Entre surpresas positivas e negativas, a Fórmula 1 inaugurou o novo (e polêmico) regulamento técnico em 2026. Após três corridas e uma sprint, já é possível projetar os rumos da temporada e a relação de forças entre as equipes, embora ainda haja margem para mudanças conforme o ano avança.
Fugindo de nomes óbvios como Mercedes e Ferrari, que são os grandes nomes da categoria no momento, confira abaixo os times que tiveram os resultados mais inesperados, seja positiva ou negativamente, neste começo de campeonato.
Alpine ressurge das cinzas, e Haas dá passo adiante

Após aquele que foi seu pior ano desde que retornou à Fórmula 1 em 2016 (à época sob o nome de Renault), a Alpine promoveu uma mudança drástica em sua estrutura e deixou de produzir os próprios motores. Em vez disso, firmou parceria com a Mercedes e, até aqui, o resultado da decisão tem sido animador.
Quinta no Mundial de Construtores e presente no top 10 de todas as provas disputadas até aqui, o time de Enstone parece finalmente ter se reencontrado e é, hoje, um dos mais competitivos do meio de pelotão, ao lado da Haas.
Por falar na equipe estadunidense, o conjunto VF-26 a coloca na quarta posição no campeonato de equipes. Se terminar nessa colocação ao fim da temporada, será o melhor ano da Haas em sua curta trajetória na Fórmula 1, iniciada também em 2016.
O salto de performance vem na sequência do estreitamento da parceria com a Toyota, que estampa cada vez mais as cores da equipe e teoriza-se que pode retornar à Fórmula 1 no futuro próximo.
Ambas estão à frente — tanto nos construtores quanto no Mundial de Pilotos, com Oliver Bearman e Pierre Gasly — da Red Bull, que disputou o último título até a volta final do campeonato de 2025.
Do outro lado da moeda, Red Bull e Aston Martin sofrem

Antes do início da temporada, a Red Bull era apontada, junto da Mercedes, como uma das duas favoritas ao título. Parte disso vinha do jogo político e de relações públicas dos Flechas de Prata, que não queriam para si o peso de serem “o nome a ser batido”. O fato é que a escuderia austríaca está muito mais distante desse cenário do que se podia prever.
O pior início de temporada da carreira de Verstappen desde que chegou à Red Bull evidencia o caos enfrentado pela equipe em 2026. Os problemas de dirigibilidade do carro, que antes já incomodavam seus companheiros, agora também o afetam diretamente.
A equipe ocupa apenas a sexta posição no Mundial de Construtores, e seu piloto mais bem colocado, Verstappen, aparece em nono, sem sequer ter ido ao pódio ou terminado entre os três primeiros no ano.
O caos da Red Bull só não é maior que o da Aston Martin, que vive um cenário digno das equipes nanicas das décadas de 1980 e 1990. Mesmo com forte investimento na preparação para o novo regulamento, o AMR26 tem sido o pior conjunto do grid — e não apenas em desempenho.
Nas duas primeiras etapas, o carro da equipe britânica sequer recebeu a bandeira quadriculada, já que as voltas de Fernando Alonso e Lance Stroll precisaram ser limitadas por questões de segurança. As vibrações no chassi, causadas pelo motor Honda, não só prejudicam a confiabilidade e o desempenho, como também provocam dores severas nas mãos dos pilotos.
Após a pausa de um mês sem corridas, será interessante observar se as equipes conseguiram usar o tempo para evoluir — ou, no caso das últimas duas, ao menos reorganizar a casa — e se a relação de forças será alterada, ou se a dinâmica vista em Melbourne, Xangai e Suzuka irá se manter.
(Foto principal: Clive Mason/Getty Images)



