A possível permanência de Aaron Rodgers no Pittsburgh Steelers se transformou em uma das negociações mais complexas da atual offseason da NFL. O cenário parece simples à primeira vista: um quarterback veterano buscando disputar mais uma temporada e uma franquia tradicional precisando de estabilidade na posição mais importante do esporte. Mas, nos bastidores, a situação revela um equilíbrio raro de forças, em que tanto Rodgers quanto Pittsburgh possuem argumentos sólidos e, ao mesmo tempo, poucas alternativas realmente convincentes.
Após meses de indefinição, Rodgers deve visitar os Steelers novamente neste fim de semana, aumentando a expectativa por um acordo para 2026. A franquia aplicou recentemente uma oferta de US$ 15,5 milhões que lhe garante direitos exclusivos de negociação com o quarterback após julho. Ainda assim, o contrato segue indefinido.
O motivo principal para essa demora está justamente no equilíbrio de poder entre os dois lados. Diferente de outras negociações em que uma das partes possui clara vantagem, aqui existe uma dependência mútua difícil de ignorar.
Steelers apostam em janela curta para voltar aos playoffs
A posição dos Steelers dentro dessa negociação ficou muito mais delicada ao longo dos últimos meses. Durante o início da offseason, a franquia ainda possuía diferentes possibilidades para a posição de quarterback. Nomes como Kirk Cousins, Geno Smith, Joe Flacco e Malik Willis estavam disponíveis no mercado. Até opções mais ousadas, como Kyler Murray e Tua Tagovailoa, chegaram a ser especuladas em diferentes momentos.
Hoje, praticamente todas essas portas se fecharam.
Atualmente, a sala de quarterbacks de Pittsburgh é liderada por Mason Rudolph, jogador que conhece o sistema da franquia, mas que nunca conseguiu convencer totalmente a organização de que pode ser o titular definitivo. Seus números ilustram bem essa limitação: 21 touchdowns e 13 interceptações em cinco temporadas.
A comparação com Rodgers é inevitável. Mesmo em reta final de carreira, o veterano soma 527 touchdowns e apenas 123 interceptações, além de quatro prêmios de MVP da NFL. Na última temporada, aos 41 e 42 anos, Rodgers liderou os Steelers a uma campanha de 10 vitórias e 6 derrotas, garantindo a equipe nos playoffs.
Os números mostram que ele ainda consegue entregar um nível competitivo acima da média da liga. Rodgers completou 65,7% dos passes para 3.322 jardas, 24 touchdowns e apenas sete interceptações em 2025. O desempenho caiu nos playoffs, especialmente na derrota pesada para o Houston Texans, mas a temporada regular reforçou que Pittsburgh ainda vê o quarterback como sua melhor chance imediata de competir.
Isso acontece porque os Steelers claramente não querem iniciar uma reconstrução completa neste momento. A saída de Mike Tomlin e a contratação de Mike McCarthy indicam exatamente o contrário: a franquia deseja maximizar os últimos anos de competitividade de um elenco envelhecido.
Jogadores importantes da defesa, como Cam Heyward, aos 37 anos, e T. J. Watt, aos 31, reforçam a sensação de urgência. Pittsburgh entende que ainda possui talento suficiente para competir agora, mas sabe que essa janela pode fechar rapidamente.
Rodgers também possui poucas alternativas reais
Se por um lado os Steelers precisam de Rodgers, o quarterback também percebe que o mercado já não oferece tantas opções atrativas.
Durante parte da offseason, surgiram especulações envolvendo o Arizona Cardinals e o Denver Broncos. Porém, nenhum dos dois cenários parece realmente convincente.
Arizona vive um processo de reconstrução após temporadas muito ruins e compete em uma divisão extremamente forte, que conta com Seattle Seahawks, Los Angeles Rams e San Francisco 49ers. Mesmo com conexões pessoais importantes, como a presença de Nathaniel Hackett e Mike LaFleur, os Cardinals não parecem próximos de disputar playoffs.
Já Denver virou assunto após os problemas físicos de Bo Nix, mas a franquia demonstra confiança em Jarrett Stidham e acredita na recuperação do jovem quarterback.
Na prática, isso deixa Rodgers praticamente sem opções competitivas fora de Pittsburgh. E isso reduz parte de sua força na negociação.