A mais recente declaração de Jon Jones, recolocou seu nome no centro do noticiário mundial do MMA. Após sinais claros de aposentadoria e até declarações nesse sentido, o ex-campeão voltou atrás e admitiu que ainda se sente bem fisicamente, deixando em aberto a possibilidade de retornar ao octógono.
Entretanto, ao mesmo tempo, “Bones” mantém como prioridade o desenvolvimento de Gable Steveson, medalhista olímpico e um dos projetos mais ambiciosos do UFC para o futuro. Ainda assim, quando se trata de Jon Jones, qualquer sinal de retorno não é apenas uma notícia, é um evento que mexe com toda a estrutura do esporte.
A questão que naturalmente surge não é “se” Jones pode voltar, mas sim contra quem faria sentido esse retorno. Aos 38 anos, dono de um legado praticamente intocável e vindo de uma vitória dominante sobre Stipe Miocic, Jones não precisa mais lutar por cinturões ou afirmação.
O próximo passo de Jon “Bones” Jones, caso aconteça, precisa ser algo que realmente agregue valor histórico, esportivo ou comercial. E é justamente nesse ponto que o cenário atual do MMA se mostra limitado.
No UFC, só dois nomes fariam sentido
Dentro do UFC, há pouquíssimos nomes que oferecem o peso necessário para dividir o octógono com Jones em uma luta que seja relevante. O principal deles é Tom Aspinall. Atual campeão dos pesos-pesados, Aspinall representa exatamente o tipo de desafio que sempre instiga grandes campeões: juventude, explosão, técnica e fome por legado.
É o clássico embate entre gerações. De um lado, o lutador mais dominante de sua era; do outro, um atleta moderno e completo. Essa luta carrega legitimidade esportiva e resolveria, de forma direta, qualquer debate sobre quem é o melhor peso-pesado do momento. Se Jones deseja provar que ainda está no topo competitivo, Aspinall é o único caminho verdadeiramente coerente. Porém, tudo isso só seria válido se o inglês se recuperasse 100% das lesões nos olhos.
Outro nome que surge como possibilidade, ainda que com características diferentes, é o de Alex Pereira. O brasileiro se consolidou como a maior estrela do UFC na atualidade, com títulos em diferentes categorias e um estilo de luta que cativa o público.
Diferentemente de Aspinall, o apelo aqui não é puramente esportivo, mas sim comercial e simbólico. Trata-se de um confronto entre dois campeões de eras distintas, dois nomes gigantescos e dois lutadores que carregam enorme poder de atração global.
Jones contra Pereira é o tipo de luta que o UFC consegue transformar em um espetáculo mundial, capaz de romper bolhas e atingir públicos fora do MMA tradicional. Ainda que existam questionamentos técnicos, especialmente pela diferença de características entre ambos, o fator evento é inegável.
Caso Poatan vença Ciryl Gane e se torne campeão interino dos pesados, sendo o único a ter cinturões em três categorias diferentes, um possível combate contra Jon Jones ganharia contornos épicos.

Jon Jones pode ter um caos no caminho fora do UFC
Fora do UFC, no entanto, o cenário se expande de maneira significativa e talvez até mais interessante. Com o crescimento de novas organizações e o envolvimento de grandes “players” do entretenimento esportivo, como a Most Valuable Promotions, além do interesse crescente de plataformas como a Netflix na transmissão de eventos ao vivo, o conceito de superluta ganha força. E é nesse ambiente que surgem confrontos que os fãs pedem há anos.
O principal deles envolve Francis Ngannou. Durante muito tempo, essa foi a luta mais desejada da divisão dos pesados, mas nunca se concretizou dentro do UFC. Hoje, com Ngannou fora da organização e consolidado como uma estrela global, prestes a enfrentar Phillipe Lins em evento da MVP com a Netflix, o confronto ganha contornos ainda maiores.
Jones contra Ngannou não seria apenas uma luta, teria o potencial de um evento histórico, reunindo técnica refinada contra poder bruto em sua forma mais pura. É o tipo de combate que transcende rankings e cinturões, entrando diretamente no imaginário dos fãs como um dos maiores duelos possíveis da história do esporte.
E, claro, existe a alternativa mais caótica, e talvez a mais midiática de todas: Brock Lesnar. Aqui, o aspecto esportivo deixa de ser prioridade e dá lugar ao espetáculo. Lesnar é um fenômeno de audiência, um nome que ultrapassa o MMA e dialoga com o entretenimento global.
Um confronto entre o astro da WWE e ex-campeão peso-pesado do UFC diante de “Bones” seria, acima de tudo, um show. Não necessariamente justo ou competitivo em termos técnicos, mas absolutamente gigante em termos de alcance e impacto comercial. É o tipo de luta que poderia quebrar recordes e atrair públicos completamente novos.
Diante de todas essas possibilidades, uma conclusão se impõe: o retorno de Jon Jones não comporta escolhas medianas. O estágio atual de sua carreira exige grandeza, seja ela esportiva, histórica ou comercial.
Dentro do UFC, apenas Tom Aspinall e Alex Pereira parecem ter envergadura suficiente para justificar esse retorno. Fora dele, Francis Ngannou e Brock Lesnar representam caminhos ainda mais grandiosos, capazes de transformar uma simples luta em um acontecimento global.
Se Jon Jones realmente concretizar essa volta, o combate não será apenas mais uma luta no calendário. Assistiremos ao final apoteótico do maior lutador de todos os tempos do UFC diante de um nome que acrescentaria para essa história.
(Imagem de capa: Dia Dipasupil/FilmMagic)