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UFC: Jon Jones não sabe se vai ou se fica

Jon Jones deixou o mundo inteiro do UFC acreditar na possibilidade de uma lutaça contra Alex Pereira na Casa Branca, mas depois simplesmente fez com que esse sonho fosse por água abaixo. Após tantas questões entre o norte-americano e Dana White, era razoável imaginar que uma aposentadoria poderia acontecer. Porém, parece que nem “Bones”, nem o evento e nem ninguém sabe quais serão seus próximos passos.

Nos últimos anos, Jon Jones tem demonstrado um enorme interesse em se manter na mídia, alternando entre a vontade de continuar lutando e a possibilidade de se aposentar de vez. A questão é que o momento parece mais inclinado para um retorno aos octógonos, seja no UFC ou em qualquer outro evento disposto a bancar um nome desse tamanho no peso-pesado.

Segundo o próprio norte-americano, após algumas conversas com o executivo do UFC, Hunter Campbell, o desejo de voltar a lutar foi reacendido. Pelo que saiu da boca de Jon Jones, seu estado físico melhorou significativamente, o que naturalmente muda sua perspectiva.

“Conversamos sobre isso. Eu fiz um tratamento com células-tronco antes da ideia do card na Casa Branca surgir, e agora estou começando a sentir os efeitos. Estou me sentindo muito bem fisicamente”, disse Jones.

Antes disso, o norte-americano enfrentava enormes dificuldades até para correr, por conta de uma artrite severa (artrose) no quadril esquerdo. Estamos falando de um desgaste avançado da cartilagem, que causa dores intensas, inclusive à noite e que chegou a ter indicação médica para cirurgia com prótese de quadril. Essa informação foi revelada em fevereiro de 2026, justamente quando começaram a surgir os rumores sobre sua presença no evento da Casa Branca.

Jon Jones ainda prega cautela

Mesmo com a melhora física, Jon Jones mantém os pés no chão. O foco, neste momento, é entender até onde essa recuperação realmente vai e se ela é sustentável no longo prazo.

“Eu disse para eles não colocarem pressão em nada. Quero focar em treinar o Gable (Steveson) agora, mas quem sabe o que o futuro reserva?”

Enquanto está afastado dos octógonos, dá para dizer que essa distância é apenas competitiva. Fora deles, Jones tem se dedicado bastante ao desenvolvimento de seu pupilo, Gable Steveson, que pode pintar no UFC em breve.

Ao mesmo tempo, o cenário ainda permite sonhar com uma superluta contra Alex Pereira, ainda mais com o brasileiro tendo renovado contrato e, teoricamente, com vários compromissos pela frente.

Relação de Jon Jones com o UFC segue sendo um ponto delicado

É claro que a condição física é prioridade, mas existe outro fator importante: a relação de Jon Jones com o UFC, especialmente com Dana White está longe de ser tranquila.

Um dos episódios mais lembrados é o do UFC 151, quando Jones optou por não lutar após a saída de Dan Henderson e a entrada de Chael Sonnen como substituto. A decisão acabou levando ao cancelamento do evento, algo raríssimo na organização.

Além disso, por muito tempo, Jones evitou um confronto com Tom Aspinall, atual nome forte na divisão dos pesados. E, mais recentemente, também foi peça-chave no impasse que travou a luta contra Alex Pereira.

A questão principal girava em torno da compensação financeira. O evento na Casa Branca teria limitações importantes: sem patrocínios tradicionais e com público restrito, já que o ambiente contaria com a presença do então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Diante desse cenário, Jones não se mostrou disposto a ceder, o que acabou esfriando completamente a negociação. Para muitos, faltou flexibilidade. Para outros, foi apenas uma decisão estratégica.

No fim das contas, o desfecho foi outro: Ciryl Gane acabou entrando na disputa pelo cinturão interino dos pesados contra Alex Pereira, deixando de lado aquele que poderia ser um dos maiores eventos da história recente do UFC.

Agora, o cenário é de incerteza.

Jon Jones precisa avaliar não só sua condição física, mas também sua relação com o UFC e o que ainda quer da carreira. O retorno é possível? Sim. Mas depende de muitos fatores. E, no caso de “Bones”, uma coisa já ficou clara há muito tempo: nada nunca é simples.

Foto: Sarah Stier/Getty Images