O Athletico Paranaense chega pressionado após duas derrotas consecutivas no Brasileirão, um cenário que vai muito além da simples perda de pontos. Os tropeços recentes evidenciaram falhas que já vinham sendo percebidas, mas que agora se tornaram impossíveis de ignorar.
Sob o comando de Odair Hellmann, o Furacão viu sua consistência desaparecer e passou a apresentar um futebol irregular, vulnerável e, em muitos momentos, apático. O confronto contra a Chapecoense, portanto, deixa de ser apenas mais uma rodada e passa a ter contornos de decisão antecipada.
Nos dois últimos jogos, o padrão foi claro: o Athletico entrou desconectado, cometendo erros técnicos em excesso e permitindo que os adversários controlassem as ações desde o início. Contra o Atlético-MG, a equipe praticamente não competiu no primeiro tempo, sendo dominada em todos os aspectos do jogo.
Já diante do Bahia, o cenário foi semelhante, com dificuldades na criação ofensiva e uma defesa exposta, incapaz de conter as investidas adversárias. O problema central, como o próprio Odair destacou, não foi físico ou tático, mas sim técnico, e isso é, talvez, o sinal mais preocupante.
Quando um time erra passes simples, perde duelos básicos e demonstra falta de concentração, a questão passa a ser coletiva, mas com forte impacto individual. Jogadores importantes estão rendendo abaixo do esperado, o que compromete toda a estrutura da equipe.
O meio-campo, que deveria ser o motor do time, tem falhado tanto na construção quanto na proteção defensiva, deixando a equipe espaçada e vulnerável. No ataque, a falta de aproximação faz com que o centroavante Kevin Viveros atue isolado, sem suporte para transformar presença em oportunidades reais.

Outro fator determinante para a queda de rendimento é a limitação do elenco. O Athletico até possui um time titular competitivo, mas sofre quando precisa recorrer ao banco. A falta de reposição à altura impacta diretamente o desempenho ao longo dos jogos, especialmente em um calendário exigente como o do Brasileirão.
Além disso, questões físicas envolvendo jogadores importantes reduzem ainda mais as opções de Odair Hellmann, que se vê obrigado a improvisar ou insistir em atletas que claramente não estão no melhor nível.
O Athletico perdeu a identidade e precisa reagir imediatamente
Talvez o ponto mais alarmante seja a perda de identidade. No início da competição, o Athletico se destacava pela intensidade, organização e capacidade de transição. Hoje, o que se vê é um time previsível, lento na recomposição e sem criatividade no último terço do campo.
A equipe do rubro-negro paranaense parece desconectada entre os setores, com a defesa sofrendo pela falta de proteção e o ataque padecendo pela ausência de articulação, fatores que deixam o time muito espaçado em campo.
Para reverter esse cenário, algumas mudanças de postura são urgentes. A primeira delas é a entrada nos jogos. O Athletico não pode mais se dar ao luxo de começar partidas em ritmo abaixo do adversário. Em um campeonato equilibrado, sair atrás no placar tem sido determinante para as derrotas recentes. É fundamental que o time entre concentrado, reduzindo erros e competindo desde o primeiro minuto.
O meio-campo também precisa ser reorganizado. Falta dinâmica, intensidade e capacidade de ditar o ritmo do jogo. Sem esse controle, o time fica exposto defensivamente e pouco produtivo ofensivamente. Além disso, é essencial que haja maior aproximação no setor ofensivo. Viveros não pode seguir isolado; pontas e meias precisam encurtar espaços, oferecendo opções e criando superioridade em zonas decisivas.
Outro aspecto fundamental é a redução dos erros individuais. Em alto nível, cada falha custa caro, e o Athletico tem sido punido com frequência por equívocos evitáveis. Melhorar a execução dos fundamentos básicos já seria um passo importante para recuperar competitividade.
Diante desse contexto, o duelo contra a Chapecoense ganha uma dimensão ainda maior. Uma vitória pode representar o ponto de virada, trazendo confiança e aliviando a pressão. Por outro lado, um novo tropeço pode aprofundar a crise, aumentar os questionamentos sobre o trabalho de Odair Hellmann e expor ainda mais as limitações do elenco.
O Athletico ainda tem margem para reagir no campeonato, mas o momento exige resposta imediata. Mais do que vencer, o time precisa convencer, mostrar evolução e recuperar a identidade que o tornou competitivo. Caso contrário, o que hoje é apenas um momento ruim pode rapidamente se transformar em uma crise de proporções muito maiores.
(Imagem de capa: Luis Miguel Ferreira/athletico.com.br)