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Arsenal tropeça feio na FA Cup e liga alerta: três lições duras da queda contra o Southampton

“Abril é o mês mais cruel.” A frase de T. S. Eliot nunca fez tanto sentido para o Arsenal. Em mais um capítulo daqueles que o torcedor prefere esquecer (mas não consegue), o time de Mikel Arteta deu adeus à FA Cup com uma derrota chocante por 2 a 1 para o Southampton e não foi zebra por acaso, não.

Enquanto isso, no mesmo dia, o Manchester City atropelava o Liverpool por 4 a 0, mostrando exatamente o nível exigido para brigar por títulos. Resultado? Abril começou com cara de déjà vu doloroso para os Gunners. E, mais do que a eliminação, o jogo deixou três sinais bem claros de que algo precisa mudar e rápido.

Arsenal e seus 3 aprendizados sobre a surpreendente eliminação na FA Cup

1. Descobriram “o jeito de machucar” o Arsenal

Durante muito tempo, enfrentar o Arsenal era um dilema: pressionar e correr riscos ou recuar e tentar sobreviver. O Southampton escolheu uma terceira via e deu certo.

O time não ficou só esperando. Alternou momentos de pressão alta com linhas mais baixas, fechando espaços e, principalmente, escolhendo quando atacar. E isso bagunçou completamente o plano do Arsenal.

O destaque da partida, Léo Scienza, foi direto: não foi sorte. E realmente não foi.

O técnico Tonda Eckert montou um plano que obrigou o Arsenal a errar e não apenas erros aleatórios, mas erros forçados. Aquela sensação de que o time londrino “se perdeu” não aconteceu por acaso.

Esse modelo já tinha sido testado antes, inclusive pelo próprio Manchester City. A diferença é que, agora, até um time da Championship mostrou que dá pra executar. Resumo da ópera: o “manual anti-Arsenal” está circulando. E isso é perigoso.

2. Velhos vícios voltaram (e isso preocupa)

Se tem algo que o torcedor do Arsenal já viu e não sente saudade nenhuma é o ataque previsível. Contra o Southampton, isso voltou com força.

Mesmo com 23 finalizações e um xG de 1.61, o time teve dificuldade em criar chances realmente perigosas. E o motivo? Dependência excessiva de um lado do campo.

Dessa vez, o protagonismo caiu nas costas de Max Dowman, de apenas 16 anos. Sim, 16. Ele foi o destaque ofensivo… e isso já diz bastante.

Não porque ele jogou mal, pelo contrário. Mas porque o Arsenal voltou àquele padrão antigo: sobrecarregar um jogador aberto e esperar que ele resolva tudo. Antes era Bukayo Saka. Agora, foi Dowman.

E quando as ideias acabam, o time recorre ao óbvio. Bola no ponta, marcação dobrada, jogada travada.

Para piorar, Gabriel Jesus teve uma atuação apagada, parecendo sem ritmo. Já Gabriel Martinelli até tentou, mostrou energia, mas pecou na tomada de decisão, incluindo um momento bizarro empurrando o árbitro numa cobrança rápida.

Ou seja: volume sem eficiência.

3. Ainda há esperança (sim, calma)

Nem tudo é desastre completo. Apesar da eliminação, existem sinais positivos que podem evitar um colapso maior na temporada.

O principal deles é Martin Odegaard. O capitão voltou a jogar bem após lesão e mostrou exatamente o que o time precisa: criatividade, controle em espaços curtos e inteligência para quebrar linhas. Além dele, reforços importantes devem voltar:

Declan Rice

Martín Zubimendi

Jurriën Timber

Com esses nomes, o Arsenal ganha equilíbrio, algo que claramente faltou contra o Southampton.

E tem mais: mesmo com o tropeço, o time ainda lidera a Premier League com vantagem confortável e tem um caminho relativamente acessível na UEFA Champions League. Ou seja… não acabou.

Entre o drama e a reação

Arteta tentou manter o discurso positivo:

“Temos o período mais bonito da temporada pela frente.”

E ele não está totalmente errado. Mas também não dá pra ignorar os sinais. O Arsenal mostrou fragilidades que podem ser exploradas e agora todos os adversários sabem disso.

Abril começou cruel. A questão é: o time vai reagir ou repetir o roteiro dos últimos anos?

Porque talento tem. Elenco tem. Ideia de jogo também.

O que falta de novo é consistência na hora decisiva.

E no futebol, a gente sabe: é aí que os títulos são decididos… ou perdidos.

Foto: Charlotte Wilson/Offside/Getty Images