Carlo Ancelotti está disposto a buscar novas soluções para fazer a Seleção Brasileira funcionar, e uma das principais ideias passa diretamente por Raphinha. Depois de acompanhar o excelente início de temporada do atacante pelo Barcelona, o treinador italiano decidiu testar o brasileiro como centroavante, repetindo uma fórmula utilizada com sucesso por Hansi Flick no clube catalão.
A mudança apareceu no primeiro treinamento do Brasil visando ao segundo amistoso contra a Austrália. Após o empate por 1 a 1 no primeiro duelo, Ancelotti promoveu diversas alterações na equipe e montou o time em um 4-3-3, com Raphinha centralizado no ataque. Rayan e Vinicius Júnior completaram o trio ofensivo.
A escolha não acontece por acaso. Raphinha vive um início de temporada impressionante pelo Barcelona e chegou à Data Fifa com 14 gols e três assistências em apenas oito partidas. O brasileiro se transformou em uma das principais referências ofensivas do time espanhol justamente depois de passar a atuar em uma posição mais centralizada.
É aí que entra a inspiração em Hansi Flick. O treinador alemão encontrou uma maneira de aproximar Raphinha da área e aproveitar melhor sua movimentação, intensidade e capacidade de finalizar. O brasileiro deixou de ser apenas um jogador que recebe aberto pelos lados e passou a ocupar zonas onde consegue aparecer com muito mais frequência em condições de marcar.
Ancelotti tenta levar o Raphinha do Barcelona para a Seleção
A transformação de Raphinha no Barcelona chamou a atenção até do próprio Ancelotti. Antes do primeiro amistoso com a Austrália, o treinador já havia destacado publicamente o desempenho do atacante e ressaltado como ele conseguiu se adaptar a uma posição que originalmente não era a sua. Agora, a Seleção pode tentar reproduzir justamente essa versão do jogador.
No Barcelona, Raphinha ganhou liberdade para circular pelo centro e atacar os espaços deixados pelos defensores. Em vez de permanecer preso na ponta, o brasileiro pode recuar para participar da construção, aparecer entre os zagueiros ou se movimentar para os dois lados. Essa mobilidade virou uma das principais armas ofensivas da equipe de Flick.
Os números ajudam a explicar por que Ancelotti decidiu experimentar a ideia. Os 14 gols nas primeiras oito partidas da temporada representam um início histórico para Raphinha com a camisa do Barcelona. O atacante também assumiu um protagonismo ainda maior no elenco e se apresentou à Seleção em um momento completamente diferente daquele vivido durante a Copa do Mundo de 2026.
Na equipe brasileira, a expectativa é que a mudança também permita mais movimentação no setor ofensivo. Sem um centroavante fixo ocupando permanentemente os zagueiros, Raphinha poderá alternar posições com os jogadores que atuam pelos lados e criar espaços para as infiltrações dos companheiros.
Rayan ganha espaço e aparece ao lado de Raphinha e Vini Jr.
Outra novidade importante no teste de Ancelotti foi a presença de Rayan entre os titulares. O jovem atacante foi responsável pelo gol que evitou a derrota brasileira no primeiro amistoso contra a Austrália. Ele saiu do banco e marcou de cabeça na última jogada do confronto, garantindo o empate por 1 a 1.
A atuação foi suficiente para colocar o atacante novamente nos planos da comissão técnica para o segundo encontro com os australianos. No treinamento seguinte, Rayan apareceu aberto por um dos lados, enquanto Vini Jr. permaneceu como outra opção de velocidade e Raphinha ocupou a região mais central do ataque.
A mudança representa uma diferença importante em relação ao primeiro jogo. Na partida anterior, Ancelotti começou com Estêvão, Raphinha, Endrick e Vini Jr. juntos no setor ofensivo. Apesar da quantidade de talento, a Seleção teve dificuldades para transformar a presença dos quatro atacantes em domínio do jogo.
A Austrália conseguiu limitar as principais peças brasileiras e chegou a abrir o placar no segundo tempo com Nestory Irankunda. O Brasil aumentou a pressão somente na reta final e encontrou o empate com Rayan. O desempenho deixou claro que Ancelotti ainda procura um sistema capaz de tirar mais dos jogadores disponíveis.

Raphinha pode virar peça central no novo Brasil de Ancelotti
O teste como centroavante também mostra como a importância de Raphinha cresceu dentro da Seleção. O atacante recebeu a camisa 10 para os amistosos desta Data Fifa e chega como uma das principais referências do novo ciclo que começa de olho na Copa do Mundo de 2030.
Ancelotti já utilizou o jogador em diferentes funções. Raphinha tem experiência atuando pelos dois lados do campo e também pode jogar por dentro, mas a versão apresentada recentemente no Barcelona oferece ao treinador uma alternativa completamente diferente. Em vez de buscar necessariamente um camisa 9 tradicional, o Brasil pode utilizar a movimentação do jogador para tornar o ataque menos previsível.
A presença de Vini Jr. também pode ser beneficiada. Com Raphinha saindo da área em determinados momentos, espaços podem surgir para o atacante do Real Madrid atacar em diagonal a partir da esquerda. Rayan, por outro lado, oferece força física, velocidade e capacidade de ocupar diferentes setores do ataque.
O segundo amistoso diante da Austrália, marcado para terça-feira, dia 29 de setembro, em Brisbane, será mais uma oportunidade para Ancelotti encontrar respostas neste início de ciclo. Depois do empate no primeiro encontro, o treinador prometeu fazer testes e começou justamente copiando uma das soluções que mais funcionaram no futebol europeu recentemente: colocar Raphinha mais perto do gol.

Flick pode ter dado a Ancelotti uma nova solução para o Brasil
Ainda é cedo para saber se Raphinha realmente será utilizado como centroavante de maneira definitiva na Seleção Brasileira. O momento, porém, parece ideal para realizar o teste. Aos 29 anos, o atacante vive uma das melhores fases de sua carreira e chega com confiança depois de assumir ainda mais responsabilidades no Barcelona.
A adaptação feita por Flick mostrou que mudar a posição de um jogador não significa necessariamente limitar suas características. No caso de Raphinha, aconteceu justamente o contrário. Mais próximo da área, ele passou a finalizar mais e aumentou drasticamente sua presença no placar, sem perder a intensidade e a movimentação que sempre fizeram parte de seu jogo.
Ancelotti agora tenta descobrir se o mesmo efeito pode acontecer com a camisa da Seleção. O desafio será encontrar um equilíbrio que permita ao atacante reproduzir o rendimento do Barcelona ao mesmo tempo em que jogadores como Vini Jr. e Rayan também tenham liberdade para explorar suas principais características.
Depois de uma primeira atuação pouco convincente contra a Austrália, mudanças eram esperadas. A principal delas, porém, pode acabar sendo muito mais do que apenas um teste para um amistoso. Se Raphinha conseguir repetir pelo Brasil a versão que Hansi Flick encontrou no Barcelona, Ancelotti pode ter descoberto uma nova peça para montar o ataque da Seleção no caminho até a Copa do Mundo de 2030.
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