de Xabi Alonso.
Se os jogadores conseguirem corresponder dentro de campo, essa janela pode acabar sendo lembrada como o momento em que os Blues finalmente começaram a colocar ordem na casa.
Foto: Getty Images Sport



