O Santos vive um dos momentos mais delicados de sua história recente e Gabriel Bontempo, de apenas 21 anos, se tornou o centro de um dilema clássico do clube: talento versus necessidade financeira. O jovem meia é, hoje, o motor do time. Quando ele não joga, a produção santista cai visivelmente. No entanto, a grave crise financeira do clube pode forçar a venda do jogador abaixo do valor real, justamente na pausa para a Copa do Mundo, quando o mercado está aquecido.
Bontempo não é só mais um nome no elenco. Ele é um dos poucos meias no Brasil capazes de marcar, construir e concluir no mesmo nível. Sua capacidade de entender o jogo ao lado dos companheiros, de fazer transições rápidas e de aparecer na área final o torna peça insubstituível no momento.
Peça essencial: o time cai sem Bontempo
Os números de 2026 reforçam o impacto de Bontempo. Em 22 jogos pelo Brasileirão, ele contribuiu diretamente com produção ofensiva relevante. Na Copa do Brasil, em 2 jogos, teve média alta de nota e anotou um belo gol no jogo de volta da 5ª fase contra o Coritiba. No Paulista, em 3 partidas, também brilhou. No total, sua presença eleva o nível coletivo do Santos.
Quando Bontempo fica fora, o meio-campo perde criatividade e equilíbrio. O time sente dificuldade para progredir, criar chances claras e controlar o ritmo. Ele é daqueles jogadores que “ligam” o time: marcam no primeiro tempo, constroem no segundo e finalizam quando necessário. Poucos meias brasileiros reúnem essas três qualidades com a mesma consistência aos 21 anos.
Sua inteligência tática é outro destaque. Bontempo lê bem os espaços, sabe quando segurar a bola e quando acelerar. A comissão técnica do Santos tem utilizado essa versatilidade de forma privilegiada, muitas vezes partindo da direita como “falso ponta” para cortar para dentro, tabelar e interagir com os companheiros. É um estilo moderno que poucos jovens dominam.
Crise financeira pode forçar venda ruim
O grande problema é o contexto do clube. O Santos vive uma situação financeira e pública precária. Com dívidas altas e necessidade urgente de caixa, o clube tem pouquíssimas opções de venda no elenco. Bontempo, por ser jovem, brasileiro e com bom desempenho, é um dos poucos ativos valiosos.
Isso cria um cenário perigoso. Clubes interessados sabem da urgência santista e tendem a oferecer valores abaixo do real potencial do jogador. Ninguém fará proposta milionária sabendo que o Santos precisa vender. O resultado pode ser uma transferência por preço baixo, comprometendo o futuro do clube e do próprio atleta.
Aos 21 anos, Bontempo ainda tem muito a evoluir. Com sequência e bom trabalho, pode se tornar um dos melhores meias do Brasil nos próximos anos. Vender agora por necessidade pode significar perda de um patrimônio que renderia muito mais em 1 ou 2 anos.
Potencial enorme e decisão estratégica
Bontempo tem tudo para ser protagonista. Boa finalização, visão de jogo, capacidade de marcação e versatilidade tática. Ele já mostra maturidade rara para a idade e entende bem o companheirismo em campo. Quando se coloca como ponte entre defesa e ataque, geralmente sai coisa boa.
O Santos precisa equilibrar urgência financeira com visão de longo prazo. Manter Bontempo por mais uma temporada, blindando-o de propostas baixas, poderia valorizá-lo ainda mais. Uma venda bem feita, com porcentagem de futuro ou parcelamento alto, seria o ideal. Mas a realidade do clube torna isso difícil.
A pausa para a Copa do Mundo será um momento de decisões. O Santos não pode se dar ao luxo de perder seu melhor ativo por preço de liquidação. Bontempo é raro: jovem, brasileiro, versátil e com fome de crescimento. O clube precisa protegê-lo enquanto busca soluções financeiras sustentáveis.
O dilema é clássico no futebol brasileiro: vender para sobreviver ou apostar no potencial para crescer. No caso de Bontempo, o Santos tem nas mãos um jogador que pode ser a grande joia da reconstrução. Tomara que a diretoria consiga equilibrar as contas sem desperdiçar o talento.
Foto: Hedeson Alves/AGIF



