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Israel Adesanya busca se reencontrar no UFC: quais serão seus próximos passos?

Ver Israel Adesanya nos dias atuais é simplesmente um banho de água fria para quem se apaixonou pelo ex-campeão dos pesos médios. Depois de ter sido nocauteado por Joe Pyfer em sua última luta, existia uma forte ideia sobre uma possível aposentadoria do nigeriano. Porém, mesmo com quatro derrotas em cinco oportunidades, ele decidiu continuar no UFC e, agora, terá que pensar em seus próximos passos para voltar a ser o que era.

Enquanto se encontra no terço final de sua carreira, o mundo se compadece com a situação de Adesanya. Mesmo sofrendo reveses duros, com direito a alguns nocautes, ele continua interessado em buscar uma melhora. Da mesma forma que o ex-campeão sempre demonstrou seu carinho por animes, é impossível olhar para ele e não pensar em Rock Lee, ainda mais com a famosa frase de Might Guy:

“Lee, oh Lee, o que foi que eu fiz? Olha só para você, nem está consciente e continua se empenhando em mostrar para o mundo o que pode fazer”.

Adesanya ainda não jogou a toalha

Mesmo com os nocautes sofridos, ainda é possível ver alguns aspectos de Adesanya que mantêm o público acreditando em uma possível volta por cima. Diante de Pyfer, o nigeriano vinha bem, controlando a distância e escapando do poder de nocaute do adversário. Porém, o excesso de confiança falou mais alto, e o ex-campeão simplesmente se desligou.

A coincidência é que as últimas derrotas seguiram esse mesmo roteiro. Existe um caminho claro para chegar ao “pote de ouro”, mas o ex-campeão não tem demonstrado a paciência necessária para percorrê-lo e, por isso, os finais acabam sendo os mesmos.

Por outro lado, isso também pode ser visto como um ponto positivo. Segundo seu treinador, o “antigo Izzy” ainda aparece em alguns momentos, a questão é conseguir sustentar isso por mais tempo.

“Eu sei onde as mudanças precisam ser feitas para o Israel, mas não vou falar disso publicamente. Você vê alguns lampejos, certo? Você vê lampejos do velho Israel”, disse Eugene Bareman em entrevista ao Submission Radio.

“Então, trata-se de transformar esses lampejos em performances mais longas e consistentes”, completou.

O lado mental de Adesanya

Não tem como fugir: o lado mental dos atletas de alto rendimento é um dos pontos mais importantes da carreira. Seja no tênis, no futebol ou no basquete… nas lutas isso é ainda mais evidente. Afinal, você está entrando no octógono para machucar o seu adversário e, para sair vitorioso, precisa estar com a cabeça no lugar.

E foi assim por muito tempo com Adesanya… até encontrar Alex Pereira.

O brasileiro colocou um ponto final na sequência de vitórias do nigeriano, e, desde então, as coisas começaram a tomar outro rumo. Adesanya até conseguiu vencer a revanche, mas aquela parece ter sido sua última grande resposta. Desde então, o ex-campeão nunca mais foi o mesmo.

Muito se fala que, após atingir seu grande objetivo, ele perdeu um pouco do brilho, como se tivesse completado sua “missão principal”. Como se tivesse derrotado o último chefão do jogo.

Depois da vitória sobre Poatan, Adesanya foi derrotado pelo azarão Sean Strickland, que hoje já tem luta marcada contra Khamzat Chimaev pelo cinturão dos médios. Em seguida, perdeu para Dricus Du Plessis em 2024, sendo finalizado, e em 2025 acabou sendo dominado por Nassourdine Imavov.

Agora, o próprio treinador acredita que a única pessoa capaz de ajudá-lo… é ele mesmo.

“Ele só precisa fazer uma reflexão profunda, cara, como você faz depois de cada luta. Todo lutador, depois de perder, precisa se afastar um pouco, seja na floresta ou em um quarto escuro por 24 horas — cada um faz do seu jeito.”

“Eles precisam entender a própria vida. E é isso que o Israel precisa fazer.”

“Ele precisa encontrar isso dentro dele. Desta vez, ele precisa buscar bem fundo.”

Essa ideia da “floresta” ou do “quarto escuro” até permite uma brincadeira: talvez ele possa trocar umas ideias com Jiri Prochazka, que também curte esse lado mais espiritual.

O problema é se o nigeriano voltar a disputar um cinturão e cruzar o caminho dele. Aí talvez seja melhor manter distância… porque o tcheco tem o costume de chegar na cara do gol e, às vezes, acabar desperdiçando.

Foto: Josh Hedges/ Zuffa LLC