Pavón
Futebol Brasileirão

Pavón escancara falta de rumo do Grêmio na temporada

Alvo de muitas críticas, Cristian Pavón é um atleta que expõe a falta de planejamento do Grêmio para a temporada. Apesar do esforço apresentado em campo, sua utilização como lateral-direito ajuda a explicar o desempenho abaixo do esperado do time gaúcho até aqui.

Pavón virou “solução” para a defesa gremista

Pavón chegou ao Grêmio em fevereiro de 2024, vindo do Atlético-MG, e desde então não conseguiu corresponder às expectativas da torcida gremista. Com atuações irregulares, alternou entre o banco de reservas e a titularidade até a chegada de Luís Castro. A partir daí, o cenário mudou com uma decisão inesperada. Inesperadamente, o técnico português passou a utilizá-lo na lateral-direita.

A mudança de posição não apenas evidencia os problemas estruturais do elenco, como também levanta questionamentos sobre o próprio trabalho da comissão técnica. É difícil compreender o que motivou a decisão de dar uma “sobrevida” ao jogador em uma função que não é a sua de origem, especialmente em um momento de instabilidade da equipe.

Vale destacar que Pavón demonstra muita entrega em campo e se esforça para cumprir o papel dentro das limitações. Nesse ponto, não há o que contestar. No entanto, o contexto torna inevitáveis as críticas por parte da torcida, que vê na situação um reflexo direto da falta de planejamento do clube.

O esforço do atleta argentino não é suficiente para apagar as dificuldades técnicas que o jogador apresenta desde que chegou ao Tricolor Gaúcho. Foi assim que Pavón não conseguiu se firmar no ataque gremista. Números individuais fracos, desempenhos apagados e até mesmo atuações comprometedoras, com falhas em lances cruciais, criaram um ambiente ruim para o atleta.

Neste cenário, Luís Castro, que chegou ao Grêmio com a promessa de filosofias modernas e ideias frescas, acreditou ter encontrado uma solução: se Pavón não funciona no ataque, por que não utilizá-lo na defesa?

De certa forma, o esforço do jogador em campo até pode fazer com que a alternativa pareça interessante. Pavón, inclusive, fez alguns jogos surpreendentemente bons na nova posição. Mas a verdade é que o argentino segue demonstrando incapacidade de contribuir ofensivamente, enquanto também peca na marcação e compromete a equipe no setor defensivo.

Pavón faz o que pode em meio ao improviso

É preciso questionar quem são os verdadeiros culpados. Afinal, não seria pedir demais que um jogador, que já não vinha bem em sua posição de origem, rendesse em alto nível em outra função do campo?

Pavón está fazendo, ou tentando fazer, o que lhe foi pedido. E o grande problema da questão é: como o Grêmio chegou a este ponto?

Pavón passou a ser utilizado na lateral-direita principalmente devido à falta de opções do Tricolor nessa posição. João Pedro, que se recuperou de uma trombose no ombro direito, segue enfrentando outros problemas físicos, com lesões recorrentes. Enquanto isso, Marcos Rocha, que chegou a ser titular do Imortal na última temporada, também luta contra o próprio corpo e não apresenta mais condições de ser a principal opção da posição.

Foi assim que a solução improvável surgiu. Porém, há uma evidência clara de falta de planejamento do Imortal. João Pedro, com problemas físicos e atuações ruins, já não é uma peça de confiança do Grêmio há algum tempo. O mesmo vale para Marcos Rocha, que, aos 37 anos, já dava indícios desde a última temporada de que não conseguiria sustentar um ano inteiro como titular.

O clube gaúcho iniciou 2026 sabendo que poderia enfrentar problemas na lateral-direita e, ainda assim, negligenciou a posição. Odorico Roman, eleito novo presidente do clube, e sua diretoria não deram a devida atenção a um dos problemas mais evidentes do falho sistema defensivo gremista.

Agora, vazado em quase todos os jogos da temporada, o Grêmio tenta corrigir sua fragilidade na defesa. E, curiosamente, a alternativa é pedir a um ponta-direita que dê a volta por cima, supere a pressão das críticas e atue em uma função na qual não está acostumado.

Falamos de uma “tragédia” anunciada. O Grêmio, neste momento, é uma equipe sem rumo. É difícil entender como um dos grandes clubes do Brasil se permitiu chegar a esta situação, na qual não consegue escalar um lateral-direito de ofício em grande parte de seus jogos. Dessa forma, torna-se difícil acreditar que o time encontrará soluções para voltar ao caminho certo.

Créditos da foto de capa: Divulgação/Lucas Uebel/Grêmio.