Coutinho Vasco
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Coutinho faria diferença no Vasco de Renato Gaúcho?

Depois de quatro jogos do Vasco sem vitória, nada melhor do que levantar uma dúvida: Philippe Coutinho seria capaz de fazer diferença no time carioca comandado por Renato Gaúcho? O momento do atleta enquanto trabalhava com Fernando Diniz estava longe de ser ruim, apesar de também estar distante do que entregava em seu auge. Mas, sinceramente, esse ponto nem deveria entrar em questão.

O futebol brasileiro adora um bom “e se?”. E poucos encaixam tão bem nesse roteiro quanto Coutinho. Depois de uma passagem intensa, dentro e fora de campo pelo Vasco, fica a pergunta: no atual momento do clube, agora sob o comando de Renato Gaúcho, o camisa 10 faria diferença?

O Coutinho de Diniz: outra cara para o camisa 10

Coutinho Vasco
(Foto: Matheus Lima/Vasco)

 

Antes de falar do Vasco atual, vale olhar para o último contexto do meia no clube. Sob o comando de Fernando Diniz, Coutinho viveu talvez seu momento mais completo nessa segunda passagem, tendo que fazer mais coisas do que normalmente lhe era atribuído. E não, não foi só sobre gols ou assistências.

Diniz fez questão de destacar algo que muita gente nem sempre associa ao jogador: entrega. Simplesmente deixar tudo de si em campo, suar, sangrar e só Deus sabe mais o quê. O meia não só criou, colocá-lo como um simples camisa 10 seria limitá-lo demais, como também se sacrificou defensivamente, ajudando na marcação e participando do funcionamento coletivo da equipe.

Além disso, foi tratado como peça-chave dentro do grupo, tanto pela criatividade quanto pela liderança silenciosa, chegando até a atuar em condições físicas não ideais em momentos decisivos. Ou seja: não era só o “Coutinho do drible e chute colocado”, tão conhecido por seus momentos na Seleção Brasileira. Era um jogador mais completo, mais comprometido com o coletivo.

Renato Gaúcho muda o jogo

Agora entra o fator principal da equação: Renato Gaúcho. O treinador voltou ao Vasco em 2026 com a missão clara de mudar o rumo do time. E quem conhece o estilo dele sabe: Renato não é um técnico de tanta complexidade tática como Diniz. Ele é mais direto, sempre foi, seja no Grêmio, Flamengo ou Fluminense.

Times de Renato costumam ter:

Transição rápida;

Menos posse “estéril”;

Mais liberdade para os jogadores de frente;

Confiança no talento individual.

Traduzindo para o bom português: é um ambiente onde jogadores criativos costumam crescer, ainda mais aqueles com alta qualidade no trabalho individual.

E aqui entra o ponto-chave: Coutinho, em teoria, encaixaria muito bem nesse modelo. Mesmo que Renato não esteja utilizando um camisa 10 clássico, o que Coutinho fazia com Diniz não deve nada ao papel de um segundo volante em termos de participação.

No momento, Renato tem se apoiado mais em um esquema com três volantes. Isso levanta uma dúvida interessante: ele faz isso por falta de um nome de alto nível para a posição ou trabalharia dessa forma independentemente das peças?

Onde Coutinho faria diferença?

Se colocarmos o Coutinho visto com Diniz dentro da ideia de Renato, o encaixe parece quase automático.

Primeiro, pela capacidade de decidir jogos.

O Vasco atual ainda carece daquele jogador que resolve em um lance, seja com um passe diferente, seja com um chute de fora da área. E isso sempre foi uma das principais armas do camisa 10: tirar um ás da manga, um verdadeiro “coelho da cartola”.

Segundo, pela inteligência entrelinhas.

Renato gosta de equipes mais verticais, e Coutinho é especialista em receber entre as linhas, girar e acelerar o jogo. É o tipo de jogador que transforma um contra-ataque comum em uma chance clara ou até atrai a marcação para si, abrindo espaço para companheiros melhor posicionados.

Terceiro, pela experiência.

Em um elenco que ainda busca estabilidade, ter alguém com bagagem internacional e histórico de decisões pesa, principalmente em momentos de pressão. Hoje, o Vasco não tem muitos pilares claros. Dá para contar nos dedos, com Tchê Tchê e Thiago Mendes sendo alguns deles, mas não necessariamente nomes que chamam atenção por números ou conquistas de peso.

Mas nem tudo é tão simples

Agora, calma lá. Nem tudo são flores. O próprio histórico recente de Coutinho mostra isso. É muito fácil lembrar das grandes atuações do camisa 10 no Brasil e imaginar automaticamente que tudo daria certo nesse cenário atual.

Apesar de bons momentos, sua passagem pelo Vasco também teve irregularidade e questionamentos. Em alguns períodos, o desempenho coletivo da equipe não acompanhava sua presença em campo, o que gerou críticas e até um certo desgaste com parte da torcida.

Além disso, existe a questão física.

Coutinho já não é mais aquele jogador de intensidade constante que marcou época na Europa. Em um time que pode exigir transições rápidas o tempo todo, isso precisa ser bem dosado.

Outro ponto importante: Renato Gaúcho costuma valorizar jogadores que entregam intensidade sem a bola. E, apesar da evolução com Diniz, essa nunca foi exatamente a principal característica do meia ao longo da carreira. Houve lampejos, sim, mas faltava continuidade.

Então… Coutinho faria ou não faria diferença?

A resposta mais honesta é: sim, faria.

Se for o Coutinho comprometido, participativo e fisicamente inteiro visto com Diniz, ele seria um diferencial técnico claro no Vasco de Renato. Existe até a possibilidade de encaixá-lo em um meio com três jogadores, talvez saindo Cauã Barros, com Thiago Mendes mais recuado, Tchê Tchê mais avançado e o camisa 10 com certa liberdade, mas sem abandonar a responsabilidade.

Agora, se for um Coutinho mais irregular, dependente do jogo encaixar ao seu redor, o impacto pode ser menor do que se imagina. No fim das contas, Coutinho no Vasco de Renato Gaúcho seria aquele clássico caso de “pode dar muito certo… ou nem tanto”.

A diferença é que, mesmo que não seja para mudar completamente o patamar do Gigante da Colina, ter um jogador desse nível com capacidade de desequilibrar, já é motivo suficiente para considerar. E, convenhamos… Renato Gaúcho adoraria ter Philippe Coutinho em suas mãos.

Foto: IMAGO